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UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

“Não é eficiente mobilizar a academia sem um plano e sem estrutura de gestão”

Publicado em 21 julho 2021

O atraso do Brasil em relação à integração de setores voltados para ciência e tecnologia, a falta de um referencial interno na área e desafios de planejamento e gestão foram tema do painel on-line “I novação e ecossistemas de empreendedorismo “, nesta quarta-feira, 21, durante a sediada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Especialista sênior em Propriedade Intelectual do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), Rita Pinheiro Machado apresentou o histórico de atuação do Inpi. Ela descreveu o cenário brasileiro de promoção científica e tecnológica, abordando legislação, planos e organizações, como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que está ampliando sua rede de atuações de grupos de pesquisa e, em breve, chegará à UFJF. Segundo Rita, “essa evolução de ciência, tecnologia e inovação foi incorporada muito recentemente na agenda nacional, a partir dos anos 2000, e para que avance, são indispensáveis investimentos públicos.”

O consultor de inovação e corporate venture e coordenador adjunto da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), Marcelo Nakagawa, trouxe observações a respeito da tecnologia e inovação brasileira a partir de um olhar comparativo com o histórico estrangeiro nessa área, mostrando também um certo atraso, combinado a uma falta de referencial interno.

“Desenvolver um Ecossistema nem sempre é fácil, porque nem todas as regiões têm todos os elementos que precisam ser integrados. Estes elementos englobam políticas públicas, capital financeiro, cultura, instituições de suporte, recursos humanos e mercados”, ressaltou. Nakagawa mostrou casos estrangeiros de sucesso, como o Vale do Silício (Estados Unidos); e regiões do Brasil que têm se inspirado nisso, com um mapeamento de startups que, muitas vezes, saem da polarização no Sudeste brasileiro. O consultor ainda abordou a migração de negócios para plataformas digitais.

Tríplice Hélice

A necessidade de juntar infraestrutura, pessoal, recursos e legislação, porém a partir de uma avaliação sobre as complexidades econômicas que, muitas vezes, levam o Brasil a ficar atrás de países com menos recursos para a produção, compreendeu o terceiro ponto abordado na mesa, pelo presidente interino do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia, Gesil Amarante.

Para o professor, é importante que governo, empresas e universidades andem juntos, como mostra a “Tríplice Hélice”, desenvolvida por Etzkowitz e Leydesdorff. “Não há como viabilizar a participação da academia sem investimento do Estado. E não é eficiente mobilizar a academia e trazer investimento sem um plano e sem estrutura de gestão e aproveitamento dos resultados realmente montada.” Gesil salientou a importância de conhecer soluções legais para lidar com burocracias e a necessidade de modelos melhores para financiamentos que já existem e possuem capital.

A mesa foi conduzida pela gerente dos setores de Planejamento e Gestão, e Comunicação e Marketing, do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt) da UFJF, Débora Marques.