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O Popular (Goiânia, GO) online

Mutirão de casas ganha planejamento virtual

Publicado em 03 julho 2007

O sistema de multidões para a construção de casas populares é bastante utilizado no Brasil, mas as comunidades que os realizam não podem participar do planejamento da construção. A realidade virtual poderia ser utilizada como alternativa — por isso, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais estão criando um sistema simplificado e mais barato de imersão nesse sistema, permitindo a visualização desses projetos comunitários.

O sistema, chamado de Ambiente de Imersão de Tecnologia Simplificada (AIVTS), tem dois computadores, duas câmeras de vídeo, dois projetores de dados com filtros polarizadores e óculos polarizados para ver a projeção das imagens em 3D.

Segundo reportou a Agência Fapesp, a pesquisa, que está em andamento há dois anos, no Laboratório Estúdio Virtual de Arquitetura (EVA) do Departamento de Projetos da Escola de Arquitetura da UFMG, utilizou simplificações tecnológicas, substituindo os equipamentos mais caros usados nos sistemas originais.

Maria Lucia Malard, coordenadora do EVA, afirmou que apesar de ainda serem necessários testes reais, o protótipo foi aprovado em laboratório. "Os projetores são ligados nas duas saídas de vídeo, sendo que cada um projeta a imagem de um dos olhos. As lentes, ou filtros polarizadores, são adaptadas nos projetores. Os óculos permitem que cada olho veja apenas uma das imagens projetadas, fazendo com que o cérebro simule a profundidade", disse Maria Lucia à agência.


Adaptação

Uma das principais adaptações necessárias para o modelo utilizado nos Estados Unidos era a substituição de painéis empregados para que a superfície de projeção não despolarizasse a luz recebida - que tinham um custo de US$ 10 mil. A versão final do projeto, que substituiu o painel pela cobertura de uma tinta à base de alumínio, deverá ter um custo total que não ultrapassa R$ 10 mil, utilizando três projetores para promover uma imersão mais real.

Um problema ainda necessário ser superado é a necessidade de utilização apenas com o software Macromedia Director, deixando a programação mais trabalhosa. Por isso, a equipe procura achar uma modificação que não cause muitos custos.

"O desenvolvimento de um ambiente de imersão simplificado também pode servir para o ensino e estudo de interações científicas complexas, para acompanhamento de processos em diversas áreas do conhecimento. Nossa idéia é que isso se torne acessível a qualquer escola", afirmou Maria Lúcia à agência.

A equipe firmou uma parceria com Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, recebendo auxílio do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex).