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Aranda

Nanopartículas que podem ser dispersas em plástico eliminam Covid-19 por contato

Publicado em 10 março 2021

A empresa brasileira de nanotecnologia Nanox, sediada em São Carlos (SP), em parceria com pesquisadores do Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) e Universitat Jaume I (UJI), publicaram um artigo que descreve um material que inativa, em poucos minutos, diversos agentes patogênicos, com destaque para o coronavírus.

O artigo intitulado “ SiO 2 -Ag Composite as a Highly Virucidal Material: A Roadmap That Rapidly Eliminates SARS-CoV-2 ” (ou “Composto de SiO2-Ag como um material altamente virucida: um roteiro que elimina rapidamente a SARS-CoV-2”, em português), publicado no periódico internacional Nanomaterials, descreve o material nanoparticulado que inativa bactérias, fungos e vírus em poucos minutos por meio de contato e pode ser aplicado em filmes de PVC e PE para proteção de superfícies.

O co-fundador e diretor da Nanox, Gustavo Pagotto, relatou que a eficácia do material em inativar diversos patógenos já vinha sendo estudada. “A prata (Ag) é conhecida historicamente como um produto antimicrobiano e, com a chegada da pandemia, intensificamos os estudos por conta do SARS-CoV-2. A relevância da pesquisa está na ação da prata em inativar, em tão pouco tempo, não só o coronavírus, mas também outros tipos de vírus, bactérias e fungos”, afirmou.

De acordo com a companhia, o estudo resultou na produção da primeira máscara de proteção contra a Covid-19 com eficácia de 99% na eliminação de partículas do SARS-CoV-2, comprovada no laboratório de biossegurança de nível 3 (NB3) do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). A tecnologia, que elimina o SARS-CoV-2 em até dois minutos de contato, pode ser aplicada no segmento de plásticos – em filmes de poli(cloreto de vinila) (PVC), polietileno (PE) e outros polímeros – para proteção de superfícies, além do segmento moveleiro, de construção civil e outros.

“Temos hoje diversas superfícies protegidas e com mais segurança tanto em ambientes domésticos, quanto em espaços de uso comum e compartilhado que recebem grande volume de pessoas, tais como aeroportos, rodoviárias, hospitais e escolas. Isso mostra a relevância da pesquisa brasileira no combate à pandemia não só no Brasil, mas também em outros países”, completou o diretor.

As pesquisas envolveram aportes do Ministérios da Ciência e Tecnologia (da Espanha e do Brasil), da Generalitat Valenciana, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da FAPESP. Os produtos contendo as nanopartículas são fabricados no Brasil e comercializados para países da América Latina, Estados Unidos, Canadá, Japão e China.