Notícia

Notícias de Campinas

Museu da Imigração debate tráfico de pessoas e trabalho escravo

Publicado em 29 março 2019

Para abordar as migrações internacionais, o tráfico de pessoas e o trabalho escravo, o Museu da Imigração terá um painel, no próximo dia 5 de abril, como parte do Programa de Seminário do Observatório das Migrações em São Paulo, organizado pela Unicamp. No mesmo dia, ainda será aberta a mostra fotográfica “Costurando Dignidade”, de Chico Max, que retrata mulheres submetidas à exploração em oficinas de costura.

A mesa de abertura do Seminário, às 9h30, contará com a presença da coordenadora da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho, Dra. Catarina von Zuben; da coordenadora nacional do tráfico de pessoas do Ministério da Justiça, Dra. Renata Braz; do procurador geral do Ministério Público do Trabalho, Dr. Ronaldo Curado Fleury, e da diretora executiva do Museu da Imigração, Alessandra Almeida.

Às 10h, o público poderá acompanhar o painel “Migrações internacionais, tráfico de pessoas e trabalho escravo”. Com mediação da Dra. Catarina von Zuben e participação dos procuradores do Ministério Público do Trabalho, Dr. Gustavo Accioly e Dra. Tatiana Bivar Simonetti.

Também irão compor a o painel o auditor fiscal do trabalho, Dr. Magno Riga; o diretor do Centro de Estudos Migratório – Missão Paz, Pe. Paolo Parise; o coordenador do Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI), Roque Pattussi; a multiplicadora social do CAMI, Tomasa Nancy Salva Guarachi, e a coordenadora do Observatório das Migrações em São Paulo – NEPO/UNICAMP/FAPESP/CNPq, Rosana Baeninger.

A inauguração da mostra temporária “Costurando Dignidade”, com imagens registradas em outubro de 2018 pelo fotógrafo Chico Max, acontecerá às 12h30. As fotografias, tiradas na cidade de São Paulo, apresentam 19 mulheres, de 22 a 65 anos, que foram submetidas à condição de exploração em oficinas de costura, sendo a maioria de origem boliviana.

Para a diretora executiva do Museu da Imigração, Alessandra Almeida, o Museu aborda o contexto histórico dos fluxos migratórios do fim do século 19 até meados do século 20, e, também, os processos contemporâneos no Brasil e no mundo.

“Faz parte da nossa missão institucional trazer discussões que envolvam temas relacionados a esses movimentos e aos direitos humanos. A exposição do Chico Max é mais uma forma de aproximar o público da real situação vivida por tantas mulheres migrantes no início da sua experiência em nosso país”, comenta.

Em um período de 10 dias, Max conheceu, se aproximou, conversou e fotografou essas pessoas, que compartilharam as suas histórias e a realidade dessas confecções, incluindo trabalhar 16 horas por dia com os filhos por perto, cuidar da limpeza desses espaços e pagar para comer e dormir (o que acontecia, em alguns casos, embaixo da máquina de costura), fazendo com que devessem, ao invés de ganharem dinheiro.

“Ao passarmos diante de uma vitrine, não pensamos no que aconteceu antes da peça chegar até ali. Não fazemos perguntas sobre esse processo, que, na nossa vivência, é velado. Com a exposição, espero que as pessoas reflitam ao olharem para as roupas e possam dar um rosto para essa realidade”, explica o fotógrafo.