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Nanotecnologia ajuda na geração de renda no interior de SP com solução inovadora virucida

Publicado em 21 agosto 2020

Nanotecnologia ajuda na geração de renda no interior de SP com solução inovadora virucida para aplicação em tecidos no combate à pandemia

Muitas soluções em diversas áreas do conhecimento têm sido desenvolvidas em todo o mundo para promover a contenção da pandemia de Covid-19 e auxiliar para o final deste problema global que está marcando o ano de 2020 na história da humanidade.

O foco principal dos novos inventos é o desenvolvimento de produtos voltados para os tratamentos na área de saúde e prevenção. Há ótimos exemplos ao redor do mundo. No Brasil, essa necessidade acabou por unir centros de pesquisa, universidades, empresas de base tecnológica e outras que aparentemente não teriam muita relação com os problemas em questão.

Não teriam, mas acabaram envolvidas positivamente, uma vez que a pandemia afetou a economia e, consequentemente, a geração de renda para muitos setores e segmentos, entre eles o dos profissionais autônomos e microempresários.

E este foi o caso da empresa Stampelle, de São Carlos (SP), que trabalhava com manufatura de artigos em couro. Com a produção parada desde o início do isolamento social na cidade, no final da primeira quinzena do mês de março, a artista plástica Marta Milanetti resolveu unir dois sentimentos: adaptar a produção para algo que mantivesse ao menos parte da renda e também contribuísse para ajudar efetivamente no controle da pandemia.

“A primeira ideia e que acabou sendo implementada foi a fabricação e venda, a preço de custo praticamente, de máscaras de tecido duplo em tricoline e entretela, como preconizado pelo Ministério da Saúde”, conta a empresária Marta. Com ajuda até mesmo de familiares as máscaras começaram a ter saída e a demanda pelo equipamento de proteção só aumentou desde então, com a empresa atendendo pedidos locais e também de vários estados brasileiros.

Com o tempo a fabricação de máscaras com essas características acabou se ampliando em todas as cidades brasileiras. Foi quando a artista plástica paulista recebeu no final do mês de junho um telefonema inusitado de uma tia brasileira que reside na cidade de Vila-Real, na Comunidade Valenciana, na Espanha.

“Ela relatou que há mais de dez anos o marido, o pesquisador espanhol Juan Andrés Bort, da Universitat Jaume I, havia desenvolvido um trabalho para aplicação de micropartículas com ação antiviral e fungicida. E que de uma antiga parceria com o Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais, o CDMF [ligado à Fapesp), dirigido pelo pesquisador Elson Longo, da Universidade Federal de São Carlos [UFSCar], saía uma ótima notícia naquele momento: as micropartículas poderiam inviabilizar o vírus SarsCoV-2, responsável pela pandemia, quando aplicado em diferentes materiais, entre eles tecidos”, lembra Marta.

E como se não bastassem as sincronicidades, o tio espanhol é amigo do professor Longo, que foi o orientador do doutorado de Gustavo Simões, um dos sócios-proprietários da empresa de nanotecnologia Nanox Tecnologia S/A, também sediada em São Carlos, e que detém a patente da tecnologia que pode ser aplicada em diversos materiais, entre eles as máscaras de tecido. A partir dessa conversa, explica a empresária, só foi trocar os contatos para que a produção da Stampelle agregasse aos tecidos, em primeira mão no país, e por meio da Nanox, a solução virucida, fungicida e antibacteriana.

Mas e o que isso tem a ver com a geração de renda no interior da cidade paulista? “Bom, até então eu trabalhava apenas com um amigo empresário do ramo técnico e logístico de costura, além de terceirizados como serviços de entrega locais e os Correios. Conversamos e entendemos que precisaríamos agregar mais profissionais, pois a demanda iria ‘explodir’ com a novidade eficiente na prevenção da Covid-19. Foi então que começamos a contatar costureiras e outras artesãs. A equipe acabou triplicando e estas pessoas, que também foram afetadas economicamente pela pandemia, puderam, como eu, receber novo incremento de renda e trabalho pontual. E claro, até para a empresa de nanotecnologia, novos clientes surgiram, incluindo alguns gigantes do setor têxtil e que desdobraram a solução para outros produtos também”, detalha Marta.

Solange Bis, que trabalhava com artesanato e costura criativa, fala de como se integrou à equipe: “Veio o convite para a confecção das máscaras virucidas para a Stampelle e fui informada sobre o aditivo; fiquei cada vez mais interessada em fazer parte desse grupo de pessoas dedicadas na luta contra a Covid-19. Além do mais, tenho pessoas do grupo de risco dentro da minha casa. E como é impossível o isolamento social total, penso que é de extrema importância usar um produto eficaz, nos protegendo e ainda inviabilizando o vírus. Assim, diminui a propagação da doença. Este trabalho, além da ajuda financeira, me trouxe uma satisfação em poder contribuir de alguma forma no combate à pandemia. Juntos somos mais fortes!”, ressalta Solange.

A empresária Marta Milanetti acrescentou no mês de julho à produção de máscaras outros produtos com tecido virucida como jalecos para profissionais de saúde, além de dólmãs para funcionários de restaurantes e até mesmo jaquetas que podem ser usadas por qualquer pessoa assim como as máscaras. Ela informa que terá em breve produtos para a rede hoteleira. “Hoje, formamos uma família na empresa e faço questão de citar os nomes do Donizetti De Falco, Solange Bis, Margarete Aparecida Botelho Blanco, Lucineide De Falco e Michelle Maria David Curilla. Todos trabalham com muita garra e dedicação e temos recebido muitos feedbacks positivos dos produtos de São Carlos e de várias regiões do país”, se emociona Marta.

Os testes da Nanox feitos com o próprio vírus SarsCov-2 indicam que a aplicação da solução nanotecnológica nos tecidos garantem proteção por até dois anos ou, no mínimo, 50 lavagens. Ao ter contato com o tecido, os diferentes patógenos (vírus, bactérias e fungos) ficam inativados em até dois minutos. A máscara, se mantida seca e os cuidados de uso e manutenção forem observados, não precisa de lavagem diária ou ser trocada a cada três horas como as tradicionais.

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