Notícia

Gazeta Mercantil

Natura quer ampliar pesquisas

Publicado em 27 julho 2006

Por Tânia Nogueira Álvares

Empresa vai lançar o programa Natura Campus para atrair novos estudos acadêmicos

São Paulo

Reconhecida por usar ativos da biodiversidade brasileira em sua linha de cosméticos, a Natura vai sistematizar o relacionamento com universidades e institutos de pesquisa iniciado desde sua fundação, há mais de 35 anos. Em outubro, lança o programa Natura Campus, que pretende aprofundar os laços com a comunidade acadêmica, dar transparência nos contratos que regem suas parcerias e expandir sua rede com a atração de novos projetos.
"Investir em pesquisa e desenvolvimento está no DNA da empresa", afirma Luciana Villa Nova, farmacêutica que começou a trabalhar há dez anos na Natura como trainee e que assumiu, no ano passado, a nova área de gestão de inovação tecnológica e de parcerias de inovação da empresa.
A importância de agregar novos ativos à sua linha de produção pode ser medida pelo volume de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). "A Natura tem aplicado 2,9% de sua receita líquida, dentro dos padrões de benchmark das maiores empresas mundiais de cosméticos, que fica entre 2,5% e 3,5%."
Como sua receita tem expandido significativamente, isso representou um valor 41,5% maior em 2005, quando aplicou R$ 67 milhões, em comparação com 2004 (R$ 47 milhões).
A equipe atual, de 170 pesquisadores, entre cientistas e técnicos, deve crescer 30% e somar 220 ainda este ano. Mas a meta é chegar a um número de 250 colaboradores no laboratório de P&D instalado dentro da empresa. "Nosso intuito é absorver o capital intelectual que quer continuar fazendo pesquisas nas universidades e não consegue e, assim, construir um P&D mais robusto." O Natura Campus vai dedicar especial atenção à capacitação desses profissionais, dentro e fora da empresa.

Projetos
Hoje a Natura tem projetos espalhados por universidades do Brasil inteiro - são mais de vinte. A seleção foi feita através de editais e recursos independentes, além de dois projetos em parceria com a Finep (Financiadora de Produtos e Projetos) e a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
O Natura Campus também vai contar com um pacote de premiação para projetos desenvolvidos na área de interesse da Natura, que sempre privilegiou a pesquisa na biodiversidade brasileira para aplicação em cosmética. Luciana ressalta que o programa a ser anunciado em outubro vai trabalhar o conceito conhecido mundialmente como "open innovation", com o desenvolvimento de pesquisa, tecnologias e inovações através de uma rede ampla de parcerias alinhadas com as diretrizes estratégicas da empresa.
Essa rede vai ultrapassar as fronteiras nacionais. Segundo a executiva, com o agressivo plano de internacionalização da empresa, que já conta com unidades em Paris e na cidade do México, a Natura percebeu que também precisa de uma área de P&D mais internacional. "É um projeto de longo prazo, de oito anos, período em que vamos investir muito em projetos no Brasil e no mundo", diz a executivo, sem precisar os valores.
No segundo semestre, a Natura vai construir um laboratório de pesquisa na França. A empresa já tem desenvolvido alguns trabalhos com o professor Ladisla Roberta, da Universidade de Paris, na área de pesquisa de pele. "Temos também trabalhos junto a universidades européias ligadas aos nossos parceiros industriais e queremos nos aprofundar mais e chegar a outros pólos na Europa."
Sem deixar de lado a biodiversidade brasileira, a Natura começou a desenvolver várias plataformas de pesquisa, que envolvem sustentabilidade, impacto ambiental e tudo o que o cosmético precisa em materiais de embalagens, novas metodologias em testes de segurança e de eficácia de produtos.
Luciana cita como exemplo mais recente da bem-sucedida parceria com o meio acadêmico o licenciamento da patente da pariparoba, substância extraída de planta originária da Mata Atlântica capaz de proteger a pele dos raios solares e com potencial antioxidante.
A Natura licenciou a tecnologia desenvolvida pela equipe da professora Silvia Berlanga da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo (USP). O ativo obtido da planta pariparoba está presente na Linha Ekos Rosto. Esses produtos foram, recentemente, lançados no mercado nacional.