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USP - Universidade de São Paulo

Na FMRP, laboratório de microscopia é centro agregador de pesquisadores

Publicado em 18 março 2009

Por Saulo Yassuda

A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP é o local dos encontros. A instituição possui dois laboratórios de microscopia – eletrônica e confocal – que são bastante utilizados não só por estudantes de medicina, mas também por integrantes de outras unidades da USP. Pesquisadores da Universidade em Ribeirão Preto e em outras cidades do interior, como Araraquara e Piracicaba, fazem uso dos laboratórios, sobretudo do de microscopia confocal. É o que explica o docente Roy Edward Larson, coordenador do Laboratório Multiusuário de Microscopia Confocal.

O microscópio confocal é um equipamento bastante sofisticado que possibilita a visualização de imagens tridimensionais e de alta resolução de estruturas celulares. Com esse tipo de aparelho é possível localizar moléculas em nível subcelular, possibilitando que se enxergue seus compartimentos. “Na pesquisa biomédica, hoje em dia, a imagem é cada vez mais importante”, enfatiza o professor Larson, que garante que a agenda para o uso do microscópio confocal é cheia.

Sim, os interessados precisam marcar hora para utilizar o aparelho. E a procura é grande, principalmente pelo fato de serem um dos poucos exemplares do equipamento existentes no interior de São Paulo. O preço do microscópio é muito alto, o que impossibilita muitas instituições de adquiri-lo. É por isso que na FMRP se encontram pesquisadores com projetos específicos em diferentes áreas: fisiologia, farmacologia, biologia, entre outras.

Além disso, não é muito fácil utilizar o equipamento pela primeira vez. Isso demanda a orientação do técnico do laboratório. Após esse primeiro passo, no entanto, os pesquisadores podem usar o laboratório a qualquer horário, desde que este esteja disponível – o que nem sempre é fácil. “Até de madrugada, se [o pesquisador] estiver desesperado para terminar algum trabalho”, diz o técnico Lenaldo Branco Rocha.

Microscópio confocal na FMRP: "a imagem é cada vez mais importante”, afirma professor

Foi graças a um projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que a FMRP obteve a quantia de R$ 387.525,00 para a compra do equipamento, com o intuito de que fosse usado por diversos departamentos. Segundo Larson, o microscópio tem uma versatilidade muito grande - mais um fator que possibilita o encontro de pesquisadores de diversas áreas na FMRP. Esses acadêmicos são, em sua maioria, pós-graduandos da unidade. Mas pesquisadores das áreas de ciências farmacêuticas, biológicas e até odontológicas freqüentam o laboratório.

Seleção

Quem decide quem pode ou não utilizar o equipamento é a coordenação do laboratório. Por isso, é pedido que os interessados enviem uma cópia resumida do projeto de pesquisa e que participem de uma entrevista. Se aprovado, o pesquisador pode marcar horário de uso do microscópio por agendamento ou por lista de espera. No primeiro caso, o usuário define o dia e a hora do atendimento. No segundo caso, o acadêmico aproveita os horários vagos que surgirem ao longo da semana no laboratório e é chamado pela sequência de uma da lista.

O técnico explica que é importante que o pesquisador vá ao laboratório "sabendo bem o que quer", porque dá pra fazer muita coisa diferente utilizando um mesmo aparelho. E, mesmo com a relativa dificuldade,  o equipamento não é nenhum "bicho de sete cabeças". Ele afirma que muita gente aprende fácil a utilizar o microscópio confocal após a orientação.