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Na Amazônia. Matança do boto cor-de-rosa. Animal em situação crítica

Publicado em 08 janeiro 2019

Apesar de esforços de pesquisadores e ambientalistas, as duas espécies de golfinho de água doce da Amazônia, o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis) podem estar em risco de extinção. A matança do boto cor-de-rosa é consequência da pesca de outro peixe.

Em algumas regiões a perda na população de botos já chega a 50%. De alguns anos para cá o mamífero tem sido usado como isca na pesca de pequenos peixes. Especialmente a pesca de piracatinga, um peixe carnívoro, tipo de bagre, também conhecido como urubu d´água.

A pesca da piracatinga

A pesca da piracatinga é realizada na época do defeso, quando a captura de outras espécies é proibida. Mesmo com o salário-defeso, valor de um salário mínimo que o pescador recebe durante o período, eles mantém a pesca da piracatinga.

A piracatinga. Foto: Divulgação/Ampa

A carne de um boto pode render a captura de uma tonelada de piracatinga, vendida por R$ 1,00 o quilo para os frigoríficos, sendo a maioria do pescado contrabandeada para a Colômbia.

Depois de muitas tentativas, pesquisadores conseguiram provar que restos de carne de boto foram encontrados no estômago das piracatingas vendidas. A situação dos botos de água doce é crítica no mundo inteiro. O golfinho indo- pacífico é um deles.

Moratória para proibir a pesca da piracatinga

Com as provas reunidas, os ministros do meio ambiente e da pesca assinaram uma moratória para proibir a pesca da piracatinga nos próximos cinco anos, até que se ache uma alternativa à isca. Mas, num último momento, o documento parou na gaveta do ministro da pesca, Eduardo Benedito Lopes, que ficou na dúvida por não querer prejudicar o rendimento dos pescadores envolvidos. Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, contradisse o da pesca e insistiu na publicação da proibição.

Finalmente, depois de tantas discussões, no dia 18 de julho de 2014 a proibição foi publicada. A partir de 01 de janeiro de 2015, a pesca e a comercialização de piracatinga ficam proibidas no território brasileiro.

Diante disso, a Ampa-Associação de Amparo ao Peixe- Boi, lançou uma campanha para intensificar a fiscalização.

Mesmo com moratória decretada, situação é crítica

Apesar das cabeçadas entre ministérios, o da Pesca e o do Meio Ambiente, e de campanhas para intensificar a fiscalização, as últimas notícias são tristes. O site da FAPESP publicou matéria em junho de 2018 alertando ‘que os animais podem estar em situação crítica’. Você pode dizer que ‘podem estar em situação crítica’ é algo vago. Ou eles estão, ou não estão. Acontece que a FAPESP ressalta em sua matéria que o estudo em referência, feito na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a 500 quilômetros de Manaus, entre 1994 e 2017, “indica que a população dessas duas espécies se reduz à metade a cada 10 anos, apesar de a captura ser proibida.” A despeito da longa pesquisa, não há levantamentos semelhantes em outras áreas da Amazônia, razão pela qual os pesquisadores escolheram o verbo “podem estar em situação crítica”, se os resultados da pesquisa em Mamirauá forem aplicados a toda a Amazônia.

Onde é praticada a matança do boto cor-de-rosa

Os autores do estudo, coordenado pela bióloga Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), atribuem a redução dos botos à captura ilegal fora da reserva, uma vez que em Mamirauá a ação humana é controlada e outras espécies de predadores aquáticos continuam abundantes.

Colômbia proíbe venda da piracatinga, mas situação de botos é crítica

Sensibilizado pelo problema, a Colômbia proibiu a venda de piratinga em 2017 por dois motivos. Um é a situação crítica do mamífero, e outro pelos altos índices de mercúrio encontrados na carne do peixe. Mesmo assim, por vias tortas, a pesca continua no Brasil, e a venda na Colômbia, ainda que em ambos a intensidade tenha diminuído. Resta saber até quando os estoques conseguirão se manter.

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