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Nascer e crescer em uma cidade grande aumenta risco de ansiedade, aponta pesquisa

Publicado em 08 julho 2011


Nascer e crescer em uma cidade grande está geralmente associado a um maior risco de desenvolver problemas como ansiedade e distúrbios de comportamento. Porém, até pouco tempo atrás não se conhecia os mecanismos biológicos por trás dessas associações.

Mas um estudo conduzido por pesquisadores da Alemanha e do Canadá mostrou pela primeira vez que duas regiões no cérebro, que atuam na regulação tanto da emoção como do estresse, são particularmente afetadas pela vida urbana.

A pesquisa foi o destaque da última edição da revista científica Nature e pode ser lido por assinantes da revista no site www.nature.com. De acordo com o pesquisador da Universidade McGill, no Canadá, Jens Pruessner, os resultados poderão ajudar no desenvolvimento de estratégias para melhorar a qualidade de vida nessas áreas.

"Estudos anteriores mostraram que o risco de desenvolver ansiedade é 21% maior para pessoas que vivem em grandes cidades, as quais também têm 39% mais chances de desenvolver distúrbios de comportamento. Além disso, a incidência de esquizofrenia é quase duas vezes maior em quem vive em cidades. Esses números são preocupantes e determinar a biologia por trás dessas manifestações é o primeiro passo para remediar essa tendência", apontou Pruessner.

Os pesquisadores avaliaram as atividades cerebrais de voluntários saudáveis de áreas urbanas e rurais na Alemanha. Por meio da análise de imagens obtidas por ressonância magnética funcional, o grupo observou que viver nas cidades estava associado com maiores respostas ao estresse na amígdala, parte do cérebro envolvida no controle da emoção e do humor.

Por outro lado, ter crescido em área urbana se mostrou associado com atividade maior no córtex cingulado, região envolvida na regulação do estresse. "Os resultados sugerem que diferentes regiões no cérebro são sensíveis à experiência de viver na cidade durante períodos distintos da vida de um indivíduo. Novas pesquisas poderão esclarecer a relação entre esses efeitos e psicopatologias", disse Pruessner.

Fonte: Portal EcoD /Com informações da Agência FAPESP
Foto: Fernando Stankuns