Notícia

Jornal Cana online

Natura premia pesquisa do IAC sobre espécies de Mata Atlântica

Publicado em 17 dezembro 2010

Uma pesquisa sobre espécies nativas do bioma Mata Atlântica no Estado de São Paulo - desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC-Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento - acaba de ser premiada pela Natura, que financia a pesquisa juntamente com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O Prêmio de Inovação Tecnológica Natura Campus, concedido a cada dois anos, objetiva reconhecer a contribuição da comunidade científica brasileira para o desenvolvimento tecnológico da Natura. No dia 2 de dezembro, a empresa anunciou os três agraciados na sua sede, em Cajamar (SP).

O desenvolvimento da pesquisa contribuiu para o conhecimento de aproximadamente 100 espécies aromáticas nativas de ocorrência no bioma Mata Atlântica de São Paulo, além da caracterização química e do potencial antimicrobiano e antioxidante dos seus óleos essenciais. As espécies selecionadas com potencial de uso por suas características olfativas foram avaliadas sob o aspecto da variabilidade genética e da propagação, diz a pesquisadora do IAC e coordenadora do estudo, Márcia Ortiz Mayo Marques.

A finalidade foi a de subsidiar a exploração sustentada e o desenvolvimento de tecnologia de produção dessas espécies. O estudo colaborou ainda para a formação de recursos humanos nas diversas áreas do conhecimento envolvidas no projeto — química, biologia molecular, fisiologia e botânica.

O trabalho buscou encontrar novas fontes de óleos essenciais e princípios bioativos para o desenvolvimento de novos produtos pela Natura. Com o título "Bioprospecção do potencial aromático de espécies nativas do bioma Mata Atlântica no Estado de São Paulo: ocorrência, taxonomia, caracterização química, genética e fisiológica de populações", a pesquisa obteve sucesso ao caracterizar espécies da Mata Atlântica em território paulista e identificar algumas com potencial de utilização, já verificado pela Natura.

De acordo com a pesquisadora do IAC, para que este resultado fosse alcançado, foi efetuado inicialmente a avaliação da composição química, olfativa, atividade antimicrobiana e antioxidante dos óleos essenciais de espécies nativas da flora aromática do bioma Mata Atlântica do Estado de São Paulo. O trabalho, com duração de três anos, envolveu viagens de campo para diferentes regiões do Estado, onde foram feitas observações e coleta de espécies de famílias de plantas pré-selecionadas. Segundo Márcia Ortiz, por seu caráter multidisciplinar otrabalho reuniu pesquisadores das áreas de botânica, fitoquímica, fisiologia e genética.

Outras etapas existentes no estudo foram a identificação taxonômica das espécies, a observação em campo dos ambientes de ocorrência e a avaliação da abundância, frequência e dinâmica demográfica dessas plantas em diferentes populações. Ela explica que se deve considerar também a identificação correta do material utilizado, pois as populações de uma espécie podem apresentar significativa variabilidade genética e química. "A exploração sustentável das espécies de interesse comercial deve ser feita com base na determinação taxonômica correta e em informações sobre a sua distribuição geográfica e em estudos demográficos de biologia reprodutiva, variabilidade genética, química e fisiológica", completa.

Diversidade genética

O Brasil tem a maior diversidade genética vegetal do mundo. São mais de 55 mil espécies catalogadas, de um total estimado entre 350 mil e 550 mil. Essa riqueza representa importante potencial de desenvolvimento socioeconômico para o País, como fonte de corantes, óleos vegetais, gorduras, fitoterápicos, antioxidantes e óleos essenciais para o setor produtivo. Os óleos essenciais e produtos derivados são empregados como matérias-primas para as indústrias de higiene e limpeza, alimentos e bebidas, farmacêutica e cosmética, além de apresentar atividade antimicrobiana, antifúngica e antioxidante.