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Nippo-Brasil

Nedo e Esalq selam acordo para certificação de álcool

Publicado em 23 setembro 2005

Por Ricardo Mituti Jr./NB, de São Paulo

Investimento japonês será empregado na contratação de recursos humanos e na aquisição de equipamentos e infra-estrutura

O diretor da estatal japonesa New Energy and Industrial Technology Development Organization (Nedo), Naoki Nishio, e o vice-diretor e presidente da Comissão de Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), Raul Machado Neto, firmaram um convênio no início do mês para a instalação, nas dependências da instituição de ensino, em Piracicaba (SP), de um laboratório de certificação do álcool exportado ao arquipélago. Representantes do Pólo Nacional de Biocombustíveis e o assessor especial do Ministério da Agricultura, Isidoro Yamanaka, também participaram da reunião para a concretização do acerto.
Com a contrapartida da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o acordo prevê a destinação de US$ 300 mil pela Nedo ao Pólo de Biocombustíveis. O investimento será empregado na contratação de recursos humanos e na aquisição de equipamentos, infra-estrutura e um laboratório móvel. Um prédio da Esalq deverá será adaptado para receber o laboratório de certificação, que terá como parceiros a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). "Essa qualificação do produto é de extrema importância, não só econômica e social, mas também em âmbito acadêmico", justifica Machado.
Ter um produto de qualidade, livre de impurezas e de acordo com as rígidas regras de sanidade vigentes no Japão é a principal exigência da estatal nipônica para a manutenção das importações de álcool brasileiro, conforme declarou Isidoro Yamanaka ao site da Escola de Agricultura. "A certificação é o início da institucionalização de um padrão de qualidade para o produto", comentou.
Para Naoki Nishio, a indústria brasileira também se beneficiará da certificação do álcool feita no interior de São Paulo. "A certificação servirá como uma oportunidade para os usineiros agregarem mais valor ao produto", declarou o executivo. Atualmente, o Japão importa 300 milhões de litros de álcool do País, o equivalente a 80% do produto utilizado nas indústrias alimentícia e farmacêutica nipônicas — o chamado álcool potável.
A Nedo é o órgão do governo japonês responsável pelo desenvolvimento de novas energias e tecnologias industriais. O Pólo Nacional de Biocombustíveis, criado em 2004, é resultado de um convênio entre o Ministério da Agricultura e a LJSP para o desenvolvimento de um programa de estudos e pesquisas cujo objetivo é a utilização de biocombustíveis em substituição, ou associado, ao uso dos combustíveis fósseis, por meio da criação de um Programa Brasileiro de Agricultura Energética, iniciativa negociada no início deste ano entre a Esalq e o banco estatal nipônico Japan Bank for International Cooperation (JBIC).
Machado espera que a certificação do álcool potável abra as portas para o início das exportações brasileiras de etanol ao arquipélago. "Há um grande interesse por parte deles de começarem o mais rápido possível com o álcool combustível", garante o vice-diretor da Esalq. Segundo ele, os negócios com os orientais podem ser intensificados no curto prazo.
Em março de 2004, o governo nipônico autorizou a mistura de até 3% de etanol à gasolina. Estima se que a demanda inicial de álcool combustível no Japão, em caso de abertura à simportações, seja de 1,8 bilhão de litros por ano.
Na safra 2004/2005, o Brasil produziu quase 13,6 bilhões de litros de álcool, segundo a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica). A estimativa é que, na próxima safra, esse valor chegue a 15,1 bilhões de litros.