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Música intensifica efeito de medicamentos contra hipertensão - CicloVivo

Publicado em 06 abril 2018

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Marília, em colaboração com colegas da Faculdade de Juazeiro do Norte, da Faculdade de Medicina do ABC e da Oxford Brookes University, da Inglaterra, constatou que a música intensifica os efeitos benéficos de anti-hipertensivos em um curto prazo de tempo após a medicação.

Os resultados do estudo, realizados no âmbito de um projeto apoiado pela FAPESP, foram publicados na revista Scientific Reports.

“Observamos que a música melhorou a frequência cardíaca e os efeitos de anti-hipertensivos no período de até uma hora após a medicação”, disse Vitor Engrácia Valenti, professor do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília e coordenador do estudo, à Agência FAPESP.

O coração gosta do erudito

Os pesquisadores da Unesp de Marília começaram a estudar nos últimos anos o efeito da música sobre o coração em situações de estresse. Uma das constatações que fizeram é que principalmente a música erudita tem o efeito de diminuir a frequência cardíaca.

“Constatamos que a música erudita ativa o sistema nervoso parassimpático [responsável por estimular ações que permitem ao organismo responder a situações de calma, como desaceleração dos batimentos cardíacos e diminuição da pressão arterial e da adrenalina e açúcar no sangue] e reduz a atividade do sistema simpático [que pode acelerar os batimentos cardíacos]”, explicou Valenti.

Estudo

Com base nessa constatação, eles decidiram avaliar o efeito da estimulação musical por meio de um método chamado de “variabilidade da frequência cardíaca” durante situações cotidianas, como no tratamento da hipertensão, em que a terapia musical tem sido estudada como uma intervenção complementar.

“Já existiam estudos relacionados aos efeitos da musicoterapia sobre a pressão arterial em pacientes hipertensos, que apontaram que ela teve efeitos positivos significativos. Mas ainda não estava claro se a música pode influenciar o efeito da medicação sobre a variabilidade da frequência cardíaca, pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica”, disse Valenti.

Os pesquisadores realizaram um experimento em que avaliaram, durante dois dias aleatórios e com um intervalo de 48 horas, os efeitos do estímulo auditivo musical associado à medicação anti-hipertensiva nessas variáveis cardiovasculares em 37 pacientes com pressão arterial controlada, que realizaram tratamento de hipertensão por um período de seis meses e um ano.

Experimentações com a música

No primeiro dia do experimento, após tomarem medicamentos anti-hipertensivos de rotina, os pacientes, sem serem previamente avisados, ouviram músicas instrumentais por meio de um fone de ouvido durante 60 minutos após a medicação e com a mesma intensidade. No segundo dia do estudo, passaram pelo mesmo protocolo de pesquisa, mas permaneceram com o fone de ouvido desligado.

Os pesquisadores examinaram os pacientes em repouso, em intervalos de 10, 20, 40 e 60 minutos após a medicação, e analisaram parâmetros cardiovasculares durante os dois dias do teste por meio do método de variabilidade da frequência cardíaca. Pelo método, pode-se detectar com maior precisão e sensibilidade alterações no coração ao analisar matematicamente diferenças entre intervalos de batimentos cardíacos.

As análises dos dados indicaram que a frequência cardíaca dos pacientes diminuiu 60 minutos após serem medicados e ouvirem música. Já quando tomaram o anti-hipertensivo de rotina e não ouviram música na sequência, a frequência cardíaca deles não sofreu alteração tão intensa.

O que explica

As respostas dos medicamentos também foram mais intensas sobre a pressão arterial dos voluntários quando ouviram música após serem medicados. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que, ao ativar o sistema parassimpático, a música causa um aumento na atividade gastrointestinal dos pacientes hipertensos, acelerando a absorção de medicamentos anti-hipertensivos e intensificando os efeitos na frequência cardíaca.

O artigo “Musical auditory stimuls acutely influences heart rate dynamic responses to medication in subjects with well-controlled hypertension” de Eli Carlos Martiniano, Milana Drumond Ramos Santana, Érico Luiz Damasceno Barros, Maria do Socorro da Silva, David Matthew Garner, Luiz Carlos de Abreu e Vitor E. Valenti, pode ser lido na revista Scientific Reports aqui.