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Rádio Evangelho

Mudanças climáticas podem levar 10% dos anfíbios à extinção

Publicado em 16 agosto 2018

ameaça levará tempo, mas é real. As mudanças na temperatura e na frequência de chuvas previstas para o planeta entre 2050 e 2070 deverão provocar a extinção de até 10% das espécies de sapos, rãs e pererecas endêmicas da Mata Atlântica. A menor adaptação à variação climática provocada pelo aquecimento global será fatal para alguns animais. A análise faz parte de um estudo do herpetólogo Tiago Vasconcelos, da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, com a colaboração de Bruno Nascimento, também da Unesp, e Vitor Hugo do Prado, da Universidade Estadual de Goiás.
"As mudanças climáticas globais também já estão afetando negativamente a qualidade de vida da espécie humana."
Além da Mata Atlântica, a pesquisa analisou a distribuição presente e futura de anfíbios também no Cerrado. O trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi iniciado em 2012. Desde então, foram feitas buscas e filtragens de informações das ocorrências geográficas de 512 espécies de anfíbios da Mata Atlântica e 197 espécies que ocorrem no Cerrado. O resultado é que, daqui a algumas décadas, pelo menos 37 anfíbios da Mata Atlântica e 5 do Cerrado não terão áreas climáticas similares em relação ao que eles têm hoje, o que podem levá-los ao desaparecimento.
Anfíbios, de uma maneira geral, dependem muito das condições climáticas para sua sobrevivência, pois necessitam da temperatura do ar para controlar a temperatura de seus corpos e da umidade do ar para respirarem efetivamente através da superfície de suas peles. No entanto, as diferentes espécies animais e vegetais interagem uma com as outras (por exemplo, anfíbios se alimentam de insetos que polinizam plantas que dão frutos para outras espécies inclusive humanos, e assim por diante).
"Sabemos que os anfíbios predam uma variedade enorme de insetos, vários deles considerados pragas agrícolas ou mosquitos transmissores de doenças."
Assim, qualquer redistribuição das espécies causada pelas mudanças climáticas tende a mudar as redes de interações entre as espécies e suas consequências são incalculáveis e potencialmente catastróficas. Como um exemplo simples, uma determinada espécie de inseto que deixa de polinizar um grupo de plantas pode levar à alterações dramáticas no suprimento de alimentos no campo agrícola.
Logo, para os seres humanos, o impacto também será sentido. “É sempre difícil avaliar os impactos causados pela extinção de uma espécie. Os anfíbios têm uma importância muito grande na regulação da população de insetos, sendo que a extinção massiça de sapos, rãs e pererecas muito provavelmente resultará no aumento do número de mosquitos transmissores de doenças, o que pode agravar surtos de epidemias de dengue, febre amarela ou zika, por exemplo. Além disso, produtores rurais poderão ter perdas econômicas consideráveis devido ao provável aumento de pragas agrícolas, ou gastar mais com pesticidas agrícolas para garantir sua produção”, aponta Vasconcelos.
Estudos mostram que o clima atual está 0,85ºC mais quente do que 100 anos atrás, existindo uma projeção de aumento de 1,5º a 2º na temperatura média até 2100. Com isso, eventos extremos de clima devem ocorrer com mais frequência. Serão secas mais prolongadas, mas com a chegada de fortes volumes de chuva que acabam causando transtornos, como enchentes, alagamentos e destruições.
“No início do ano tivemos exemplos na América do Norte - EUA e Canadá - de eventos fortes de nevasca raramente ocorridos desde que medições começaram a ser feitas. Mais recentemente, tivemos eventos de forte estiagem causando incêndios generalizados na California de amplas proporções”, diz o coordenador da pesquisa.
Esperança
Mas nem tudo está perdido, diversos estudos também mostram que, se algumas atitudes forem tomadas, os efeitos das mudanças climáticas poderão ser amenizados. Práticas de desenvolvimento sustentável, redução ou reutilização de recursos naturais que proporcionam a redução da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera são iniciativas possíveis.
Em relação aos órgãos governamentais, é possível criar políticas públicas para redução de emissões de gases também, como incentivos fiscais para indústrias e estabelecimentos comerciais que utilizem energia renovável ou práticas sustentáveis, além do planejamento de seleção de áreas de conservação ambiental considerando a redistribuição provável das espécies dentro dos cenários de mudanças climáticas.
"Estudos têm mostrado existir uma tendência na redistribuição das espécies em direção aos pólos ou às áreas de maior altitude. Os organismos estão migrando para um ambiente com clima mais similar àquele que existia antes das alterações.”
Até mesmo a mudança de “endereço” dos anfíbios, para a busca de um local onde se tenha a maior chance de sobrevivência, é possível. “Esta possibilidade não existe só para anfíbios, mas diversos estudos têm mostrado existir uma tendência na redistribuição das espécies em direção aos pólos ou às áreas de maior altitude, literalmente subindo as montanhas”, aponta Vasconcelos. Ainda há tempo para evitar que o pior aconteça e os seres humanos têm um papel fundamental nesse caminho.

