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Natura se alia a universidade para criar centro de pesquisa em inovação aberta

Publicado em 22 março 2015

Por Maíra Teixeira

A Natura aposta na inovação aberta para avançar no competitivo setor de higiene e beleza, mercado no qual o Brasil é o terceiro maior, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. Para a companhia brasileira, esse tipo de inovação tem sido estratégica principalmente porque compartilha descobertas e avanços no momento em que ocorrem. Além disso, outra vantagem é a divisão de custos de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

A remuneração de parceiros é variável, pode ser feita por meio de royalties para pesquisadores parceiros, pagamento por projeto, investimento em projetos. Essas associações são importantes também, pois o consumidor final está sempre à espera de novos produtos, com diferenciais tecnológicos que são aguardados até nas embalagens.

“Não dá mais para imaginar a Natura e qualquer empresa desse setor sem inovação, sem compartilhamento dos avanços tecnológicos que criam novos produtos para públicos que buscam cada vez mais uma boa experiência de consumo. A inovação aberta conta também com o engajamento dos consumidores, que participam do processo de elaboração”, diz Gerson Pinto, vice-presidente de Inovação da Natura, e também presidente Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

Em 2014, a empresa investiu R$ 216 milhões, o equivalente a 3% da receita líquida anual (R$ 7.4 bilhões) em inovação, o que resultou R$ 216 milhões (crescimento de 19% em relação ao ano anterior).  Os resultados elevaram o índice de inovação para 67,9% (percentual da receita proveniente de produtos lançados nos últimos dois anos) e promoveram mais de 200 lançamentos.

A empresa lança nesta quinta-feira (26) o Centro de Pesquisa Aplicada em Bem-Estar e Comportamento Humano, que será sediado na Universidade de São Paulo, universidade que será parceria da empreitada ao lado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Esse centro tem uma caráter de transversalidade único. O investimento será de R$ 20 milhões, dividido igualmente entre Natura e Fapesp, com contrapartida equivalente das universidades”, afirma o vice-presidente de Inovação da empresa.

O novo centro de pesquisa contará com participação de cerca de 40 cientistas, de diversos institutos de Ciência e Tecnologia do Brasil, além de instituições internacionais como New York University e Washington State University. Segundo Gerson Pinto, os objetivos são a estruturação de uma base sólida de conhecimento, com áreas novas do conhecimento que têm avançado, como ciências biomoleculares, neurociência, psicologia positiva (promoção da felicidade e do bem-estar, mais preventiva e otimista) e social e ciências socioeconômicas.

“Hoje mais de 60% dos projetos de tecnologia são feitos a partir de parcerias com fornecedores, universidades e pesquisadores, cerca de 200 parceiros. Para nós, inovação não é ação pontual, faz parte da nossa estratégia, criamos valor compartilhado para quem faz inovação conosco”, afirma.

Natura tem mais seis centros de inovação

Além do novo centro de estudos a ser lançado nesta semana, a Natura tem mais cinco iniciataivas em inovação, com focos e relacionamentos diferentes com os colaboradores.

O Cocriando, com cerca de 2.000 pessoas em rede, é um programa de inovação via engajamento como o consumidor, criado em junho de 2013. "Promovemos experiências de colaboração nos ambientes virtual e presencial – as chamadas jornadas de colaboração – onde construímos conceitos, ideias e respostas para desafios de inovação da Natura, com consumidores, consultores e colaboradores", explica Gerson Pinto. Os primeiros produtos resultados de uma cocriação serão oferecidos ao consumidor a partir do fim deste mês, nos kits para o Dia das Mães.

O Programa Natura Campus foi lançado em 2006, com foco em universidades e hoje envolve instituições de pesquisa, empresas, empreendedores e demais atores do sistema de inovação para gerar oportunidades de construção de pesquisa e desenvolvimento de forma colaborativa. As frentes de pesquisa do Natura Campus são tecnologias cosméticas, tecnologias sustentáveis e ciências do bem-estar e relações.

Nesse modelo, a empresa lança editais com propostas aos participantes (pesquisadores, universitários e interessados em desenvolver projetos científicos e tecnológicos) com o objetivo de fomentar o desenvolvimento de inovadores processos de limpeza.

O Núcleo de Inovação Natura Amazônia (NINA), inaugurado em 2012 em Manaus (AM), é um centro de conhecimento que pretende formar uma rede de pesquisas para transformar a região em referência em biotecnologia. O NINA prevê envolver até 2020 cerca de mil pesquisadores em rede, do Brasil e do exterior. Além desses, há o Centro de Inovação da Natura em Nova York que, desde fevereiro de 2014 funciona como um hub de inovação com equipe multidisciplinar e multicultural.

O centro tem como objetivos capturar oportunidades emergentes em design, moda e tecnologia, transformando-as em ideias, conceitos e protótipos e contribuir para o desenvolvimento de competências internacionais para o grupo, além de ser o elo com grandes tecnológicos de excelência mundial presentes nos EUA.

Em 2014, foi realizada a primeira maratona Hackathon Natura Campus Media Lab (que busca inovação com programadores, designers e outros profissionais), uma parceria do Natura Campus com o MIT Media Lab, de Massachusets. Dos 88 pesquisadores brasileiros inscritos, oito foram selecionados para participar da maratona de cocriação e prototipagem junto a colaboradores e consumidores da marca Natura e pesquisadores do MIT Media Lab.

iG São Paulo