Notícia

Gazeta Mercantil

Mudanças na pesquisa já começaram

Publicado em 16 outubro 2001

Por Cláudio Renato e Ricardo Rego Monteiro do Rio
Se as medidas previstas pelo Relatório Tundisi ainda não saíram do papel, pelo menos na prática o Ministério da Ciência e Tecnologia já começou a direcionar a pesquisa científica do Brasil, por meio de seu mais eficaz instrumento: os recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, de R$ 780 milhões, que serão prioritariamente destinados aos projetos que aproximem empreendedores do mercado. Entidade vinculada ao Ministério e responsável pela gestão do fundo, a Finep mudou radicalmente a política de Financiamento em ciência e tecnologia nos últimos anos, dando mais atenção a programas de inovação tecnológica, incubadoras de empresas, linhas de capital de risco e empresas emergentes. "Durante anos, a Finep investiu em pesquisa básica, mas existe um mercado que precisa ser atendido", diz uma fonte da financiadora. Não é o que pensa, no entanto, o diretor superintendente de outra instituição de apoio à pesquisa científica, a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), vinculada ao governo estadual. Para Fernando Peregrino, o governo federal vai perpetrar não só o desmonte de toda uma estrutura que vem dando certo, mas também fará "um atentado contra o erário". Peregrino acredita que, ao decretar o fim do financiamento à pesquisa básica, o Ministério da Ciência e Tecnologia vai simplesmente jogar no ralo todos os recursos hoje aplicados por Faperj, Fapesp, e até a própria Finep, nos institutos de pesquisa brasileiros. "A situação da Faperj é muito constrangedora. E eu quero saber o que o Ministério vai fazer com relação a isso. Nós (Faperj) temos R$ 1,4 milhão aplicados no Centro Brasileiro de Pesquisa Física, que é um instituto federal. Nos últimos dois anos e meio, a Faperj destinou cerca de R$ 6 milhões para instituições federais, que recebem, em último caso, 60% dos nossos recursos", critica Peregrino, que reivindica do Ministério pelo menos o direito a discutir o Relatório Tundisi. A Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) aplicou US$ 4 milhões em três projetos só no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre os projetos do Inpe, estão a construção de um observatório de ondas gravitacionais, na USP, e a construção de uma rede de antenas de radioastronomia.