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B2B Magazine

Nascidos em berço esplêndido

Publicado em 01 outubro 2003

Por Por Juliana Carpanez
Luiz Fernando Ribeiro Atonili é um tios donos da Nel VMI www.netmi.com.br, empresa que faz monitoramento de estoques a distância. Ele e o sócio trabalhavam com automação de processos industriais quando, em 2000, decidiram abrir um negócio próprio. A tentativa se mostrou viável: conquistaram cerca de 50 clientes (entre eles 3M, Colgate, DuPont, Ipiranga e Rhodia) e exportam a tecnologia para os listados Unidos, com planos de expansão para América Latina e Cingapura. Investiram 400 mil reais no negócio, que já começou a dar retorno. Ao ler essas informações é possível pensar que o sucesso dos dois está ligado a um vasto conhecimento em administração. Ou que eles tiveram os caminhos facilitados por possuírem um considerável capital inicial. Eram ricos, talvez. E, além disso, souberam lazer um bom trabalho de marketing, atraindo grandes clientes. Para entender a trajetória da Net VMI, esqueça essas idéias preconcebidas. Se hoje seus sócios podem ser citados como exemplo é porque tiveram coragem de arriscar e contaram com a importante ajuda do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) www.cietec.org.br, Cidade Universitária de São Paulo. Ao se associarem em 2000, quando abriram a Net VMI tiveram acesso a diversos tipos de serviços. Não usam todos, mas têm à disposição assessora na elaboração tio plano de negócios, capacitação de gestão tecnológica e empresarial, marketing, design e apoio jurídico. Também podem utilizar laboratórios que fazem qualquer empresário do ramo ficar se remoendo de inveja. A Net VMI pode utilizar o laboratório do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) www.ipen.br, Institutos de pesquisas Tecnológicas (IPT) www.ipt.br e outros tia Universidade de São Paulo (USP) www.usp.br, Além dessa estrutura inegavelmente de Primeiro Mundo, tiveram apoio financeiro: receberam 270 mil reais do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) www.fapesp.br. "Toda a ajuda foi fundamental para a concretização de nosso projeto. afirma Atonili. O Cietec nasceu em 1998 com sete empresas, hoje há 04 incubadas que contam com Iodos os benefícios, excluindo os financeiros - assim como a verba para o mundo acadêmico a destinação pode não existir ou, no mínimo, variar bastante. Dessas, 12 se graduaram e não dependem mais do centro. Há previsões para que, a partir de 2004, o número de "formados" chegue a 15 por ano, Esse volume não é um fenômeno isolado; o movimento de incentivo e desenvolvimento a empresas, como realizado no Cietec, cresce 30% por ano no Brasil. De acordo com a Associação nacional de Entidades promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec) www.amprotec.org.br, em 2002 havia 183, incubadoras no País, com 1.200 incubadas que geravam 7.300 empregos EMPURRÃO Apesar de ter ganhado força, esse é um movimento ainda desconhecido por muitos inclusive possíveis empresários que conseguiriam concretizar planos por meio das incubadoras. Essas instituições apóiam empreendedores com serviços e infra-estrutura, criando condições para o crescimento do negócio. "Nós somos headhunters em busca de pessoas com bons projetos", define Sérgio Risola, gestor do Cietec. O que mais poderia querer alguém com uma ótima idéia e poucos recursos ou conhecimento para colocá-la em prática? O engenheiro Nelson Standerski, por exemplo, inaugurou em 1995 a Paperless [www.paperless.com.br], empresa de serviços para otimização da produtividade de sistemas logísticos. Em 2001, associou-se ao Cietec em busca de uma aproximação com a universidade, para desenvolver pesquisas e ter assessoria de professores. "Não tenho dúvida de que esse contato estreito com o universo acadêmico dará mais qualidade ao meu produto final", afirma. No caso da Simulate www.simulate.com.br, empresa de tecnologia de simulação, as ferramentas para desenvolver o produto não foram o principal motivo para a associação com a incubadora: o software chegou ao Cietec