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Mudanças genéticas podem aumentar em até 50% produção de etanol por hectare

Publicado em 04 maio 2010

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) estuda 25 projetos com o objetivo de aumentar o plantio de cana-de-açúcar e a eficiência da produção de etanol no país. Com isso, será possível elevar em até 50% a produção de álcool por hectare de cana plantada, que hoje é de 7 mil litros.

A coordenadora do Programa de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) da Fapesp, Gláucia Souza, explica que a cana foi sendo modificada ao longo do tempo para aumentar a produção de açúcar voltada à alimentação. Agora os cientistas estão fazendo o caminho inverso, modificando a planta geneticamente para produzir mais etanol de uma maneira economicamente viável.

No Brasil já temos um programa de produção de etanol muito bem-sucedido há muitos anos, e mais recentemente começamos a pensar em usar a parede celular da planta para a produção de etanol, não só o caldo da cana, que já é rico em sacarose, mas também o bagaço e a palha que são deixados no campo quando a cana é colhida, diz a professora.

Ainda não há uma previsão de quando os resultados dessas pesquisas vão começar a ter efeito, mas a coordenadora adianta que cada novo cultivar da cana tem levado entre dez a 12 anos para ser lançado. Como tudo isso demora muito tempo, temos que prever qual a cana que vai ser necessária daqui a dez anos, diz. Mesmo assim, ela aposta que, com a eficiência na produção do etanol, o produto poderá se tornar mais barato, lembrando que atualmente 70% dos custos de produção do etanol estão na agricultura.

Só para se ter uma ideia, atualmente a média comercial de produção de cana-de-açúcar mundialmente é de 80 toneladas por hectare, mas o potencial é de 380 toneladas, se forem levados em conta os programas de melhoramento que estão sendo estudados em vários países. Tem muito ainda a ser melhorado na cana-de-açúcar e a ideia é usar a biotecnologia para aumentar a produtividade e resistência à seca e aos insetos, diz Gláucia Souza.

Ela conta que os estudos para desenvolver o etanol celulósico são mais recentes no Brasil do que em outros países, porque aqui já se utiliza o bagaço para a cogeração de energia elétrica nas usinas. A coordenadora do Bioen prevê que o Brasil ganhará ainda mais prestígio no cenário internacional se conseguir promover a expansão da cana e das tecnologias de produção de etanol de maneira sustentável. O Brasil já é um exemplo de liderança nessa área, os países têm ficado maravilhados com o modelo brasileiro da cana-de-açúcar, diz.

ETANOL EM MINAS GERAIS

A Petrobras começou a produzir, em abril de 2010, etanol na Usina de Bambuí, na cidade mineira que tem o mesmo nome. Esta é a primeira usina produtora de etanol da estatal, que adquiriu 40,4% do capital da unidade da Total Agroindústria Canavieira, por meio de sua subsidiária Petrobras Biocombustíveis.

O objetivo da companhia é fechar o ano com uma produção de 80 milhões de litros de álcool somente na usina localizada em Minas Gerais.

O investimento no projeto é de R$ 150 milhões e integra o planejamento estratégico da Petrobras para a produção de biodiesel e etanol até 2013, que soma R$ 5 bilhões. Com o aporte de capital, a capacidade de produção da usina chegará a 204 milhões de litros de etanol por ano em 2012.

A meta da Petrobras é terminar o ano de 2010 com uma produção de 750 milhões de litros de etanol, volume que deve passar para 4 bilhões de litros em 2013. O crescimento será com a participação em empreendimentos já em operação e em novos projetos que a empresa pretende desenvolver, disse o presidente da Petrobras Biocombustíveis, Miguel Rossetto.

A unidade de Bambuí, especificamente, está sendo modernizada, vai duplicar a sua capacidade de estocagem e deve aumentar a área plantada dos atuais 8 mil hectares para 30 mil hectares, além de contratar aproximadamente mil novos funcionários até 2012.

Em continuidade aos planos de expandir a produção e acelerar o crescimento de sua participação no mercado interno de etanol, a Petrobras se associou, no dia 30 de abril de 2010, à Tereos Participações Internacional, em uma parceria estratégica para investir R$ 1,6 bilhão, em etapas, no desenvolvimento da produção da empresa Açúcar Guarani.

AMPLIAÇÃO NO MERCADO DE ETANOL

Com o objetivo de acelerar sua participação no mercado interno de etanol, a Petrobras se associou à Tereos Participações Internacional. Será investido um total de R$ 1,6 bilhão, em três etapas, no desenvolvimento da produção da empresa Açúcar Guarani, o que dará, ao fim do investimento, uma participação societária de 45,7% da Guarani - a quarta maior processadora de cana-de-açúcar do país. A operação leva em conta um preço por ação de R$ 5,83.

Assinado no dia 30 de abril de 2010 em São Paulo (SP), o acordo, além de acelerar o crescimento interno da indústria brasileira de etanol, açúcar e bionergia, viabilizará a ampliação dos recursos destinados à tecnologia e a programas de pesquisa e desenvolvimento de novas gerações de biocombustível.

Em nota, a Petrobras esclarece que a Tereos Internacional contribuirá para a sociedade com sua experiência no processamento de cana-de-açúcar e na comercialização de etanol e açúcar. A associação atende aos objetivos comuns dos sócios de investir no crescimento da sua participação no setor sucroenergético, diz a nota.

Na avaliação da estatal, a parceria torna a Guarani uma companhia bem posicionada, com papel determinante no crescimento e consolidação da indústria de processamento de cana-de-açúcar. Os investimentos terão como foco o desenvolvimento de uma nova geração de biocombustíveis e a cogeração de energia (geração simultânea de eletricidade e energia térmica a partir de uma mesma fonte).

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que considera o movimento significativo no setor de biocombustíveis para a consolidação da companhia como uma empresa de energia, de modo sustentável.

Na avaliação do presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, a opção de investir de forma relevante na Guarani levou em conta a qualidade operacional e de gestão da empresa, que tem tradição no setor e práticas compatíveis com as exigidas pela Petrobras; a localização no estado de São Paulo, maior mercado consumidor e produtor de etanol do Brasil; a oportunidade de participar conjuntamente nas decisões estratégicas; e o projeto de crescimento da empresa, investindo na produção de etanol.

FONTE: Agência Brasil