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Mundo tem que reduzir emissões de gases-estufa em 50% até 2050, diz Stern

Publicado em 04 novembro 2008

Por Tatiana Pronin

Para estabilizar o aumento da temperatura do planeta, é preciso que as emissões de gases-estufa em todo o mundo sejam reduzidas em 50% até 2050, afirmou nesta terça-feira o economista Nicholas Stern, conselheiro do governo britânico para assuntos de mudanças climáticas.

O economista Nicholas Stern, em palestra na sede da Fapesp na segunda-feira. Nesta terça, ele participou de evento na Fiesp

Ele falou a empresários na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) sobre a revisão das estimativas de impacto das mudanças climáticas publicadas em 2006 no Relatório Stern, a pedido do governo britânico.

O novo estudo, chamado Acordo Global em Mudanças Climáticas, concluído este ano, mostra que os efeitos do aquecimento global foram subestimados anteriormente.

Stern afirma que a redução das emissões pela metade é essencial para manter o limite máximo de concentração de gases-estufa no ar, estimado em 550 ppm (partes por milhão). Acima desse patamar, a temperatura do planeta pode subir 5º C, o que teria efeitos catastróficos.

O economista afirma que, com um investimento anual em torno de 1% a 2% do PIB mundial, é possível manter esse aumento em patamares razoáveis. Se nada for feito para conter as emissões, porém, o PIB poderia ser reduzido em até 20%.

Considerando que a população mundial estimada para 2050 é de 9 bilhões de habitantes, o corte de 50% nas emissões equivaleria a uma média de 2 toneladas de CO² per capita.

"No Brasil, se as metas para acabar com o desmatamento na Amazônia forem cumpridas até 2015, a emissão per capita ficaria em torno de 4 toneladas", afirmou Stern. Atualmente, o nível de emissão por habitante no país é de aproximadamente 2 toneladas.

Presente no evento, a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Susana Khan, comentou após a exposição de Stern que as metas para o desmatamento ainda estão em estudo. "A princípio, teremos uma meta de redução a cada quatro anos, mas ainda estamos tentando definir um número".