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Nanotecnologia promete nova revolução na indústria

Publicado em 06 junho 2002

Por Fabiana Pio
Assim como a descoberta do silício revolucionou a indústria da informática, com a fabricação de semicondutores, a nanotecnologia promete mudar todos os setores da indústria, avalia Antonio da Silva, especialista em nanotecnologia da Universidade de São Paulo (USP). A nanotecnologia - capacidade de desenvolver novos materiais a partir da manipulação do átomo - permite obter novos materiais ainda não disponíveis na natureza, como, por exemplo, um material mais resistente e mais leve que o aço, para conseguir-se um transporte mais eficiente. Abre, ainda, caminho para a invenção de medicamentos que proporcionem maior interação no corpo humano, e para o desenvolvimento de um robô que circule no interior do corpo humano realizando cirurgias. Podendo permitir até mesmo a obtenção um substituto para o silício do computador. Essa nova linha de pesquisa tem como objeto de estudo as estruturas moleculares com dimensões nanométricas. Um nanômetro equivale a um bilionésimo do metro, ou seja, é dez mil vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo. "A nanotecnologia não é o estudo da miniaturização, mas a capacidade de desenvolver novos materiais a partir da manipulação do átomo", explica Silva. De acordo com o especialista, alguns materiais em escalas nanométricas já estão disponíveis no mercado, como por exemplo, o laser utilizado em semicondutores para leitura do disco rígido. "A nanotecnologia em seu estágio mais amplo poderá ocorrer apenas nas próximas décadas", diz o professor. INVESTIMENTOS Os investimentos em nanotecnologia no Brasil começaram em 2000, enquanto as pesquisas mais avançadas nessa área já ocorriam nos EUA e Europa. Segundo Silva, o País pretende investir de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões nos próximos cinco ou dez anos, enquanto os EUA, cerca de US$ 700 milhões, apenas no ano que vem. "O Brasil está começando os estudos nessa área, mas não está muito atrás. É importante que o governo tenha planos definidos na área de tecnologia", afirma. Pesquisas A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) está investindo R$ 700 mil no projeto temático de nanomateriais, que terá duração de quatro anos. Participam do programa os pesquisadores Alex Antonelli e Edison da Silva, da Universidade de Campina (Unicamp) e Adalberto Fázzio e Antonio da Silva, da USP. Entre os objetivos da pesquisa está o estudo dos nanotubos de carbono, vinte vezes mais resistentes que o aço, além das propriedades de interação dos óxidos de silício, para um possível substituto do silício. Além disso, começam a funcionar este ano, quatro centros de pesquisa selecionados pelo Programa Nacional de Nanociências e Nanotecnologia, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A CAMINHO DA NOVA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL Para que serve a nanotecnologia? - A Nanotecnologia permitirá criar coisas que não existem na natureza, como um material mais resistente e mais leve que o aço, um robô que realize cirurgias no interior do corpo humano ou um substituto do silício no semicondutor. - Isso pode demorar décadas. Mas certamente produzirá uma nova revolução industrial O QUE É? - Pesquisa e desenvolvimento tecnológico a um nível atômico e molecular em dimensões nanométricas, capaz de desenvolver sistemas e dispositivos com propriedades a funções novas, não existentes na natureza. - Nanômetro é uma medida que equivale a um bilionésimo do metro. É dez mil vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo