Notícia

Agência C&T (MCTI)

Na Unicamp, PS3 está a serviço da ciência

Publicado em 29 outubro 2007

Para quem pensa que um PlayStation 3 ou PS3 é somente utilizado para jogos de última geração está enganado. O sonho de consumo de muitas crianças, adolescentes e até de adultos está sendo utilizado em Campinas no lugar de computadores para pesquisas que envolvem bilhões de cálculos por segundo.

A pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Monica Pickholz trocou os convencionais computadores pelos videogames e trabalha com 12 PlayStations, sendo três ligados em rede, para realizar os cálculos de átomos, necessários para desenvolver simulações que ajudam no estudo da interação de anestésicos locais utilizados em odontologia com membranas celulares. O objetivo é desenvolver drogas mais potentes e sem efeitos colaterais.

Os joysticks estão todos guardados em uma caixa e não serão utilizados para nada, pelo menos não enquanto durar a pesquisa. Eles só foram comprados porque são vendidos junto com os videogames. Um deles veio até com jogo, que também está guardado na caixa.

Processador potente

"O processador do PlayStation é muito potente. Fazemos cálculos que não podem ter um minuto de folga se quer. É mais barato que os computadores e com poder de cálculo maior", disse a pesquisadora. Nos videogames, que funcionam 24 horas por dia sem nenhuma folga na semana, foram instalados o sistema operacional Linux, formando um "cluster" de processamento. O sistema Windows não é compatível com o PlayStation, por isso Monica não pôde optar, mas ela afirmou estar satisfeita com o sistema.

Para quem está ligado no mundo dos jogos, o PlayStation ser uma supermáquina não é surpresa. As especificações do PS3 mostram que ele tem drive para ler Blu-ray (formato de disco óptico para vídeo de alta definição), Bluetooth, conexão Wi-Fi e leitor de cartão de memória flash. Os videogames de Monica foram comprados com 60 GB, mas tem no mercado até de 80 GB.

Ao todo há 72 processadores em rede

O PlayStation 3 foi criado em parceria com a IBM, a Sony e a Toshiba. Cada empresa desenvolveu um item: fabricação da máquina, jogos e vídeo, respectivamente.

"Foi uma surpresa o poder que tem um PlayStation. A única vez que travou foi quando acabou a energia e o gerador não funcionou, mas aí foi o servidor que não agüentou", afirma a pesquisadora. Os PS3 entraram em ação em uma sala da Unicamp, que fica trancada à sete chaves, em junho deste ano. A pesquisadora acompanha tudo de uma outra sala, em um prédio anexo, de um computador convencional, mas com um monitor de tela plana de 19 polegadas.

O projeto na Unicamp é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). Cada máquina foi comprada por cerca de R$ 2,5 mil. Dentro de cada PS3 existem seis centros de processamento, Monica trabalha, dessa forma, com 72 processadores.

O único problema para quem se animou em comprar essa última geração de videogame para utilizar com outros fins é que a memória RAM dele é de 512MB. Para Monica isso não é um problema, já que as aplicações utilizadas por ela não necessitam de tanta velocidade para a leitura ou escrita, mas para quem quer fazer de um PlayStation um "supercomputador" é bom ficar atento para não reclamar depois que a máquina está "lenta". (MFR/AAN)