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Música melhora efeito de remédio para hipertensão

Publicado em 15 agosto 2018

Estudo foi realizado em parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp/Marília), Faculdade de Juazeiro do Norte (CE), Faculdade de Medicina do ABC e Oxford Brookes University (Inglaterra) e publicado na revista Scientific Reports

Pesquisa apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir do Edital Universal, identificou efeitos positivos, em curto prazo, da música sobre a resposta do controle autonômico da frequência cardíaca induzida por anti-hipertensivos.

O estudo foi realizado em parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp/Marília), Faculdade de Juazeiro do Norte (CE), Faculdade de Medicina do ABC e Oxford Brookes University (Inglaterra) e acompanhou 37 indivíduos com hipertensão controlada (14 homens e 23 mulheres) em dois dias.

Em um dia, os voluntários eram tratados com medicamento anti-hipertensivo e os parâmetros cardiovasculares foram monitorados durante uma hora após a administração do remédio enquanto ouviam música por meio de um fone de ouvido (Someone like you, piano instrumental – Adele; Airstream – Electra; Hello, piano instrumental – Adele; Amazing grace [my chains are gone], instrumental – Chris Tomlin e Watermark -Enya). Em outro dia, os pacientes realizaram o mesmo protocolo de pesquisa, porém, permaneciam com o fone de ouvido desligado, de modo que os dois dias foram aleatórios.

“Observamos que a música melhorou a frequência cardíaca e os efeitos de anti-hipertensivos no período de até uma hora após a medicação”, disse Vitor Engrácia Valenti, coordenador do estudo, bolsista em Produtividade de Pesquisa do CNPq e professor do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília.

Um método mais sensível para detectar alterações no coração, conhecido como variabilidade da frequência cardíaca, detectou que os medicamentos apresentaram respostas significantemente mais intensas sobre a atividade do coração quando os voluntários ouviam música.

Como principal achado do estudo, os pesquisadores concluíram que a música intensificou os efeitos benéficos dos anti-hipertensivos em curto prazo.

“Constatamos que a música erudita ativa o sistema nervoso parassimpático [responsável por estimular ações que permitem ao organismo responder a situações de calma, como desaceleração dos batimentos cardíacos e diminuição da pressão arterial e da adrenalina e açúcar no sangue] e reduz a atividade do sistema simpático [que pode acelerar os batimentos cardíacos]”, explicou Valenti.

Os resultados foram publicados, no início do ano, na revista Scientific Reports (grupo Nature).

Coração e cafeína

Outra pesquisa também realizada por Valenti analisou, ainda, os efeitos da ingestão de cafeína antes da realização de exercício (corrida na esteira) sobre a recuperação após o esforço.

O estudo investigou 32 jovens saudáveis do sexo masculino. Fumantes, alcoólatras, indivíduos com doenças cardiovasculares, respiratórias ou neurológicas conhecidas ou com lesão musculoesquelética que impedissem a realização dos protocolos de exercício não foram incluídos. Os voluntários realizaram dois protocolos de exercício moderado: placebo e cafeína, consistindo de 15 minutos de repouso, 30 minutos de exercício em uma esteira, seguido de 60 minutos de recuperação. No protocolo com cafeína os voluntários ingeriram cápsulas contendo 300 mg de cafeína e no protocolo placebo  cápsulas idênticas sem cafeína. As variáveis analisadas foram pressão arterial sistólica e diastólica, frequência respiratória e a influência do sistema nervoso autônomo sobre o coração, analisada por meio da variabilidade da frequência cardíaca.

Não houve efeito da cafeína sobre a pressão arterial, entretanto, por meio de uma análise mais sensível, capaz de detectar mudanças fisiológicas com mais precisão, foi observado que a cafeína diminuiu a velocidade de recuperação do organismo após o exercício. Esse achado sugere que a administração de cafeína antes da realização de exercício pode aumentar os riscos de complicações cardiovasculares mesmo em sujeitos saudáveis.

Os autores do artigo são, além de Vitor, Luana Almeida Gonzaga, Luiz Carlos Marques Vanderlei, bolsista PQ 2 do CNPq e Rayana Loch Gomes. O estudo também foi publicado na Scientific Reports, em 2017, e está disponível em https://www.nature.com/articles/s41598-017-14540-4