Notícia

Agência C&T (MCTI)

Nanopartícula guarda futuro do tempo fixo

Publicado em 01 dezembro 2007

Entre as alternativas para facilitar o manejo da IATF, o passo mais à frente dos pesquisadores está em iniciar o trabalho com o uso de nano partículas como veículo de liberação dos hormônios nas vacas em trata mento. O pontapé para uso da tecnologia foi dado em julho com a aprovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) de um projeto que prevê a compra de um equipamento para a produção de nanopartículas, o primeiro na América do Sul. Com custo de R$ 200.000, as pesquisas começam assim que a máquina chegar. Aplicações práticas desses estudos apenas a partir de quatro anos.

"O principal objetivo desse projeto é a incorporação da progesterona em nanopartículas de biopolímeros, pelo método supercrítico", explica Ed Hoffmann, pesquisador da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. Esperam-se ao menos três avanços em relação aos dispositivos hoje usados. O uso de nanopartículas permite que a liberação do fármaco no animal seja mais segura, menos agressiva e com provável economia de princípio ativo, Os biopolímeros são biodegradáveis, o que reduz os resíduos deixados na natureza. E, com o método supercrítico, será possível trabalhar em temperaturas mais baixas e com al ta pressão. Até o momento a incorporação da progesterona em polímeros é feita em temperaturas em torno de 190°C. No futuro, o método supercrítico permitirá o uso de outros tipos de fármacos, não apenas os que suportam altas temperaturas.

A equipe de trabalho terá atividades divididas entre três universidades. A Estadual de Maringá, PR, será responsável pela produção das nano partículas; a de Campinas, SP, realizará a caracterização das partículas por microscopia eletrônica de varredura, entre outras técnicas; e a USP-Pirassununga, SP, promoverá os testes in vitro pela técnica de Cromatografia Líquida de Alto Desempenho (HPLC) e os in vivo por meio de rádio-imuno-ensaios (RIE), em princípio, trabalhando somente com a progesterona, um dos hormônios usados nos protocolos de IATF.


Efeito na prática - O projeto não envolve a produção dos medicamentos, mas o desenvolvimento do veículo de liberação nos animais. A idéia é entender qual é a taxa, a velo cidade e a forma de degradação de cada nanopartícula para então pro gramar a liberação dos fármacos usa dos nos protocolos. A principal conseqüência que se imagina é a facilidade do manejo e a economia na mão-de-obra, buscando reduzir cada vez mais o número de vezes em que as vacas passam pelo curral para tratamentos. O ideal é que seja uma única vez.

Como a liberação do hormônio será mais homogênea, é provável também que haja significativa economia de princípio ativo, o que resulta no menor custo do produto, completa Hoffmann. As nanopartículas de progesterona poderão ainda ser usa das para induzir a ciclicidade em novilhas pré-púberes e vacas em período pós-parto, além da manutenção de gestação em vacas e éguas.

Atualmente, a nanotecnologia é muito usada na medicina humana e está ligada à manipulação da matéria em escala tão pequena quanto a de um bilionésimo do metro. Seu objetivo, seguindo a proposta inicial do físico Richard Feynman, é criar novos materiais, produtos e processos com base na tecnologia de ver e manipular átomos e moléculas, sem violar as leis da natureza.