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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Mudanças a caminho

Publicado em 11 abril 2010

As mudanças na flora intestinal não devem se resumir à questão da digestão de nutrientes marinhos, destacou Justin Sonnenburg, da Universidade Stanford, em artigo publicado na revista Nature na última quinta-feira.

biota intestinal deixaria de receber a transferência de genes de microrganismos.

A próxima vez que você comer um alimento incomum à sua dieta, lembre que isso pode ser muito bom ou muito ruim. Pense nos micróbios

O consumo de alimentos produzidos em massa, muito calóricos, altamente processados e higiênicos, ou seja, isentos de micróbios pode não ser exatamente uma boa ideia. O motivo é que, com uma alimentação desse tipo, a micro biota intestinal deixaria de receber a transferência de genes de microrganismos.

A próxima vez que você comer um alimento incomum à sua dieta, lembre que isso pode ser muito bom ou muito ruim que você está ingerindo e na possibilidade de estar fornecendo a alguns de seus trilhões de amigos próximos na microbiota intestinal um novo conjunto de utensílios, disse Sonnenburg. Agência Fapesp

Algas contra obesidade

Algas marinhas podem se tomar uma importante alternativa contra a epidemia de obesidade. A conclusão é de uma pesquisa feita no Reino Unido e apresentada na reunião da American Chemical Society, em São Francisco, no final de março.

O estudo verificou que as algas têm potencial de reduzir a quantidade de gordura pelo organismo em cerca de 75%. Os pesquisadores, da Universidade de Newcastle, adicionaram fibras obtidas das algas em pães, de modo a desenvolver alimentos que ajudem a perder peso ao serem consumidos.

O grupo liderado por Iain Brownlee e Jeff Pearson observou que o alginato, a fibra natural encontrada nas algas, diminui a absorção de gordura pelo organismo de modo muito mais eficiente do que a maioria dos tratamentos atuais contra obesidade.

Com o uso de um sistema digestivo artificial, os cientistas testaram a eficácia de mais de 60 tipos de fibras naturais ao medir a quantidade de gordura que era dios delicados sushis, um dos itens mais tradicionais da culinária japonesa.

Jan-Hendrik Hehemann, da Universidade Pierre e Marie Curie - Paris 6, e colegas compararam dados dos genomas dos intestinos de 13 voluntários japoneses com 18 norte-americanos para descobrir a transferência de enzimas de bactérias do mar.

No Japão, algas marinhas não estão apenas nos sushis, mas são parte importante da cultura e da sociedade do país há muito tempo. Registros históricos mostram, por exemplo, que no século 8 algas eram usadas como moeda para pagamento de impostos devidos pelos cidadãos.

Segundo os cientistas, após vários séculos, o contato com microrganismos marinhos pelo consumo de algas deve ter aberto uma rota por

O consumo de alimentos produzidos em massa, muito calóricos, altamente processados e higiênicos, ou seja, isentos de micróbios pode não ser exatamente uma boa ideia. O motivo é que, com uma alimentação desse tipo, a microgerida e absorvida em cada caso. As algas apresentaram o melhor resultado.

Alginatos são comumente usados como espessantes ou estabilizantes em alguns tipos de alimentos. Segundo os pesquisadores, quando adicionados à massa de pães em testes cegos, os produtos resultantes foram considerados melhores do que o pão branco comum com relação à textura e gosto.

Obesidade é um problema que não para de crescer e muitas pessoas acham difícil seguir uma dieta ou um programa de exercícios físicos com o objetivo de perder peso, disse Brownlee.

Os alginatos têm um grande potencial para o uso no controle de peso e, quando adicionados oferecem a vantagem adicional de ampliar a quantidade de fibra, apontou.

A próxima etapa da pesquisa será verificar, por meio de experimentos com voluntários, se os resultados observados no laboratório podem ser reproduzidos em circunstâncias normais.

Verificamos que o alginato reduz significativamente a digestão de gorduras. Isso sugere que, se pudermos adicionar essa fibra natural a produtos sugeridos diariamente - como pão, biscoitos ou iogurte -, até três quartos da gordura contida nessa refeição podem simplesmente passar pelo corpo sem serem absorvidos, disse Brownlee.

A pesquisa é parte de um projeto de três anos financiado pelo Biotechnology and Biological Sciences Research Council, do Reino Unido.

Agência Fapesp