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Hoje em Dia

Murchadeira da alface faz apodrecer raiz da planta

Publicado em 29 junho 2003

A alface, principal hortaliça folhosa cultivada no Brasil, chega a movimentar R$ 2 bilhões por ano e ocupa uma área de aproximadamente 31 mil ha em todo o país, com a geração de cinco empregos diretos por hectare. Mas a atividade está em risco em função de uma nova doença detectada no país e confirmada pela pesquisa da Esalq/USP financiada pela Fapesp, a murchadeira da alface. Os produtores estão sendo orientados sobre o problema pela Seminis, empresa de sementes de hortaliças, que durante a Hortitec (realizada em Holambra na semana passada) manteve um plantão de informações em seu estande. A doença está se expandindo rapidamente nas principais regiões produtoras de alface do Estado de São Paulo, tanto em campo como em sistemas hidropônicos. Conhecida como murchadeira da alface, a doença é provocada por um fungo que leva à podridão das raízes, reduzindo o tamanho das plantas e, conseqüentemente, o seu murchamento. As principais variedades de alface tipo lisa e americana cultivadas no Brasil são suscetíveis, explica o pesquisador Fernando César Sala, da Esalq/USP que junto com outros acadêmicos, desenvolveu uma pesquisa para avaliar a manifestação da doença além de realizar testes de resistência. Ele afirma que "o método mais eficaz, prático e barato para o controle da murchadeira é o emprego de cultivares resistentes ao fungo". A pesquisa realizada em campo revelou que as alfaces Raider (do tipo americana), Letícia (lisa) - ambas da Seminis - e as alfaces Yuri e PRS 1115 (da Horticeres), mostraram-se imunes ao problema. A murchadeira da alface (ou podridão negra das raízes) é causada pelo fungo Thielaviopsis basicola e foi constatada no Brasil em 1999, no Rio de Janeiro, sendo freqüentemente confundida com distúrbios fisiológicos. As plantas atacadas pelo fungo apresentam, inicialmente, manchas escuras nas raízes. Com o avanço da doença, principalmente as raízes laterais vão apodrecendo completamente. O patógeno produz esporos (espécie de sementes do fungo) que podem ser transportados pelo vento ou permanecer dormente no solo de três a cinco anos. Normalmente, os esporos são disseminados através de mudas e solo contaminados, máquinas e ferramentas utilizadas nas práticas culturais e água de irrigação ou drenagem. Segundo o pesquisador, existem fortes suspeitas de que o patógeno tenha sido introduzido no Brasil através de turfa (composto rico em matéria orgânica) contaminada e usada na formulação de substratos de mudas. Além da utilização de espécies resistentes, Fernando Sala recomenda a adoção de práticas de manejo adequadas à cultura, como uso de mudas sadias, substrato livre do patógeno, irrigação e adubação apropriadas. Além disso, rotação de culturas e solarização tanto do solo como do substrato são alternativas válidas para minimizar as perdas pela murchadeira da alface. Como apresenta alto valor econômico e possibilidade de plantio durante o ano todo, o cultivo da alface é feito de maneira intensiva, em sistema de monocultura, colhendo-se na mesma área até cinco safras no ano. Tradicionalmente, o alfacicultor não usa rotação de culturas e, quando é feita, são plantadas outras folhosas como almeirão, rúcula e chicória, que geralmente são suscetíveis às mesmas doenças radiculares que a alface.