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Jornal da Unicamp online

Na liderança da produção per capita

Publicado em 15 abril 2013

O aumento no volume de recursos e a implantação de medidas para agilizar a burocracia interna geraram impactos positivos na produção científica da Unicamp durante o último quadriênio. O total de publicações em periódicos subiu de 3.895 em 2008 para 4.473 em 2011, enquanto aquelas indexadas na base Web of Knowledge/Thomson Reuters subiram de 2.752 para 2.981 mesmo no período. O pró-reitor de Pesquisa, Ronaldo Aloise Pilli, atribui esses resultados às ações implantadas a partir de 2009, que permitiram não apenas ampliar a captação de recursos, mas também expandir a distribuição das verbas e acelerar a análise dos projetos.

De 2009 a 2011, os recursos para pesquisa captados de fontes externas apresentaram um crescimento de 40%, passando de R$ 248 milhões para R$ 345 milhões. Da mesma forma, os recursos orçamentários destinados ao Fundo de Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão (Faepex), principal fonte interna para financiamento à pesquisa, saltaram de R$ 2,8 milhões em 2009 para R$ 3,4 milhões em 2011, representando um incremento de 36% no período, enquanto as taxas de convênios, que também integram as verbas do Fundo, passaram de R$ 1 milhão em 2009 para R$ 1,6 milhão em 2011.

Além do aumento no volume de recursos, a tramitação dos projetos ganhou velocidade. “Hoje, o prazo médio de resposta a uma solicitação encaminhada ao Faepex é de 45 a 50 dias”, afirma o pró-reitor, destacando que nas agências externas esse tempo pode ultrapassar 90 dias. Para acelerar ainda mais a análise dos projetos, em 2011 a PRP iniciou o desenvolvimento de uma plataforma online para acompanhamento das solicitações submetidas ao Faepex, que entrou em operação em março de 2013.

“A plataforma não só vai acelerar significativamente o trâmite das solicitações, mas também qualificar a análise dos projetos e permitir que docentes e pesquisadores acompanhem online o andamento dos processos”, destaca Pilli. Além disso, em 2012 a PRP ampliou os serviços prestados pela Unidade de Apoio ao Pesquisador (UAP) através da contratação de três funcionários dedicados à gestão de projetos, bem como de um engenheiro civil e uma arquiteta, que passaram a apoiar a implementação das propostas aprovadas nos Editais de Infraestrutura de Laboratórios. “Essas medidas estão contribuindo para desonerar os pesquisadores de atividades relacionadas à gestão de projetos e agilizando a utilização dos recursos disponibilizados através dos Editais de Infraestrutura de Laboratórios”, destaca Pilli.

Os indicadores disponíveis mostram que a Unicamp vem consolidando sua produção científica quando é e considerado o total de artigos publicados em periódicos bem como em publicações indexadas na base Web of Knowledge/Thomson Reuters. Além de aumentar o número de publicações indexadas entre 2009 e 2012, a Unicamp segue liderando a produção científica per capita no Brasil. Mesmo sem alterações significativas no quadro de docentes, constata-se um aumento do número de publicações por professor-doutor, que passou de 1,63 em 2008 para 1,75 em 2011. “Os dados de 2012 ainda são parciais, mas os indicadores disponíveis sugerem que tanto o número total de publicações como o de publicações por docente serão maiores do que em 2011”, observa Pilli.

A maior parte do financiamento às atividades de pesquisa na Unicamp vem de fontes externas, entre as quais agências de fomento nacionais e internacionais e empresas públicas e privadas. Segundo Pilli, o salto de 40% verificado entre 2009 e 2011 deve-se principalmente ao empenho de docentes e pesquisadores junto a estes agentes financiadores, bem como à qualidade e relevância dos projetos apresentados. Durante o período, os valores captados apresentaram crescimento constante, com aumento anual entre 10% e 20%. Excetuando-se os recursos dos fundos setoriais (Finep/CNPq/Pronex/PADCT), todos as outras fontes apresentaram crescimento no período, com destaque para a Fapesp (34%) e Capes (73%), Instituições internacionais (75%), empresas públicas (51%) e empresas privadas (38%).

Do ponto de vista interno, a principal fonte de financiamento é o Faepex. Constituído através de uma deliberação do Conselho Universitário em 2003, tem por finalidade prover recursos para o apoio de projetos e atividades de ensino, pesquisa e extensão. “O Fundo tem caráter complementar aos auxílios concedidos por agências de fomento à pesquisa e também visa financiar atividades não contempladas por essas fontes, mas que representem um diferencial positivo nas atividades de ensino, pesquisa e extensão”, observa Pilli.

