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MP quer site ligado a jogos de crimes fora do ar

Publicado em 11 fevereiro 2006

Por Marcelo Portela/Estado de Minas
Roubos, extorsões, exploração de prostitutas, tráfico de armas e drogas. A lista poderia fazer parte do currículo de qualquer quadrilha do crime organizado. No entanto, essas atividades, no caso, não fazem parte de nenhum volumoso processo criminal ou operação policial e são apenas algumas das opções disponíveis para internautas ligados no jogo The crims, uma das atuais febres virtuais da internet. O jogo é o mais novo alvo do Ministério Público Federal, que estuda a possibilidade de entrar com ação para retirar do ar as páginas do site.
O The crims é um dos jogos de interpretação online e massivo para múltiplos jogadores (massive multiplayer online role-playing game ou MMORPGs, no original em inglês), que consiste em um mundo virtual para internautas. Este tipo de jogo vem causando grande procura em todo o mundo, principalmente entre jovens, e movimenta consideráveis quantias financeiras. Mas The Crims tem um diferencial: Ao contrário da maioria dos MMORPGs, que usam histórias medievais ou fantásticas, o jogo é totalmente voltado para o crime. Na tarde de sexta-feira, havia mais de 10 mil jogadores conectados. "Este site é perigoso porque mostra os crimes e ensina como fazê-los", observa o procurador da República Fernando de Almeida Martins, que prepara ação judicial para tentar retirar o site do ar no Brasil.
Apesar de estar em português, o site não é hospedado no Brasil e tem mais 17 opções de línguas. "Vamos verificar com a FAPESP a possibilidade de bloquear o site hospedado em outro país. Mas podemos tentar proibir os sites nacionais que façam menção ou ligação ao jogo", ressalta o procurador. FAPESP é a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, responsável pelo comitê gestor da internet no Brasil.
Fernando Martins afirma que, por meio da Polícia Federal, pretende enviar informações sobre o site para a Interpol e o FBI, para que também investiguem o portal. "O site incentiva o uso de drogas, ensina a roubar e faz uma apologia ao crime. Sei que a proibição é polêmica, pode ser tida como censura, mas a liberdade de expressão não é absoluta. Ela não pode passar por cima de outros direitos", avalia.
O procurador é o responsável por ações que já resultaram na proibição de nove jogos de videogame que faziam apologia à violência e tenta a proibição de um título de RPG (role-playing game) que a polícia e o Ministério Público acreditam estar relacionado com três casos de assassinatos, além de ser autor de ações que retiraram do ar sites de pedofilia. Segundo Fernando Martins, depois de ter conhecimento do site ao ser procurado pelo tio de um adolescente, o The crims tornou-se sua prioridade. "As pessoas que acessam este tipo de site são jovens, que podem estar a um passo de sair da fantasia para a realidade", alerta.