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Correio Popular

NanoAventura

Publicado em 12 junho 2005

Por Kátia Nunes (katian@rac.com.br)
Parece um circo, mas é uma estação de tecnologia projetada para divertir e ensinar. Assim, o Laboratório de Luz Síncrotron e a Unicamp exibem o fascinante mundo da nanociência
 
Os passeios na Lagoa do Taquaral agora têm ainda mais graça. Graça só não, têm ciência, mesclada com aventura, jogos e tecnologia. A diversão se chama NanoAventura. Por fora, o espaço parece um circo. Por dentro, um laboratório ultramoderno, onde conceitos de ciência são apresentados de forma lúdica e educativa. Vídeos, atores, música, iluminação com efeitos especiais, animações em 3D, performances e jogos eletrônicos simulam técnicas atuais de laboratórios científicos.
O objetivo da NanoAventura é apresentar a nanociência e a nanotecnologia de uma maneira divertida para públicos de todas as idades, mas especialmente para estudantes do ensino fundamental e médio, de escolas públicas e particulares.
Os alunos aprendem brincando. Em sessões que comportam até 48 pessoas e duram em torno de uma hora, os participantes são divididos, por cores, em grupos (vestem coletes verde, azul, amarelo e vermelho) e são recebidos por um ator que representa um cientista e os convida a fazer uma experiência em seu laboratório.
Depois de um vídeo introdutório, os visitantes se dividem em quatro jogos eletrônicos: Laboratório Virtual, NanoCircuito, NanoMedicamentos e Preparação de Amostra, sempre observados e instruídos por monitores. A aventura termina com um vídeo em 3D, que dá a conclusão para o que foi aprendido.
Dentro do projeto educacional que desperta a curiosidade para o mundo da ciência, os professores das turmas visitantes têm oficinas e recebem material de apoio para dar continuidade ao assunto em sala de aula.
"Descobri várias coisas que nem imaginava. Conheci um pouco sobre os equipamentos que os cientistas inventaram para lidar com detalhes minúsculos. É muito legal", diz Luana Stephani Lucas Ribeiro, de 14 anos, aluna da 8ª série da Escola Estadual Gustavo Marcondes, localizada no Taquaral.
Seu colega Michel Alan Cury, também de 14 anos, gosta de ciências e achou a "aula" na NanoAventura muito divertida. "O nanometro é um bilhão de vezes menor que a gente. Eu já tinha visto algo sobre isso na TV, mas agora aprendi com mais profundidade", conta.
Para Bárbara Fernanda Oliveira Lopes, de 13 anos, o incentivo do ator que dirige as atividades entre os estudantes deixa o jogo mais eletrizante. "Ele fica nos estimulando ao microfone, dizendo que o grupo azul teve desempenho melhor que o verde em tal jogo, e assim por diante. É uma provocação para que joguemos com mais rapidez e capricho", diz a estudante.
A visita à NanoAventura custa R$ 5. Escolas públicas não pagam.

Museu de Ciências
A NanoAventura foi desenvolvida por professores e pesquisadores da Universi-dade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em parceria com a Prefeitura de Campinas e Ins-tituto Sangari, com apoio da Fundação Vitae e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
De acordo com o coordenador da NanoAventura, Marcelo Knobel, professor de Física da Unicamp, a NanoAventura é o primeiro projeto do Museu Exploratório de Ciências de Campinas. "Queremos montar um museu de ciências na Lagoa do Taquaral, que seja interativo e inovador. Com esse primeiro projeto, estamos mostrando a patrocinadores potenciais como seria o museu. Um espaço maior e com muito mais exposições e brincadeiras", adianta.
A tenda da NanoAventura tem 240 metros quadrados e nove metros de altura. Foi projetada para ser itinerante e, segundo Knobel, deve permanecer ao lado do Planetário, na Lagoa do Taquaral, até agosto. "Para percorrer outras cidades são necessários recursos, que podem vir de prefeituras, escolas, shopping centers ou empresas que convidarem a NanoAventura para se instalar no local por cerca de três meses. Nessas situações, vamos recrutar e treinar monitores e auxiliares, a partir do contato da instituição interessada."
Bilionésima parte do metro

Laboratório Virtual
O jogo simula a exploração, por meio de um trem fictício, ao Pólo de Alta Tecnologia de Campinas, de Laboratórios de Nanociência, incluindo o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e a Unicamp. Muito parecido com jogos em rede de lan houses, os jogadores interagem com cientistas nas instalações durante o passeio .

Preparação de amostra
Nesse jogo, com um poderoso microscópio virtual, o participante limpa a superfície nanoscópica, manipulando átomo por átomo, como fazem os cientistas em pesquisas para obtenção de materiais mais puros e resistentes. Para realizar a tarefa, o jogador opera um microscópio de força atômica, que permite visualizar e retirar as impurezas da amostra.

NanoCircuito
Com microscópios de alta tecnologia, os "cientistas" conseguem manipular partículas nanoscópicas e construir novos materiais usados na fabricação de roupas que não molham, chips para computadores, carros e até aviões.

NanoMedicamentos
Muitos nanocientistas são especialistas em estudar seres vivos. São biólogos ou médicos que usam a tecnologia para produzir novos medicamentos ou para conseguir injetar substâncias diretamente em cada célula. Neste circuito, o jogador cura uma célula microscópica.

O que é Nanociência?
A nanociência estuda os átomos, as moléculas e as partículas de estruturas de dimensões nanoscópicas. O prefixo "nano" vem da palavra grega nannos e do latim nanus, que significam "muito pequeno" ou "anão". No campo científico, a bilionésima parte do metro é o nanometro. "Se dividirmos o milímetro em mil partes iguais, temos o micrometro. Por sua vez, se dividirmos o micrometro por mil partes iguais, chegamos ao nanometro (nm). Objetos microscópicos, não vistos a olho nu, são medidos por essa escala", explica o professor Marcelo Knobel.
Já a nanotecnologia é a engenharia de materiais a partir de átomos e moléculas. As técnicas desenvolvidas pela nanociência para a manipulação e reorganização de nanopartículas são utilizadas na nanotecnologia para promover novas combinações e, com isso, gerar novos produtos e dispositivos.
O governo federal elegeu a nanotecnologia como uma das áreas prioritárias para o desenvolvimento tecnológico. A partir deste ano, começa a investir R$ 46,7 milhões no setor. Já estão em funcionamento diversas redes nacionais de pesquisa, duas delas centralizadas em Campinas — na Unicamp e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Só na Unicamp existem cerca de 20 grupos de trabalho envolvidos com nanotecnologia e nanociência.

Agende-se
Visitação escolar de terça a sexta-feira, em quatro opções de horário: 9h30, 11h, 14h e 15h30.
Para o público em geral, a NanoAventura funciona aos domingos e feriados, com sessões às 9h30, 11h, 15h e 16h30.
Ingressos: R$ 5. Para as escolas da rede pública, a visita é gratuita. Professores podem acompanhar.
Local: Parque Portugal, entrada pelo portão 5 ou 7, ao lado do Planetário.
Informações e agendamentos pelo site www.nanoaventura.org.br ou pelo telefone 3788-5179, com Marisa ou Marilisa.