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Jornal da USP online

Nas fronteiras do conhecimento

Publicado em 04 julho 2013

Criados para fomentar a pesquisa de ponta em áreas estratégicas do conhecimento – como biodiversidade, neurociência e células-tronco –, os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) priorizam a pesquisa voltada para aplicações nos setores industrial e governamental e a difusão do conhecimento científico para a sociedade. O primeiro edital do programa, lançado em 1999, selecionou 11 Cepids, que receberam, ao todo, R$ 260 milhões durante o período de 2000 a 2012. Desses 11, oito centros foram aprovados para esta segunda fase e poderão prosseguir suas pesquisas.

Os novos Cepids foram apresentados no dia 6 de junho, no Palácio dos Bandeirantes, em uma cerimônia que contou com a presença do governador Geraldo Alckmin, do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Rodrigo Garcia, do presidente da Fapesp, Celso Lafer, do diretor-científico da entidade, Carlos Henrique de Brito Cruz, e do reitor da USP, João Grandino Rodas, entre outras autoridades.

O presidente da Fapesp, Celso Lafer, lembrou que, na cerimônia de lançamento da primeira leva dos Cepids, o então governador Mário Covas qualificou os pesquisadores do projeto como “bandeirantes do conhecimento” e defendeu que o desenvolvimento da economia e da sociedade do Estado de São Paulo só seria possível com base no desenvolvimento tecnológico. “A pesquisa e a geração do conhecimento têm seu próprio ritmo e a Fapesp tem o objetivo de lidar com essas cadências. A consolidação dos Cepids é uma prova disso”, afirmou Lafer.

Ao apresentar cada um 17 novos centros, o diretor-científico da fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, ressaltou a importância da ênfase em pesquisas competitivas, conectadas com a aplicação no setor produtivo ou no governo, e que trabalhem para difundir a ciência para a sociedade. “Diferentemente do que acontece no resto do País, aqui, boa parte da pesquisa acontece por financiamento de empresas. Isso porque é uma região muito industrializada e há mão de obra qualificada, formada pelas próprias empresas”, explicou.
O governador Geraldo Alckmin lembrou que a vitalidade e a força do setor acadêmico paulista são fundamentais para o sucesso do projeto. Segundo ele, “se existe um orgulho justo, um deles são as nossas universidades – USP, Unesp e Unicamp – e a Fapesp, que é um paradigma para as instituições similares existentes em todo o País”.

Além do investimento de R$ 760 milhões feito pela Fapesp, os Cepids também receberão R$ 640 milhões de recursos provenientes de suas instituições-sede. Na condição de sede de 11 dos 17 centros, a USP será responsável por uma parte considerável desse investimento, paga, por exemplo, em salários de pesquisadores e técnicos que atuarão nos centros, na infraestrutura necessária e em despesas com divulgação e atividades de difusão.

Inspiração – O sucesso obtido pelos Cepids inspirou a criação de outros programas de pesquisa semelhantes, como os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), criados em 2008 pelo CNPq, e o Programa de Incentivo à Pesquisa da USP, criado em 2010, e que representa o terceiro maior programa de pesquisa interdisciplinar do País. Como explica o pró-reitor de Pesquisa da USP, Marco Antonio Zago, “os INCTs, os Cepids e o Programa de Incentivo à Pesquisa são três programas que diferem grandemente em sua abrangência, duração e volume de recursos empregados, mas têm várias características em comum. São programas de pesquisa – não simples projetos que se esgotam em si – que visam a reorganizar o trabalho de um grupo de pesquisadores e dar mais força e coerência, fazendo com que competências diferentes se associem para levar à produção de resultados que possam ser mais relevantes, ter mais impacto na ciência e na sociedade”.

Lançado em 2010, o Programa de Incentivo à Pesquisa representa iniciativa inédita dentro do panorama das universidades brasileiras, no qual foram aplicados cerca de R$ 219 milhões de recursos oriundos da própria USP. As duas primeiras chamadas (2010-2011 e 2011-2012) envolveram um total de recursos da ordem de R$ 146 milhões. Uma característica essencial exigida para a submissão das propostas era a participação de pesquisadores de pelo menos duas unidades diferentes da Universidade, procurando promover sua natureza interdisciplinar, garantindo aos selecionados a transformação do grupo de pesquisa em um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP).

Em 2011, foram criados os primeiros 43 NAPs. Em 2012, esse número foi ampliado para 118 núcleos, com mais um investimento de igual valor. No final de abril deste ano, a Pró-Reitoria divulgou o resultado do terceiro edital, no qual investirá mais R$ 73 milhões em projetos que melhorem a infraestrutura dos laboratórios e de outros espaços utilizados pelos pesquisadores da Universidade.