O projeto tem como objetivo avançar no campo dos xenotransplantes, o uso de órgãos e tecidos de outros animais para o transplante em seres humanos
Primeiro suíno clonado da América Latina nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo.
Clone é resultado de parceria entre USP, Instituto de Zootecnia e Agência Paulista de Tecnologia.
Tecnologia visa avançar xenotransplantes, usando órgãos suínos em humanos.
Nos EUA, rim de porco com 69 edições genéticas foi transplantado a paciente de 62 anos, que faleceu 52 dias após a cirurgia.
Nasceu, no interior de São Paulo, o primeiro suíno clonado da América Latina, fruto de uma parceria entre a Universidade de São Paulo e o Instituto de Zootecnia, com apoio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios.
O nascimento ocorreu em Piracicaba, em uma unidade experimental controlada, e marca um avanço significativo para projetos brasileiros em biotecnologia, que permitem controlar o desenvolvimento de organismos geneticamente modificados a fim de responder a adaptações ambientais e de produção.
A clonagem exige um controle ambiental rigoroso e diversas técnicas laboratoriais precisas, como a sincronização hormonal dos suínos e a implantação dos embriões clonados nas fêmeas receptoras.
O método mais utilizado para a clonagem é chamado de “transferência nuclear”, quando o núcleo de uma célula adulta usada como base para o processo é inserido em um óvulo, estimulado a se desenvolver como um novo embrião.
O projeto tem como objetivo avançar no campo dos xenotransplantes , o uso de órgãos e tecidos de outros animais para o transplante em seres humanos.
Os primeiros transplantes de rim de porco em humanos são inovações recentes da ciência médica; nos Estados Unidos, um rim suíno já foi transplantado a um homem de 62 anos que sofria de diabetes. O órgão tinha 69 edições genéticas, e o transplante foi coordenado por uma equipe brasileira no Hospital Geral de Massachusetts.
No entanto, o paciente que recebeu o órgão faleceu após 52 dias da operação, devido a uma doença arterial. A causa da morte não foi relacionada ao órgão transplantado, e análises pós-cirúrgicas mostravam que o corpo se adaptou bem às proteínas e à creatinina — compostos naturalmente filtrados pelos rins —, que foram adequadamente reduzidos no organismo.
A clonagem animal consiste, em termos técnicos, na produção de um indivíduo geneticamente idêntico a outro a partir de células somáticas, ou seja, não reprodutivas.
Do ponto de vista fisiológico, os porcos são os animais com características anatômicas e funcionais mais similares às dos humanos. Outras pesquisas experimentais internacionais com transplantes já levaram, inclusive, à transferência de coração de porcos geneticamente modificados para pacientes humanos, embora ainda em caráter experimental.
Segundo o Sistema Nacional de Transplantes, milhares de pacientes aguardam na fila por um órgão compatível todos os meses, e uma parcela considerável não sobrevive à espera , devido à escassez crônica da doação de órgãos no sistema de saúde.
O primeiro clone suíno da América Latina, que representa uma esperança na tecnologia genética, exigiu a adequação das instalações do Instituto de Zootecnia e a implementação de protocolos rigorosos de biossegurança, bem-estar animal e controle sanitário. A equipe envolvida reuniu especialistas em zootecnia, medicina veterinária e biotecnologia.
Agora, o porquinho entra em uma fase de acompanhamento longitudinal, na qual os pesquisadores monitoram o desenvolvimento do animal até que ele atinja a maturidade sexual, observando dados de saúde, crescimento e estabilidade genética, além de, ao final, sua capacidade reprodutiva.
O objetivo é gerar informações que possam orientar futuras aplicações médicas e científicas da tecnologia genética, mas sobretudo atender às faltas do sistema de transplantes e aos gargalos da doação de órgãos no sistema de saúde pública.
Nasce em São Paulo o primeiro porco clonado da América Latina; tecnologia pode revolucionar transplantes de