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Correio Popular online

Na pele de um cientista

Publicado em 31 julho 2005

Por Kátia Nunes

Que tal aproveitar o finalzinho das férias ou começo das aulas para visitar a NanoAventura? Você não vai se arrepender

As aulas começam segunda-feira e as férias vão ficar na saudade. Uma boa dica para você aprender brincando é visitar com sua classe a NanoAventura, um espaço que tem aventura, ciências, jogos, tecnologia e muita diversão, instalada há alguns meses na Lagoa do Taquaral, ao lado do Planetário.

O parque recebe grupos de estudantes de terça a sexta-feira e famílias e pessoas a passeio aos domingos e feriados. O ingresso custa R$ 10, estudantes de escolas municipais pagam R$ 1 e de estaduais, R$ 2, e os professores podem acompanhar. A NanoAventura pode ser visitada por pessoas de todas as idades, mas especialmente para estudantes do ensino fundamental e médio, de escolas públicas e particulares.

Do lado de fora, a NanoAventura se parece um circo e por dentro um laboratório moderno, onde a ciência é apresentada de forma atraente, lúdica e educativa, por meio de vídeos, atores, músicas, iluminação com efeitos especiais, animações em 3D, performances, fumaça e jogos eletrônicos que simulam técnicas atuais de laboratórios científicos.

O tema do parque é a nanociência e a nanotecnologia. A Nanociência estuda os átomos, moléculas e partículas de estruturas com tamanhos nanoscópicos. Já a Nanotecnologia é a engenharia de materiais a partir de átomos e moléculas. As técnicas desenvolvidas pela Nanociência para a manipulação e reorganização de nanopartículas são utilizadas na Nanotecnologia para promover novas combinações e, com isso, gerar novos produtos.

Fique de olho
* O prefixo nano vem da palavra grega nannos e do latim nanus, que significam muito pequeno ou anão. No campo científico, a bilionésima parte do metro é o nanometro. "Se dividirmos o milímetros por mil partes iguais, temos o micrometro. Por sua vez, se dividirmos o micrometro por mil partes iguais, chegamos ao nanometro (nm). Objetos microscópicos, não vistos a olho nu, são medidos por essa escala", explica o professor da Unicamp Marcelo Knobel.

* O Governo Federal elegeu a Nanotecnologia como uma das áreas mais importantes para o desenvolvimento tecnológico. A partir deste ano começa a investir R$ 46,7 milhões no setor. Já estão funcionando diversas redes nacionais de pesquisa, duas delas em Campinas, uma na Unicamp e outra no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Hoje, só na Unicamp, existem cerca de 20 grupos de trabalho envolvidos com Nanotecnologia e Nanociência.

Crianças aprendem brincando
Os estudantes aprendem ciências brincando. Por meio de sessões com até 48 pessoas que duram em torno de uma hora, os participantes são divididos em grupos por cores (vestem coletes verde, azul, amarelo e vermelho) e são recebidos por um ator que encena um cientista e os convida a fazer uma experiência em seu laboratório.

Depois de um vídeo, os visitantes se dividem em quatro jogos eletrônicos: Laboratório Virtual, NanoCircuito, NanoMedicamentos e Preparação de amostra, sempre instruídos por monitores. A aventura termina com um vídeo em 3D que dá a conclusão para o que foi aprendido.

O legal é que os professores das turmas visitantes têm oficinas e recebem material para continuar o assunto em classe, ajudando a matar a curiosidade dos estudantes sobre o mundo das ciências.

Os irmãos Lucas e Victor de Melo Freire Rosilho, de 12 e 8 anos, aproveitaram as férias e visitaram a NanoAventura quatro vezes. "Aqui é muito legal, moderno e tem bastante atividades que fazem a gente aprender. É muito interessante saber, por exemplo, que os átomos de carbono, que formam um grafite de lápis, quando arranjados em outra posição, se transformam em diamante", comenta. De todos os circuitos de jogos, o que Victor mais gosta é o Preparação de Amostra, no qual um cientista limpa uma superfície nanoscópica. "É que dá para se sentir um cientista trabalhando", justifica o caçula.

