Notícia

Agrolink

Mudanças climáticas devem reduzir área de soja no Brasil em até 28%

Publicado em 12 setembro 2013

Por por Leonardo Gottems

Pesquisadores da Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) afirmam que haverá aumento das temperaturas e mudanças no regime de chuvas em várias regiões do Brasil nas próximas décadas. Como consequência, haverá impacto direto sobre as áreas de cultivo nacionais, com a diminuição na área de soja podendo chegar a impressionantes 28%.

Os dados foram revelados nesta terça-feira (10.09), durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima). Os resultados foram obtidos a partir do cruzamento de modelos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e de modelos regionais brasileiros, tendo como influência principal o chamado "aquecimento global".

Considerando a área cultivada em 2009, as projeções para 2030 apontam reduções em várias culturas. No milho, o cenário mais otimista prevê queda de 7%, podendo chegar a até 22%. Para o feijão, a dominuição vai de 54,5% a 69,7%. No Trigo, de 20% a 31,2%, enquanto no Arroz iria de 9,1% a 9,9% e no algodão, de 4,6% a 4,9%.

A redução mais significativa no feijão se dá pelo fato de as variedade necessitaerm de condições climáticas particulares. Por um lado, oferece até quatro safras por ano, porém é mais suscetível às variações de temperatura e precipitação. Organizado pela FAPESP e promovido com a Rede Clima e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), o evento ocorre até a próxima sexta-feira (13/09), no Espaço Apas, em São Paulo.

"Nossos esforços vão no sentido de produzir aplicações a partir de uma pesquisa base. Ou seja, buscar soluções para adaptação e mitigação dos efeitos do aquecimento global na agricultura. Com o estudo sobre áreas cultivadas, temos agora uma lista de municípios com maior e menor risco de serem afetados por mudanças climáticas, um importante instrumento para pesquisa e tomadas de decisão", afirmou Hilton Silveira Pinto, coordenador da sub-rede Agricultura e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no segundo dia do Conclima.

Os trabalhos serão encaminhados à Embrapa Informática Agropecuária (Embrapa/CNPTIA), instituição coordenadora da sub-rede Agricultura. Outra frente de atuação da equipe é a Simulação de Cenários Agrícolas Futuros (SCenAgri), que traça prognósticos para as próximas décadas considerando o aumento de temperatura, o regime de chuvas e a demanda climática de cada cultura.

"O café, por exemplo, precisa de 18 ºC a 22 ºC de média anual. Fora dessa janela, a cultura não se desenvolve. Passamos essas informações para o computador e simulamos diferentes cenários", afirma Silveira Pinto. O SCenAgri conta hoje com campos de plantio de 19 culturas, 3.313 estações de chuva com dados diários, 23 modelos globais e três modelos regionais de projeções climáticas.

 Agrolink: Leonardo Gottems