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Amazonas Atual

MPF apura ações para evitar ataques de morcegos no interior do Amazonas

Publicado em 30 novembro 2017

Por Cleber Oliveira

Por Henderson Martins, da Redação

MANAUS – O MPF (Ministério Público Federal) abriu inquérito civil, nessa quarta-feira, 29, para apurar as medidas adotadas pelo poder público para garantir a saúde dos ribeirinhos, em especial à contenção de ataques de morcegos a humanos na Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini, em Barcelos, município a 399 quilômetros de Manaus.

Na Portaria n° 44, de 22 de novembro de 2017, o procurador Fernando Merloto Soave aciona a Prefeitura de Barcelos, a Susam (Secretaria de Estado da Saúde), o ICMBIo (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), gestor da Resex de Unini, e ao Ministério da Saúde.

“Esses órgão devem tomar ciência e prestar informações atualizadas a respeito das medidas adotadas em relação aos ataques de morcegos na Resex do Rio Unini, Barcelos, bem como para implementação da PNSIPCF (Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas) na região”, diz o promotor.

Fernando Merloto disse que é garantido aos povos tradicionais ribeirinhos o acesso à atenção integral à saúde, conforme com os princípios e diretrizes do (SUS) Sistema Único de Saúde, contemplando a diversidade social, cultural, geográfica, histórica e política. “O PNSIPCF tem o objetivo de garantir o direito e o acesso à saúde por meio do SUS, considerando seus princípios fundamentais de equidade, universalidade e integralidade, bem como abrindo caminhos para incluir as peculiaridades, especificidades e necessidades em saúde dos trabalhadores rurais, dos povos da floresta e comunidades tradicionais” explica Soave.

O promotor de justiça explica que há necessidade de vacinação antirrábica humana a todas as pessoas que foram agredidas por morcegos, bem como monitoramento de novas agressões. Segundo Soave, há necessidade, ainda, de um estudo para identificar as possíveis alterações de comportamento e alimentação destes animais.

Raiva

Uma pesquisa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) mostra que a quantidade de morcegos-vampiros, que transmitem raiva e preocupam agropecuaristas, pode aumentar no Brasil e nas Américas por conta do crescimento das populações de outro animal: o javali.

O estudo evidencia que o sangue de porcos ferais (porcos selvagens) é alimento de morcegos-vampiros. O crescimento da população dos dois animais pode ampliar o impacto no meio ambiente e na agropecuária.

Segundo a pesquisa da Fapesp, das cerca de 1,2 mil espécies de morcegos no planeta, apenas três – todas das Américas – alimentam-se exclusivamente de sangue.

Conforme a pesquisa, na Mata Atlântica, cerca de 1,4% dos morcegos-vampiros apresenta o vírus da raiva. Na Amazônia peruana, essa proporção pode chegar a 10%. A transmissão de raiva por vampiros é uma das maiores preocupações dos pecuaristas no Brasil, mesmo nas regiões onde o gado é vacinado. Mas animais selvagens, o que inclui os porcos ferais, não são vacinados, criando um potencial elevado de disseminação da doença.