Notícia

Anba - Agência de Notícias Brasil-Árabe

Na última matéria da série sobre biodiesel, a ANBA mostra o

Publicado em 02 novembro 2005

Por Cláudia Abreu

Na última matéria da série sobre biodiesel, a ANBA mostra o avanço das pesquisas para o uso do combustível limpo em motores de aviões, automóveis e máquinas agrícolas. Nos Estados Unidos, foi dado, recentemente, um passo importante para substituir o Jet A, combustível usado no abastecimento de aeronaves, por uma mistura que utiliza 40% de óleo de soja e 60% do derivado do petróleo.

As pesquisas para o uso do biodiesel caminham a passos largos no mundo inteiro. Um estudo publicado recentemente pela revista americana New Scientist mostra que pesquisadores dos Estados Unidos conseguiram desenvolver uma mistura que pode ser usada na aviação comercial. O biodiesel era descartado no setor porque congelava quando atingia a temperatura de 0°C, mas, segundo o artigo, os estudiosos conseguiram uma mistura menos suscetível ao frio.

A pesquisa foi feita na Universidade de Purdue, no estado da Indiana, EUA, e coordenada pelo pesquisador Bernard Tao. O biodiesel usado no estudo foi produzido a partir da soja com o objetivo de se tornar uma alternativa mais ecológica ao combustível derivado do petróleo, conhecido como Jet A e muito utilizado pela aviação comercial.

Como todos os combustíveis minerais, o Jet A, um tipo de querosene, libera dióxido de carbono na atmosfera, gás apontado como o maior responsável pelo efeito Estufa. A queima do óleo de soja também libera o dióxido de carbono. Porém, por ter origem vegetal, não representa um aumento dos níveis atuais na atmosfera.
O problema para a obtenção de um biodiesel para a aviação era a exigência de que o combustível permanecesse em estado líquido a baixas temperaturas.

Estudos feitos no passado tinham falhado porque os óleos vegetais geralmente congelavam a temperatura de 0°C. A equipe de Tao, no entanto, conseguiu desenvolver uma mistura  B40 — que contém 40% de biodiesel e 60% de Jet A — e congela a apenas 40°C negativos.
A técnica dos americanos consiste em submeter o combustível vegetal a baixas temperaturas e subtrair dele os sólidos cristalinos que se formam no decorrer do processo e eram responsáveis pelo congelamento a 0°C. O líquido resultante será um combustível com ponto de congelamento mais baixo. As companhias aéreas ainda não testaram o produto.

Montadoras
Os estudos da indústria automobilística mundial estão mais avançados e os testes de campo deram bons resultados. Tão bons que no início do mês passado, o presidente francês Jacques Chirac, um incentivador do consumo de biodiesel, adotou como seu veículo oficial o recém-lançado Citröen C6, movido a biodiesel.
A aquisição movimentou a garagem do palácio do governo, o Elysée, onde ficam as bombas que abastecem os veículos do governo. As máquinas serão convertidas para o abastecimento de diesel vegetal. A intenção de Chirac é que metade da frota presidencial rode com o combustível limpo até o final deste ano.

No Brasil, a Peugeot Citroën também colocou nas ruas dois modelos movidos a biodiesel: o Peugeot 206 e o Xsara Picasso. Os experimentos começaram no ano passado, no Rio de Janeiro. Os técnicos da montadora conseguiram bom desempenho usando até o B30 — 30% de biodiesel misturado ao combustível mineral.
Outra montadora bem adiantada no assunto, no país, é a Volkswagen. A empresa está testando a tecnologia do biodiesel em veículos pesados — caminhões e ônibus. Caminhões da frota da Coca-Cola, em Ribeirão Preto, e ônibus da Viação Real, no Rio de Janeiro, estão rodando com B5 — 5% de biodiesel misturado ao diesel comum — e sendo monitorados pela empresa. Os resultados serão conhecidos até o final deste ano.

A General Motors (GM) também está testando o biodiesel nos veículos. No início deste ano, quando os postos de gasolina da rede mineira Ale começaram a comercializar o combustível em Belo Horizonte, a montadora cedeu uma picape S10 para o teste com o B2 — 2% de biodiesel misturado ao diesel comum. "O desempenho do veículo foi o mesmo, não sofreu perdas", afirma Cláudio Zattar, diretor da rede Ale.

Segundo informações da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os automóveis não precisam ser modificados para serem abastecidos com o B2. E, por isso, não perdem a garantia de fábrica. Todas as fabricantes de veículos estão de acordo. A posição da associação, no entanto, se restringe ao volume de 2%. "Outra porcentagem de adição ainda precisa ser testada e aprovada pelas montadoras", informou, por e-mail, a assessoria de imprensa da Anfavea.

Máquinas agrícolas
O setor agrícola também se movimenta. A fabricante de tratores Valtra do Brasil, integrante do grupo AGCO Corporation, está testando o biodiesel nos seus veículos. Segundo dados da empresa, foram feitos experimentos com o modelo BM100, 4 x 2, de 100 cavalos. Os resultados foram positivos. Não houve perda de desempenho mesmo com a mistura B50 — 50% de mistura biodiesel com o diesel mineral. O motor do trator é o mesmo movido a diesel comum, não precisou ser adaptado.
A indústria é pioneira nos testes de máquinas agrícolas com biodiesel. O trabalho com o combustível limpo começou há três anos e é feito em parceria com a Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Laboratório de Tecnologias Limpas (Ladetel). A Valtra tem tradição em combustíveis alternativos. Foi a primeira empresa a lançar um trator movido a álcool no Brasil, em 1983.
Legislação

No Brasil, a mistura B2 será obrigatória a partir de 2008. A decisão do governo foi tomada no início deste ano. A intenção é aumentar a adição gradativamente e chegar a 5% - B5 - em 2013. No ano que vem, no entanto, o governo federal se comprometeu a distribuir, via B2, toda a produção das empresas que produzem biodiesel comprando a matéria-prima da agricultura familiar. A medida, de certa forma, antecipa para janeiro de 2006 a adição de 2% de combustível limpo ao mineral.