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Jornal de Jundiaí online

Não basta passar a máquina

Publicado em 05 outubro 2009

Por Teresa Orrú

De sua biodiversidade faz parte do cinturão verde do estado de São Paulo e representa uma das últimas grandes áreas de floresta contínua do estado. Mas toda essa diversidade não se define apenas nas grandes árvores e nos animais que vivem na reserva. Pequenas plantas e insetos que vivem pelas estradas de terra que cortam a serra também são muito importantes para o equilíbrio ecológico. "Uma espécie de borboleta, conhecida como Vitral são de mata e precisam de plantas de borda para se reproduzir", explica o professor de ecologia da Unicamp, João Vasconcellos Neto.

O professor é um dos pesquisadores que atuam na Serra do Japi há mais de 20 anos. "Sabemos da necessidade de se conservar as estradas, uma vez que há moradores no local, além do trânsito de veículos da Guarda Municipal, que faz a ronda na serra. Porém, para isso, é preciso um projeto específico para cuidar das estradas."

Neto ressalta que não basta apenas passar o trator e nivelar as estradas. "Muitas vezes o trator alarga a estrada sem necessidade. Isso sem falar quando se joga restos de construção na via sem se fazer uma triagem antes."

Ele aponta que quando se faz a manutenção corretamente as plantas de borda continuam. Nesses mais de 20 anos de estudos, Neto realizou amostragens das plantas de borda. "Percebi que onde se fez manutenção incorreta algumas espécies de plantas não se recomporam e algumas provavelmente sumiram, podendo estar extintas. Já onde foi feita corretamente, as plantas continuaram pela borda da estrada."

Plano de manejo

Segundo o especialista, o Plano de Manejo da Serra do Japi contempla projetos de manutenção da reserva. "Ele já foi entregue há um ano. Uma empresa fez um estudo e dentro dele está a conservação das estradas. A Prefeitura, inclusive, está com o projeto, só não o executa." Neto ressalta a importância do acompanhamento técnico durante a manutenção das estradas. "Falta pessoal capacitado e também educação ambiental, já que muita gente acha que basta passar a máquina para resolver o problema. Mas se a manutenção for feita corretamente não haverá a necessidade de manutenção tantas vezes."

O especialista também destaca a urgência em se terminar as reformas da Base Ecológica, financiada pela FAPESP e Fundação Vitae, através do Projeto de Educação Ambiental, desenvolvido em parceria com a Unicamp e a Prefeitura, a conclusão das obras. "Elas já estão bastante atrasadas, comprometendo o desenvolvimento dos programas, sendo um deles de Educação Ambiental, Manutenção e Conservação das estradas e Preservação", comenta.