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O Verídico

Museu Florestal promove bate-papo sobre exposição que une arte e ciência

Publicado em 03 março 2020

Por Gustavo Aleixo

O Museu Florestal “Octávio Vecchi”, na capital, sediou as atividades da roda de conversa Café com Ciência e Arte, realizada em 16 de fevereiro. O bate-papo foi realizado com artistas e pesquisadores participantes da a exposição “Madeira: Ciência e Arte – Gravura e Botânica”, em cartaz desde novembro no local, situado no Parque Estadual Alberto Löfgren, na zona norte da cidade.

A exposição resultou de uma pesquisa com a madeira de diversas espécies brasileiras, a maioria amazônica, e que envolveu diversos parceiros de diferentes instituições. A ação foi conduzida pelo artista José Milton Turcato e pelo biólogo Peter Stoltenborg Groenendyk, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Também esteve presente a artista visual Magdalena Capuano, que participou da mostra.

O projeto começou com a pesquisa de José Milton Turcato sobre madeiras nativas alternativas em substituição às que eram usadas no Brasil para a arte da xilogravura e que hoje se encontram proibidas ou controladas na extração e comercialização.

O pesquisador Peter Stoltenborg Groenendyk respondeu dúvidas e curiosidades dos participantes. Ela comentou que ainda se conhece muito pouco sobre as madeiras de espécies amazônicas. De acordo com o docente, 80% da exploração da Amazônia estão focados em apenas cerca de 15 espécies, sendo que a estimativa é que a Amazônia possua 16 mil espécies arbóreas.

Pesquisa

Em 2017, o estudo de José Milton Turcato foi encampado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), que auxiliou desde então com a expertise e nas pesquisas de campo. Em 2018, Magdalena Capuano integrou o projeto auxiliando na produção e exposição de gravuras.

Ainda naquele ano, os trabalhos foram selecionados pela professora do Instituto de Artes da Unicamp Luise Weiss para que, com o apoio do Instituto de Biologia e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fossem desenvolvidos no âmbito acadêmico.

O projeto também teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP) e da Empresa Amata Brasil.

A exposição também levou ao museu amostras das madeiras utilizadas na pesquisa feita pelos artistas, matrizes de xilogravuras e as próprias gravuras. Também fazem parte da mostra fotografias microscópicas de madeira, de autoria de Peter Stoltenborg Groenendyk e Alexandre Bahia Gontijo, do SFB.

Acervo

José Milton Turcato explicou que as técnicas artísticas há tempos servem de suporte para a ciência. A ilustração, a gravura e a fotografia são alguns dos elementos que inclusive fazem parte do acervo do Museu Florestal.

O Instituto Florestal (IF), através do museu, além de atuar no esforço de unir ciência, meio ambiente e arte, fortalece o vínculo com pessoas e instituições parceiras que atuam nesta mesma tendência. A mostra ficou em cartaz no Museu Florestal até o fim de fevereiro e recebeu 4 mil visitantes.