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Folha da Região (Araçatuba, SP) online

Nasce "BELA", a bezerra clonada pela USP

Publicado em 23 dezembro 2003

Por Júlio Bernardes
Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da Universidade de São Paulo, anunciaram dia 19/12 o nascimento da bezerra "Bela", gerada a partir da clonagem de células de um animal adulto. A experiência, coordenada pelo professor da FMVZ, José Antonio Visintin, servirá para verificar se a idade celular dos animais clonados de indivíduos adultos é maior que aqueles originados de gestação normal ou da clonagem de células fetais. Bela, uma bezerra da raça nelore, nasceu na terça, com 45 quilos, peso considerado normal para a espécie. De acordo com o professor Visintin, testes genéticos com amostras de sangue comprovaram que os genes de Bela são idênticos aos do animal doador, a vaca "Nampa", de 10 anos de idade, pertencente à Fazenda Panorama, de Campinas (SP). "O estado de saúde da recém-nascida é normal", afirma o professor. Segundo Visintin, foram retiradas células da orelha de "Nampa", que foram cultivadas em laboratório, para a produção do clone. "As células do cultivo foram introduzidas em oócitos (óvulos) que tiveram seus núcleos retirados. Por meio de um estímulo elétrico, as células são fundidas com os oócitos, originando o embrião clonado", explicou o pesquisador. Ao todo, foram produzidos 680 embriões, dos quais 21 foram transferidos para 11 vacas. Apenas quatro delas iniciaram a gestação e duas chegaram só até o 120º dia. A gestação de bovinos dura cerca de 290 dias. "Dos fetos que restaram, só Bela sobreviveu ao parto, feito por cesariana", disse. Idade celular - A bezerra é o segundo bovino clonado no Brasil a partir das células de um animal adulto. No ano passado, a FMVZ anunciou o nascimento do bezerro Marcolino, gerado por clonagem, mas a partir de células diferenciadas extraídas de embriões de bovinos (fibroblastos). Visintin disse que, em 2004, os pesquisadores da FMVZ vão comparar o material genético de "Bela", "Marcolino" e "Nampa" para determinar se a idade celular de animais clonados a partir de células adultas é maior. "Quando as células do animal se dividem, o comprimento dos cromossomos vai diminuindo, podendo haver semelhança, nas medidas, nos cromossomos de indivíduos mais velhos e nos daqueles clonados de células adultas. Os resultados serão usados em estudos de reprogramação celular", observou. Visintin disse ainda que estão sendo realizados testes para a clonagem de suínos e, no futuro, a FMZV talvez tente clonar cães. As pesquisas com clonagem de bovinos da FMVZ contam com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da pró-reitoria de Pesquisa da USP.