A ameaça levará tempo, mas é real. As mudanças na temperatura e na frequência de chuvas previstas para o planeta entre 2050 e 2070 deverão provocar a extinção de até 10% das espécies de sapos, rãs e pererecas endêmicas da Mata Atlântica. A menor adaptação à variação climática provocada pelo aquecimento global será fatal para alguns animais. A análise faz parte de um estudo do herpetólogo Tiago Vasconcelos, da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, com a colaboração de Bruno Nascimento, também da Unesp, e Vitor Hugo do Prado, da Universidade Estadual de Goiás.

"As mudanças climáticas globais também já estão afetando negativamente a qualidade de vida da espécie humana."

Além da Mata Atlântica, a pesquisa analisou a distribuição presente e futura de anfíbios também no Cerrado. O trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi iniciado em 2012. Desde então, foram feitas buscas e filtragens de informações das ocorrências geográficas de 512 espécies de anfíbios da Mata Atlântica e 197 espécies que ocorrem no Cerrado. O resultado é que, daqui a algumas décadas, pelo menos 37 anfíbios da Mata Atlântica e 5 do Cerrado não terão áreas climáticas similares em relação ao que eles têm hoje, o que podem levá-los ao desaparecimento.

Anfíbios, de uma maneira geral, dependem muito das condições climáticas para sua sobrevivência, pois necessitam da temperatura do ar para controlar a temperatura de seus corpos e da umidade do ar para respirarem efetivamente através da superfície de suas peles. No entanto, as diferentes espécies animais e vegetais interagem uma com as outras (por exemplo, anfíbios se alimentam de insetos que polinizam plantas que dão frutos para outras espécies inclusive humanos, e assim por diante).

"Sabemos que os anfíbios predam uma variedade enorme de insetos, vários deles considerados pragas agrícolas ou mosquitos transmissores de doenças."

Assim, qualquer redistribuição das espécies causada pelas mudanças climáticas tende a mudar as redes de interações entre as espécies e suas consequências são incalculáveis e potencialmente catastróficas. Como um exemplo simples, uma determinada espécie de inseto que deixa de polinizar um grupo de plantas pode levar à alterações dramáticas no suprimento de alimentos no campo agrícola.

Logo, para os seres humanos, o impacto também será sentido. “É sempre difícil avaliar os impactos causados pela extinção de uma espécie. Os anfíbios têm uma importância muito grande na regulação da população de insetos, sendo que a extinção massiça de sapos, rãs e pererecas muito provavelmente resultará no aumento do número de mosquitos transmissores de doenças, o que pode agravar surtos de epidemias de dengue, febre amarela ou zika, por exemplo. Além disso, produtores rurais poderão ter perdas econômicas consideráveis devido ao provável aumento de pragas agrícolas, ou gastar mais com pesticidas agrícolas para garantir sua produção”, aponta Vasconcelos.

Estudos mostram que o clima atual está 0,85ºC mais quente do que 100 anos atrás, existindo uma projeção de aumento de 1,5º a 2º na temperatura média até 2100. Com isso, eventos extremos de clima devem ocorrer com mais frequência. Serão secas mais prolongadas, mas com a chegada de fortes volumes de chuva que acabam causando transtornos, como enchentes, alagamentos e destruições.

“No início do ano tivemos exemplos na América do Norte - EUA e Canadá - de eventos fortes de nevasca raramente ocorridos desde que medições começaram a ser feitas. Mais recentemente, tivemos eventos de forte estiagem causando incêndios generalizados na California de amplas proporções”, diz o coordenador da pesquisa.

Esperança

Mas nem tudo está perdido, diversos estudos também mostram que, se algumas atitudes forem tomadas, os efeitos das mudanças climáticas poderão ser amenizados. Práticas de desenvolvimento sustentável, redução ou reutilização de recursos naturais que proporcionam a redução da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera são iniciativas possíveis.

Em relação aos órgãos governamentais, é possível criar políticas públicas para redução de emissões de gases também, como incentivos fiscais para indústrias e estabelecimentos comerciais que utilizem energia renovável ou práticas sustentáveis, além do planejamento de seleção de áreas de conservação ambiental considerando a redistribuição provável das espécies dentro dos cenários de mudanças climáticas.

"Estudos têm mostrado existir uma tendência na redistribuição das espécies em direção aos pólos ou às áreas de maior altitude. Os organismos estão migrando para um ambiente com clima mais similar àquele que existia antes das alterações.”

Até mesmo a mudança de “endereço” dos anfíbios, para a busca de um local onde se tenha a maior chance de sobrevivência, é possível. “Esta possibilidade não existe só para anfíbios, mas diversos estudos têm mostrado existir uma tendência na redistribuição das espécies em direção aos pólos ou às áreas de maior altitude, literalmente subindo as montanhas”, aponta Vasconcelos. Ainda há tempo para evitar que o pior aconteça e os seres humanos têm um papel fundamental nesse caminho.