Projeto da USP avança no xenotransplante e pode reduzir fila por transplantes no país
O Brasil alcançou um marco inédito na ciência ao produzir o primeiro porco clonado da América Latina, com foco no fornecimento de órgãos para transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS). O animal foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo, dentro de um projeto que busca viabilizar o chamado xenotransplante a transferência de órgãos entre espécies diferentes.
O nascimento ocorreu em um laboratório em Piracicaba (SP) e representa um avanço após quase seis anos de pesquisas e tentativas.
Tecnologia pode reduzir fila de transplantes
A iniciativa integra o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR), criado em 2022 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O objetivo é desenvolver suínos geneticamente modificados capazes de fornecer órgãos compatíveis com o corpo humano, reduzindo o risco de rejeição.
Engenharia genética é chave para compatibilidade com humanos
Para tornar os órgãos viáveis, os pesquisadores utilizam técnicas avançadas de edição genética, como a ferramenta CRISPR-Cas9. Com ela, foram inativados genes suínos responsáveis por rejeição imunológica e inseridos genes humanos para aumentar a compatibilidade.
Por que porcos são usados na pesquisa
Os porcos são considerados ideais para esse tipo de estudo por apresentarem órgãos com tamanho e funcionamento semelhantes aos humanos, além de rápida reprodução e adaptação em ambiente controlado.
Após as modificações genéticas, os embriões foram implantados em fêmeas híbridas. O primeiro clone nasceu saudável, com cerca de 1,7 kg, indicando que a técnica foi bem-sucedida.
Produção em ambiente controlado garante segurança
Os animais serão mantidos em instalações com alto nível de biossegurança, garantindo que estejam livres de vírus e bactérias que possam comprometer futuros transplantes.
Dois laboratórios especializados já foram construídos em São Paulo para abrigar os suínos em condições clínicas, etapa fundamental para transformar os órgãos em produtos médicos seguros.
Estratégia mira atender maior parte da demanda do SUS
Inicialmente, a pesquisa foca na produção de rins, coração, pele e córneas órgãos que juntos representam a maior demanda por transplantes no Brasil.
O SUS é responsável por grande parte dos transplantes realizados no país, e o domínio dessa tecnologia pode reduzir a dependência de doadores humanos e ampliar o acesso ao tratamento.
Tecnologia pode colocar Brasil na liderança na América Latina
Os pesquisadores avaliam que o domínio do xenotransplante é estratégico para o país. Caso a tecnologia avance globalmente, a capacidade de produção nacional pode evitar dependência de importações e fortalecer o sistema público de saúde.
Além disso, o Brasil pode se tornar referência na América Latina, ampliando o acesso à tecnologia para países vizinhos.