Notícia

Correio Popular

Navegando com o dinheiro

Publicado em 04 junho 2000

Por CÉLIA FROUFE e celinha@cpopular.com.br
O comércio na Internet (e-commerce ou e-business) movimenta por ano US$ 24 bilhões no Brasil. No mundo, as comercializações eletrônicas vão chegar em 2004 a US$ 7,3 trilhões. Os dados são do instituto de pesquisa norte-americano Gartner Group. Na ultima pesquisa publicada pelo Ibope, o número de clientes potenciais dos varejistas on-line aumentou 33% nos primeiros quatro meses deste ano. Não há números sobre o comércio eletrônico na região de Campinas, talvez pelo fato de a maior parte dos empresários da região ainda resistirem à idéia de venderem seus produtos pela rede mundial de computadores. Segundo a diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Campinas), 77% de seus filiados não têm site de vendas na Web. No entanto, a cidade já possui empresas especializadas em soluções para o e-commerce. Uma delas, a Ci&T, tem registrado crescimento do volume de negócios de 180% nos últimos anos. "O advento da Internet, que deve ter dez milhões de usuários até o final do ano é um mercado incrível e em plena expansão", afirma o diretor de Tecnologia da Ci&T, César Gon. O Cosmo OnLine, portal da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) publicadora dos jornais Correio Popular e Diário do Povo, atento ao novo mercado, vai lançar, até o final do ano, uma página para abrigar empresas interessadas em comercializar seus produtos pela Internet Assíduos consumidores eletrônicos, como a dona-de-casa Simone Raquel Rached, Internet movimentam afirmam que ganham tempo ao fazer compras pela Web. Isso sem contar, segundo eles, a praticidade de receber os produtos em sua casa. "Já comprei brinquedos e até televisão pela Internet", afirma. A falta de adesão dos empresários da região encontra eco em consumidores como o vendedor Eduardo Manto, que não tem boas recordações de sua última compra pelo computador. "Adquiri um produto pela Internet e quando recebi a conta vi que o valor cobrado era superior ao tratado anteriormente. Nunca mais quis saber de fazer compras virtuais", lamenta Manto. De acordo com o professor da Universidade norte; americana de Hawtord, Beir Kansynski, em entrevista ao Correio, apesar de a Internet não ter sido criada para transações comerciais, as empresas estão tendo de se adaptar ao novo meio de ampliar seus negócios. "As empresas estão divididas em três fases: as que utilizam a rede de computadores institucionalmente, as que vendem no computador como fazem no balcão e as que já estão criando mecanismos para estabelecer regras de e-commerce", explica. EXPANSÃO Um levantamento realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado De São Paulo que o País possui z£& mil domínios (ou pontocom.br). Mais do que se preocupar com as páginas, quem se arrisca neste segmento tem de manter um planejamento logístico de entrega de seus produtos. Segundo pesquisa do Instituto de Qualidade de São Paulo (IQ), 32% dós consumidores de produtos pela Web, reclamam de atraso na entrega ou de faturas indevidas. A maior parte destes clientes descontentes afirma que não vai voltar a adquirir mercadorias pela rede de computadores por causa da segurança (ou da falta dela). "Esse é o grande empecilho para que o comércio eletrônico não tenha evoluído no Brasil. As empresas têm de proporciona/ o máximo de segurança aos seus clientes", afirma o supervisor de tecnologia do Cosmo Dm ítát" Wagner da Cunha. Cabe também aos consumidores, segundo ele, procurar formas de se proteger.