DENGUE BUTANTAN-DV Quase 8 mil profissionais de saúde de Mato Grosso, dos 142 municípios, receberam a vacina contra a dengue Butantan -DV antes de o imunizante ter a aplicação suspensa temporariamente pelo Ministério da Saúde. No Estado, 7.984 trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) foram vacinados até a última sexta-feira (5). A estratégia previa beneficiar 23,3 mil profissionais de saúde no Estado e, em uma segunda etapa, ampliar a vacinação para pessoas de 15 a 59 anos. Essa nova fase deveria ter início no segundo semestre deste ano. A suspensão foi reforçada pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) e adotada por precaução, após o registro de 42 casos com sinais de alerta em pessoas vacinadas no país.
Três ocorrências foram classificadas como graves, incluindo dois óbitos ainda em investigação. A SES não informou se algum profissional de Mato Grosso teve sintomas de alerta e apenas reforçou que o Ministério da Saúde não divulgou a localidade e as informações sobre os pacientes. Entre os sintomas relatados estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Até o momento, não há conclusão de causalidade entre os eventos registrados e a vacina. A Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos.
Desde então, mais de 1,3 milhão de doses foram disponibilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e, em Mato Grosso, a campanha foi iniciada em 2 de março, com 18.920 doses destinadas aos profissionais da saúde. Trabalhadora da saúde há mais de 16 anos, A.L.N., 46 anos, recebeu a dose no fim de março e conta que apresentou sintomas após a imunização. “Eu tive dores no corpo, febre moderada e muito mal -estar físico. Precisei de um pouco de repouso, mas tudo isso estava previsto como alguns sintomas da vacina”, relatou. Segundo ela, os sintomas começaram no dia seguinte à aplicação e também foram relatados por outros profissionais. “Muita gente sentiu também, mas, como nos foi explicado, essas poderiam ser algumas reações esperadas”, afirmou.
A secretária-adjunta de Atenção e Vigilância à Saúde da SES, Alessandra Moraes, orientou que os profissionais vacinados observem o estado de saúde por 21 dias após a aplicação. Em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou falta de ar, a recomendação é procurar atendimento médico imediato. No Estado, 7.984 trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) foram vacinados até a última sexta-feira (5) Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF MT aplicou quase 8 mil vacinas
OUTRO IMUNIZANTE Suspensão não atinge doses para menores
A suspensão temporária anunciada pelo Ministério da Saúde não atinge a vacina Qdenga, produzida por laboratório japonês.
O imunizante continua disponível nos postos de saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em esquema duas doses com intervalo de 3 meses entre elas. A população de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos no Estado é estimada em cerca de 350 mil a 400 mil pessoas. A vacina possui eficácia de 60,8% para os quatro sorotipos vivos do vírus e registra uma redução de 93% para o risco de dengue grave e uma redução de 80,3% para as hospitalizações pela doença. COMBATE Neste ano, Mato Grosso tem mais de 7,7 mil casos confirmados de dengue, com sete mortes e outras 12 em investigação conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde. A vacina é só mais uma aliada no combate à dengue, e a principal forma de combate continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A orientação é manter quintais limpos, tampar caixas d’água, descartar corretamente o lixo, limpar calhas e evitar o acúmulo de sucata, entulho ou qualquer recipiente que possa acumular água.
Em Mato Grosso, o Hospital Universitário Júlio Müller recrutou e acompanhou cerca de 1,3 mil voluntários em Cuiabá e Várzea Grande para os ensaios clínicos da vacina Butantan-DV. Cor Jesus, médico pesquisador e um dos coordenadores da pesquisa explica que não houve eventos adversos graves durante os ensaios clínicos, apenas sintomas leves causados como qualquer outro imunizante. “No Brasil, houve 16 mil ensaios clínicos e todos dentro da normalidade. Esse estudo ocorreu em um período de 5 anos e hoje estamos vivenciando a última fase do estudo, que é aquela fase quando o produto chega às unidades de saúde. Com milhares de pessoas se vacinando, apareceu esses eventos graves que estão sendo investigados”. Segundo Cor Jesus, a interrupção do imunizante ocorre de forma temporária pelo fato das mortes terem ocorrido dentro da janela de tempo de 21 dias.
“Se for confirmado que as mortes estão realmente associadas ao imunizante, a vacina vai precisar ser revista e suspensa definitivamente”. Ele explica que as pessoas que se vacinaram a mais de 21 dias não devem se preocupar, pois já passou da fase de risco. Cor Jesus ressalta ainda que vê com tristeza esses eventos graves, pois durante todo o período dos ensaios clínicos o imunizante foi aval iado como um produto seguro e eficaz. “Essas mortes podem ter ocorrido por outros fatores, por isso é importante a investigação e a informação, pois essa notícia pode causar retrocesso na falta de adesão à vacinação e isso preocupa”. Pesquisador e um dos coordenadores da pesquisa, Cor Jesus explica que não houve eventos adversos graves durante os ensaios clínicos, apenas sintomas leves causados como qualquer outro imunizante