Notícia

Jornal do Brasil

Navio da USP volta ao oceano

Publicado em 03 fevereiro 2001

O navio de pesquisa do Instituto Oceanográfico da USP (Iousp) Professor W. Besnard está de volta ao mar, após dois anos sem deixar o cais. Destino: as águas profundas do Atlântico, onde a embarcação ficará um total de 300 dias, divididos em quatro expedições ao longo dos próximos dois anos. A primeira missão termina em março, depois de o navio percorrer a costa norte de São Paulo e o litoral carioca. O objetivo é avaliar as causas do fenômeno da ressurgência, caracterizado pelo resfriamento das águas, do oceano nos meses de ; verão. A ressurgência acontece quando a chamada Água Central do Atlântico Sul (Aças), na faixa de 200 metros a 2.000m de profundidade, avança sobre a plataforma continental, área que se estende da praia ao ponto em que a profundidade é de 200m. A temperatura da Aças varia de 11° Celsius a 15° C, pois a luz solar não penetra mais que 100m no mar. No verão, os ventos empurram a Aças em direção à praia, fazendo com que chegue à superfície. "Essa água é muito rica em nutrientes e microorganismos. Quando chega à superfície, os raios solares incidem sobre ela, favorecendo a fotossíntese. Temos então o fitoplâncton — flora marinha microscópica que é a base para a cadeia alimentar", diz Belmiro Mendes Castro,Filho, coordenador do projeto, financia- do pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e pela Fapesp. O fitoplâncton serve de alimento à fauna microscópica (zooplâncton), que por sua vez alimenta os peixes. "Por isso esse fenômeno é tão importante para a atividade pesqueira", explica o pesquisador. O problema é que a ressurgência não segue padrões.. "Queremos descobrir por que este fenômeno ocorre e por que varia de um ano para o outro, além de avaliar seu real impacto no ecos- sistema", diz Belmiro. "Quando há escassez de sardinhas no litoral fluminense, por exemplo, não sabemos se isso acontece porque nos anos anteriores se pescou muito ou se por algum motivo a ressurgência foi bloqueada", conta Belmiro. Na costa peruana, o fenômeno é frequentemente interrompido por El Niño. O Professor W. Besnard foi recolhido à doca de Santos em 1998 quando apresentou problemas no motor. Para voltar ao mar, passou por uma reforma de quase R$1 milhão.