praticamente pronto. Segundo Leonardo Chwif, um dos proprietários, o mais importante em seu caso foi a ajuda na "construção" da empresa, por meio de assessorias e cursos. Entrar na incubadora não é missão impossível. Como pré-requisito é preciso ter uma idéia inovadora com base tecnológica e provar que existe espaço para ela no mercado. A cada quatro meses há um processo seletivo (o próximo é em meados de janeiro) e, segundo Sérgio Risola, uma em cada dez inscrições é aceita. A média de candidatos por edital fica na casa dos cem, ainda considerada baixa. "Em um país cheio de criatividade e inovação como o Brasil, esse número deveria chegar a, pelo menos, 400", declara o gestor. MANUAL DE INSTRUÇÕES Quando ingressam na incubadora, as empresas são classificadas em uma das quatro categorias existentes. Podem ficar na Pré-incubação (período de busca de recursos e comprovação da viabilidade do projeto), Incubadora Tecnológica de Empresas Residentes (elas têm capital para o inicio das operações e ficam instaladas no centro). Incubadora Tecnológica de Software (também no prédio do Ipen, criam ou dão continuidade a negócios na área de programas) e Incubadora Tecnológica de Empresas Não-residentes (utilizam a assessoria do Cietec, mas já têm um espaço próprio). Existe um tempo máximo de permanência para cada categoria. Quando ele e cumprido e o projeto realizado com sucesso, a empresa á "graduada", ou seja, já pode sair do ninho e trabalhar sozinha. Claro que para a incubadora atingir sua meta de colocar empresas saudáveis no mercado é necessário mais do que boa estrutura e organização. Afinal, projetos não se concretizam sem dinheiro. Por isso os empreendedores pagam um condomínio mensal que chega até 500 reais, caso eles estejam instalados no local. Essa taxa dá direito a uma sala, serviço de 25 consultores. Internet e laboratórios da USP. A renda obtida chega a 30 mil reais. O Cietec recebe mais 55 mil reais mensais do Sebrae www.sebrae.com.br e 15 mil financeira dada diretamente a algumas empresas - já houve casos de o valor chegar a um milhão de reais - vem de agências de fomento como Fapesp, Fundos Setoriais do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) www.mct.gov.br e CNPq. A partir do momento em que começam a faturar, as incubadas pagam 2% de royalties de seus produtos para a incubadora. Essa contribuição tem prazo de validade: equivale ao tempo total em que a empresa utilizou os serviços do Cietec. O controle financeiro de todas as contribuições e despesas é rígido. A cada quatro meses, analistas fazem um relatório detalhado sobre o posicionamento da empresa, seu desenvolvimento e gestão administrativa. "Tudo precisa ser muito bem controlado", afirma Risola. "É impossível garantir o sucesso da incubadora e incubadas trabalhando na informalidade." MODALIDADE HISTÓRICO Residente - A arquiteta Célia Jaber de Oliveira desenvolve uma máquina de passar roupa. A idéia surgiu quando ela trabalhava como aeromoça, pois desamassava suas peças com o vapor do chuveiro. O equipamento de dois metros de altura economiza 60% de energia em relação ao ferro convencional. Residente - Os pesquisadores sócios da empresa se conheceram na sala de aula e tiveram a idéia de desenvolver seu produto. Trata-se de uma pastilha feita com material cerâmico que contém substâncias químicas. Ela será usada para tratar água condensada nos sistemas de ar condicionado, eliminando fungos e bactérias. Graduada - Ao utilizar o sistema homebroker, do Bovespa, Arnaldo Majer sentiu falta do acesso a informações para analisar o mercado e comprar ações. Desenvolveu um software com a ajuda dos filhos e hoje tem 300 assinantes que utilizam seu site para investir na bolsa. Em um ano, esse número deve saltar para 500. Graduada - O prego líquido produzido por Wand Shu Chen já pode ser encontrado em lojas e deve inovar o mercado da construção. Seu produto sem solventes ou substâncias tóxicas fixa materiais dos mais diversos tipos, sem a necessidade de parafusar, furar ou pregar. O prego líquido é 60% mais barato do que seus similares importados.