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A Cidade On (Ribeirão Preto, SP)

Musical Sons Vítreos faz pré-estreia na UFSCar neste mês

Publicado em 26 março 2018

Imagine uma orquestra com instrumentos de vidro e formada por integrantes com deficiência visual, além de químicos e músicos do Ouroboros, Núcleo de Divulgação Científica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O grupo promove o musical "Sons Vítreos", com objetivo de popularizar a ciência e a arte dos materiais vítreos por meio da música, e fará apresentação na próxima quarta-feira, dia 28 de março, no Campus São Carlos da UFSCar. O show antecede a participação do grupo em evento de divulgação científica na Nova Zelândia, em abril.

O projeto Sons Vítreos foi criado em 2016, primeiramente para fazer a trilha sonora da peça "Peter Q(uímico) Pan", do Núcleo Ouroboros. Na ocasião, apenas a musicista Zildmara Rodrigues tocava os instrumentos de vidro: órgão de taças, carrilhão e flauta pan. Depois, outros integrantes foram chegando ao grupo que adquiriu formato de conjunto musical, para apresentação nas comemorações dos 40 anos do Laboratório de Materiais Vítreos (LaMaV) da UFSCar. O projeto é vinculado ao CeRTEV (Center for Research, Technology and Education in Vitreous Materials), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O Sons Vítreos conta com a participação de músicos amadores e profissionais, além da colaboração de Ademir Sertori, mestre vidreiro do Departamento de Química (DQ) da UFSCar; Claudio Cardoso, professor de Física e de Acústica, do Departamento de Física (DF); Marcel Abramo, luthier (profissional que trabalha com a construção e manutenção de instrumentos musicais); Ilza Joly, maestrina; Isabel Amador, estilista e figurinista; Marilia Marcondes, fonoaudióloga; e Edgar Zanotto e Ana Cândida Rodrigues, cientistas da área de Vidros do CeRTEV. A coordenação é de Karina Omuro Lupetti.

A produção dos instrumentos exigiu dedicação e pesquisa. "Uma parceria entre o mestre vidreiro e o luthier, cada um com suas habilidades, resultou em alguns instrumentos. O mestre vidreiro, após analisar instrumentos convencionais como triângulo, caxixe, flauta doce, flauta pan e carrilhão, fez réplicas em vidro usando técnicas de molde com maçarico. Em conjunto, eles construíram um xequerê e flautas transversais. O luthier está afinando um ialofone [xilofone de vidro] e construindo peças como tambor, kalimba, entre outros", descreve Lupetti. Outra particularidade do projeto é que os instrumentos são tocados também por pessoas com deficiência visual. "Além da habilidade musical, a vontade de aprender e participar dessas pessoas são fundamentais. O tripé do Ouroboros é ciência, arte e inclusão", destaca a coordenadora.

O show no dia 28 de março se configura como a pré-estreia do espetáculo, marcando o processo de internacionalização do grupo, que se apresentará dia 4 de abril em Dunedin, na Nova Zelândia, na "Public Communication of Science and Technology Conference 2018" (PCST - Conferência de Divulgação da Ciência e Tecnologia). No repertório do musical estão clássicos nacionais como "Garota de Ipanema", "Aquarela do Brasil", "Baião", "Asa Branca", "Trem das Onze", "Luar do Sertão", "Berimbau" e a internacional "Blow in the Wind". Além das canções, a ideia é disseminar conhecimentos sobre materiais vítreos.

O espetáculo "Sons Vítreos" é aberto ao público, não é necessária a retirada de ingressos e acontece às 20 horas, no Anfiteatro Bento Prado Júnior, na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar.