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Mulheres e meninas estão mais expostas a mudanças climáticas

Publicado em 06 setembro 2012

As mulheres e as meninas estão mais expostas aos desastres provocados por eventos climáticos extremos, como inundações e furacões. Elas representam 72% do total de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza no mundo. A opinião é da médica e antropóloga mexicana Úrsula Oswald Spring.

A professora da Universidade Nacional Autônoma do México e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, diz que, como o gênero feminino representa 72% dos pobres extremos, fica muito difícil para esse grupo enfrentar esse fenômenos naturais.

Em entrevista à Agência Fapesp ela diz ainda que as mulheres são educadas para cuidar dos outros e, por isso, "assumimos o papel de mãe de todos". Ela chama isso de teoria das representações sociais. "Esse processo também nos torna mais vulneráveis, porque temos o papel de proteger primeiramente os outros, para depois nos preocuparmos conosco", afirma. "O capitalismo, por sua vez, se aproveitou do sistema patriarcal e construiu um sistema vertical, excludente, autoritário e violento, que permite que hoje 1,2 mil homens comandem a metade de todo o planeta e que as mulheres tenham pouco poder de decisão e de veto em questões que lhes afetam diretamente", conclui

Para diminuir a vulnerabilidade de mulheres e meninas, segundo Úrsula, "é necessário treiná-las para que esse processo de cuidar dos outros seja mais eficiente e não seja realizado ao custo de sua própria vida, mas que possa beneficiar todo um conjunto de pessoas, incluindo ela e suas filhas. E isto implica em mais condições para que possam ter maior poder de decisão." Ela diz ser necessário possibilitar mais acesso das mulheres à educação e cita como exemplo um dado do Banco Mundial, segundo o qual todo país islâmico que investe na educação de suas mulheres aumenta imediatamente 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

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