Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Mudanças climáticas no litoral em estudo

Publicado em 07 março 2018

O Governo do Estado pretende elaborar um estudo sobre os impactos das mudanças climáticas nas cidades litorâneas paulistas. A iniciativa foi anunciada ontem, pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Maurício Brusadin, e foi batizada de Litoral no Clima. O levantamento será feito com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro ). Segundo Brusadin, serão necessários R$ 500 mil para a primeira etapa da pesquisa. "Será o primeiro programa de estudo para adaptação a mudanças climáticas do Estado", afirma Brusadin.

O programa estadual deverá avaliar os impactos e quais medidas terão de ser adotadas daqui para frente. "O estudo é focado nas mudanças que já chegaram ao Litoral Paulista. Toda a área costeira é mais sensível", pondera o secretário de Meio Ambiente. Após o anúncio de ontem, a pasta pretende discutir com todas as cidades da região. "Vamos levantar os estudos que já estão acontecendo. V amos programar encontros para levantar as vulnerabilidades, envolvendo cientistas e técnicos". Com isso, a ideia é levantar as vulnerabilidades das cidades - um exemplo citado é o caso das ressacas e do aumento do nível do mar na Ponta da Praia, em Santos. "Depois, vamos capacitar as populações que vão sofrer. Vamos ver onde estão nossos pontos mais vulneráveis e construir medidas para adaptar e capacitar a população".

REFORÇO FINANCEIRO

Segundo Brusadin, o anúncio de ontem é o início de um processo. A ideia é expandir o estudo. "A gente espera buscar mais recursos. O plano inicial é para um ano. Queremos diagnosticar e já capacitar essas pessoas para enfrentar", prevê. Segundo o secretário, um grupo de estudiosos vai ter de apontar como será possível adaptar a vida das pessoas que possam ser afetadas, construindo uma proposta de ação. "V ai ser possível ver como capacito e penso no planejamento urbano. A olhos nus, a gente percebe algumas alterações", cita.

Este não é o primeiro estudo para medir os impactos das alterações climáticas na Baixada Santista. Em 2015, com recursos Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o Projeto Metropole tinha o objetivo de apresentar à comunidade os cenários de aumento do nível do mar para 2050 e 2100, em três níveis: moderado, mediano e extremo. Uma das conclusões foi a de que o mar subiria 18 centímetros até 2050, como publicou A Tribuna, em 30 de setembro de 2015.

No caso de Santos, a Prefeitura adotou, no fim do ano passado, plano para tentar conter as ressacas na Pontada Praia, com a instalação de grandes sacos de areia para barrar a força das marés (foto, esq.). Já outro estudo, elaborado pela USP, a pedido da Codesp, concluiu que as ressacas ocorrem porque o ataque das ondas é frontal, como explicou, em março de 2017, José Carlos de Melo Bernardino, então coordenador da Fundação Centro Tecnológico da USP. "Em alguns casos, as ondas chegam a 4 metros, na região offshore (ao largo da costa), com grande poder erosivo", disse. o laudo propunha a instalação de um molhe- espécie de quebra-mar -,em duas configurações possíveis, para reduzir a força das ondas contra a costa.