Notícia

O Estado do Paraná

Muito sol e pouca proteção

Publicado em 05 maio 2007

Uma das constatações da pesquisa é que as mulheres, tanto nas praias quanto no dia-a-dia, usam mais os protetores solares.

 No Brasil, os homens e os mais jovens estão mais expostos aos efeitos nocivos da radiação solar quando comparados com as mulheres e com os indivíduos com mais de 25 anos de idade. A conclusão é de um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, e pela Secretaria de Vigilância em Saúde, em Brasília, ambos vinculados ao Ministério da Saúde.

São Paulo - (Agência Fapesp) Os resultados são do inquérito domiciliar sobre comportamentos de risco para doenças realizado em 2002 e 2003, que avaliou as formas de proteção à radiação ultravioleta mais utilizada por habitantes de 15 capitais brasileiras e do Distrito Federal. Um total de 16.999 indivíduos com 15 anos, ou mais, foi entrevistado.

Em todas as cidades analisadas foram observadas proporções mais elevadas de proteção com o filtro solar e de procura pela sombra entre as mulheres, enquanto o fator de proteção mais citado pelos homens foi o uso de chapéu ou boné. "Apesar de os homens e os mais jovens, de maneira geral, estarem mais expostos, a pesquisa indica que as mulheres também não estão se protegendo de maneira adequada", disse Liz Maria de Almeida, gerente da divisão de epidemiologia da coordenação de prevenção e vigilância do Inca e coordenadora do estudo.

Segundo ela, motivadas muito mais por questões estéticas do que pela consciência de que o sol é um fator de risco para contrair câncer, as mulheres acabam usando mais protetores solares. Mas o estudo identificou que as mulheres usam esse tipo de produto, que tem efeito médio de duas horas, poucas vezes ao dia e que entram na água freqüentemente, o que reduz o efeito. "O problema está na falta de conhecimento a respeito dos efeitos da radiação ultravioleta e do funcionamento dos produtos de proteção solar disponíveis no mercado. Os números dos fatores de proteção dos filtros ainda geram muitas dúvidas na população", explica Liz Maria. Os resultados do trabalho foram publicados na edição de abril da revista Cadernos de Saúde Pública.

Uma indicação do desconhecimento é que as taxas brutas de incidência para o câncer de pele, em 2006, foram praticamente iguais entre os gêneros, no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a incidência da doença tipo "não- melanoma" foi de 68 e 69 em cada 100 mil habitantes, para homens e mulheres, respectivamente. "Esse indicador destaca que, apesar de a proteção variar do ponto de vista do gênero, o nível de exposição solar pode ser o mesmo e a proteção não está sendo eficiente", disse Liz Maria. "O não melanoma é o tipo de câncer de pele que, apesar de normalmente não ser maligno, é o mais comum na população brasileira por suas causas estarem fortemente atreladas à exposição solar. Mais de 96% dos casos de câncer de pele no País são de não melanoma", explicou.

Segundo a pesquisadora do Inca, o levantamento é o primeiro, em nível nacional, sobre os hábitos de proteção da população com o objetivo de conhecer o nível de exposição solar cumulativa para a criação de programas de prevenção.