O dinheiro do Faepex tem origem orçamentária, complementado por taxas de contratos e convênios celebrados pela Universidade. Os recursos orçamentários destinados ao Fundo tiveram aumento constante entre 2009 e 2012, com taxa de crescimento anual que oscilou entre 8% e 15%. Com isso, as três linhas contempladas pelo Faepex também receberam um aporte maior de verbas durante o período. Na linha Ensino o aumento foi de 40%, saindo de R$ 1 milhão em 2009 para R$ 1,4 milhão a partir de 2010, distribuídos em dois editais por ano. Na linha Pesquisa, o crescimento foi de 30%, passando de R$ 2,1 milhões para R$ 2,7 milhões. Já a linha Extensão, passou a contar, a partir de 2010, com três editais por ano no valor de R$ 200 mil cada.

Atenção especial foi dada ao equilíbrio do dispêndio entre as várias modalidades da linha Pesquisa. O apoio a projetos temáticos, que até 2009 se estendia a trabalhos sediados ou não na Unicamp e respondia por cerca de 40% dos recursos liberados nessa linha, a partir de 2010 passou a ser exclusivo para projetos sediados na Universidade. Com isso, os dispêndios para projetos temáticos passaram de R$ 836 mil em 2009 para R$ 456 mil já em 2010. Os recursos economizados passaram a ser investidos no Programa de Apoio ao Docente em Início de Carreira (PAPDIC), cujo auxilio inicial passou de R$ 8 mil em 2009 para R$ 15 mil em janeiro de 2013.

Além do auxílio, o docente que tiver a concessão inicial do auxilio PAPDIC aprovada ainda conta com a concessão de bolsa de mestrado, no valor praticado pelo CNPq por até 24 meses, desde que esteja credenciado em programas de pós-graduação e tenha concessão de auxílio à pesquisa aprovada por agência de financiamento externa. O PAPIDIC, que em 2009 apoiou 35 solicitações no valor total de aproximadamente R$ 260 mil (12% dos recursos liberados na linha Pesquisa) passou a apoiar 79 docentes em 2011, implicando num investimento de aproximadamente R$ 770 mil, o que correspondeu a 20% dos dispêndios dessa linha naquele ano.

Também em 2011, o Conselho de Orientação aprovou a criação do Programa de Apoio ao Pesquisador em Início de Carreira (PAPPIC), com benefícios previstos de R$ 15 mil, nos mesmos moldes do PAPIDIC. Além disso, atendendo a uma antiga reivindicação, a PRP reajustou os valores do Auxilio-Ponte para estudantes em fase final da pós-graduação. Os vencimentos foram equiparados aos valores praticados pelo CNPq, com a bolsa de mestrado passando de R$ 750,00 para R$ R$ 1.350,00 e a de doutorado de R$ 1 mil para R$ 2 mil. Os novos valores passarão a ser praticados a partir de janeiro de 2013.

Uma das preocupações da PRP durante o quadriênio foi promover a qualidade dos projetos submetidos ao Faepex. Para isso, a partir de 2010, passou-se a trabalhar com editais para diversas modalidades. Entre os mais destacados estão os editais para infraestrutura de laboratórios de pesquisa. Lançada em 2011, a medida já promoveu dois editais, no valor total de R$ 12 milhões, beneficiando 316 grupos de pesquisa. Além desses, a PRP lançou editais específicos para a Faculdade de Tecnologia e Faculdade de Ciências Aplicadas, ambas sediadas em Limeira, no valor de R$ 400 mil, destinados a 13 grupos de pesquisa. Segundo Pilli, um novo edital de Infraestrutura de laboratórios de Pesquisa deverá ser lançado em 2013.

Outra novidade, implantada em 2012, foi o lançamento de edital para distribuição do espaço físico no Laboratório Integrado de Pesquisa (LIP), que está em construção, com termino previsto para 2014. Os docentes interessados deverão apresentar propostas inovadoras de natureza interdisciplinar para projetos a serem desenvolvidos no local, desde que contem com financiamento de outras fontes. Uma vez aprovado, o espaço será utilizado enquanto persistir o financiamento ao projeto de pesquisa.

Visando aumentar o apoio técnico especializado aos grupos de pesquisa com demanda justificada, a PRP, em conjunto com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG), publicou em 2012 o primeiro edital para a seleção de técnicos de nível superior para apoio a projetos de pesquisa. Segundo Pilli, o programa visou apoiar atividades de pesquisa vinculadas aos projetos aprovados no âmbito do Programa Equipamentos Multiusuários/Fapesp, programa CEPID, projetos temáticos ou projetos de excelência apoiados por agências de financiamento ou empresas, que não permitam a contratação de pessoal técnico. Foram autorizadas as contratações de 45 técnicos de nível superior, atendendo 67% das solicitações recebidas.