Pelo fato de possibilitar a sensação de ser um cientista, a estudante Tainá Brederode Sihlerrossi, de 8 anos, já não tem tanta certeza assim se quer ser veterinária ou cientista. "É muito legal pegar as amostras e trabalhá-las em laboratório", conta.

Outro que visitou a NanoAventura quatro vezes é Rodrigo de Figueiredo Ramponi, de 7 anos. "Aqui parece videogame e eu adoro, mas venho aqui porque os jogos são muito diferentes dos que tenho em casa. Gosto mais de jogar o circuito dos NanoMedicamentos porque tem que injetar remédio para curar as células e a gente tem que apertar os botões bem rápido", explica.


Circuitos da Nanoaventura

Laboratório Virtual
O jogo simula a exploração, através de um trem fictício no Pólo de Alta Tecnologia de Campinas, de Laboratórios de Nanociência, incluindo o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e a Unicamp. Muito parecido com jogos em rede de lan houses, os jogadores se encontram durante o passeio pelas instalações e ainda interagem com cientistas.

NanoCircuito
Com microscópios de alta tecnologia, os "cientistas" conseguem manipular partículas nanoscópicas e construir novos materiais usados para fabricar roupas que não molham, chips para computadores, carros e até aviões.

NanoMedicamentos
Muitos nanocientistas são especialistas em estudar seres vivos. São biólogos ou médicos que usam a tecnologia para produzir novos medicamentos ou para conseguir injetar os remédios diretamente em cada célula. Neste circuito, o jogador cura uma célula microscópica.

Preparação de amostra
Com um poderoso microscópio virtual, nesse jogo o participante limpa a superfície nanoscópica, manipulando átomo por átomo, como fazem os cientistas em pesquisas para obter materiais mais puros e resistentes. Para realizar a tarefa, o jogador opera um microscópio de força atômica, que permite visualizar e retirar as impurezas da amostra.

Campinas poderá ter museu de ciências
A NanoAventura foi desenvolvida por professores e pesquisadores da Unicamp e do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em parceria com a Prefeitura de Campinas e o Instituto Sangari, e apoio da Fundação Vitae e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com o coordenador da NanoAventura, Marcelo Knobel, professor de Física da Unicamp, a NanoAventura é o primeiro projeto do Museu Exploratório de Ciências de Campinas. "Queremos montar um Museu de Ciências em Campinas, na Lagoa do Taquaral mesmo, que seja interativo e inovador como é a NanoAventura. Com esse primeiro projeto queremos mostrar a potenciais patrocinadores como o museu seria. Um espaço muito maior e com muito mais exposições e brincadeiras", adianta.

A tenda do NanoAventura tem 240 metros quadrados e nove metros de altura. Ela é fácil de montar e desmontar, como se realmente fosse um circo, pois, segundo o professor, o objetivo é passar cerca de três meses em cada local. Até agosto, ela deve permanecer ao lado do Planetário.

Serviço
NanoAventura
* Visitação escolar de terça a sexta-feira, em quatro opções de horário: 8h30, 10h, 13h30 e 15h e 16h30.
* Para o público em geral, a NanoAventura funciona aos domingos e feriados, com sessões às 10h, 11h30, 14h30, 16h e 17h30.
* Ingressos: R$ 10. Escolas estaduais, R$ 2 (por criança) e escolas municipais, R$ 1 (por criança). Professores podem acompanhar.
* Local: Lagoa do Taquaral, entrada pelo portão 5 ou 7, ao lado do Planetário.
* Informações e agendamentos pelo site www.nanoaventura.org.br ou pelo telefone (19) 3788-5179, com Marisa ou Marilisa.