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O Estado (CE) online

Natureza - Amazônia não sofre apenas com as queimadas

Publicado em 24 setembro 2013

Que a Amazônia está extremamente ameaçada não é novidade para ninguém. Entretanto, quando falamos sobre este problema, desmatamento e queimadas vêm logo às nossas mentes. Além destes dois problemas, outras ações ilegais, muitas vezes, camufladas pela grande vegetação do local, estão prejudicando até mais a conservação do “pulmão” do mundo.

A extração inadequada de madeira e o manejo inapropriado de recursos pesqueiros estão gerando transformações tão importantes na floresta nas próximas décadas quanto às queimadas. Esses fenômenos, contudo, são menos perceptíveis e não são facilmente detectáveis na paisagem por imagens aéreas, como são as próprias queimadas, por acontecerem no interior da floresta e fora do chamado “Arco do desmatamento amazônico” (região de borda do bioma que corresponde ao sul e ao leste da Amazônia Legal e abrange todos os estados da região Norte, mais Mato Grosso e uma parte do Maranhão).

O alerta foi feito pelo pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) Hélder Queiroz, durante o sétimo encontro do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA-FAPESP Educação, realizado, no dia 19 de setembro, em São Paulo. “A diminuição do desmatamento é, sem dúvida, muito importante para a conservação da Amazônia, mas ele não representa a única ameaça ao bioma”, afirmou Queiroz.

DIFÍCIL DETECÇÃO

Para ele, também há um grupo grande de ameaças, composto por transformações de habitat em pequena escala realizadas, exatamente, da mesma forma nos últimos 50 anos e de difícil detecção, mas que geram mudanças importantes na composição e na estrutura da floresta e cujos efeitos serão prolongados por muitas décadas.

A extração inadequada de madeira da Floresta Amazônica, por exemplo, pode alterar o número de espécies de animais que vivem em uma determinada área da selva. Isso porque, de acordo com o pesquisador, algumas espécies de árvore cuja madeira tem grande valor comercial e também podem ser importante para alimentação da fauna. A retirada dessas espécies de árvore de forma desordenada pode alterar a composição florística e, consequentemente, de espécies de animais de uma área da floresta, ressaltou Queiroz. (com informações da Exame.com).

SAIBA MAIS

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá foi criado em abril de 1999. É uma Organização Social fomentada e supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), atuando como uma das unidades de pesquisa do MCTI. Desde o início, o Instituto Mamirauá desenvolve suas atividades por meio de programas de pesquisa, manejo e assessoria técnica nas áreas das Reservas Mamirauá e Amanã, na região do Médio Solimões, Estado do Amazonas. Juntas, estas reservas somam uma área de 3.474.000 ha. Por intermédio de convênios com o Governo do Estado do Amazonas, o Instituto Mamirauá partilha a gestão destas reservas.

Entre os objetivos do Instituto estão desenvolver, incentivar, coordenar, executar e administrar a realização de projetos que objetivem a conservação e, especialmente, a preservação de florestas inundadas. O IDSM também procura promover o desenvolvimento sustentável em articulação com a população local.