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Correio do Estado (Campo Grande, MS)

Movimento pretende liderar participação do setor empresarial na construção do Plano Brasileiro 2020

Publicado em 17 maio 2011

Representantes de institutos, organizações, empresas, sociedade civil e pequenas comunidades se reuniram no mês de abril, em Brasília, para iniciar o diálogo com o governo sobre a biodiversidade e a responsabilidade de construir as metas brasileiras para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade até 2020. O MEB vai liderar a participação do setor empresarial no processo.

O evento lançou o processo de discussão das metas brasileiras para cumprimento do plano estratégico da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), da ONU, que engloba o período de 2011-2020. Participaram do encontro representantes da IUCN, da WWF Brasil, Ipê, Fapesp, Ipea, MEB e do Ministério do Meio Ambiente.

Caio Magri, gerente de Políticas Públicas do Instituto Ethos, representante do Movimento de Empresas pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade (MEB), explicou que as 70 organizações que aderiram ao Movimento assumiram metas voluntárias a favor da biodiversidade.

"As empresas assumiram oito metas voluntárias. Uma delas é a de contribuir com a criação das estratégias brasileiras para 2020". Para ele, o setor privado tem papel fundamental na hora de discutir o tema. "Nosso movimento quer dialogar, solicitar marcos regulatórios que viabilizem o uso sustentável da biodiversidade", explica.

Magri comenta que as metas mundiais estabelecidas na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) devem ser adaptadas para o Brasil. "As metas mundiais já foram estabelecidas, agora temos que ser audaciosos para tropicalizá-las e mudar os patamares para adequar as metas à realidade de nosso país", afirma.

Outro ponto enfatizado por Magri foi a criação da Lei de Biodiversidade. "Estamos em um momento único e estratégico para a criação de um Estatuto da Biodiversidade. Sugiro que se organize um Fórum da Biodiversidade para ampliarmos as discussões sobre o tema", concluiu.

Ao abrir os debates, Luiz Fernando Merico, coordenador nacional da IUCN Brasil, explicou que é preciso correr contra o tempo para não chegar a 2020 com os mesmos resultados alcançados em 2010. "As metas que foram propostas para 2010 não foram totalmente alcançadas. Temos que discutir as estratégias brasileiras para a biodiversidade para que em 2020 nós já tenhamos conseguido bater todas as metas", explica.

O Secretário de Diversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, concorda e enfatiza a importância dos países para a elaboração dos planos estratégicos a favor da biodiversidade. "Ficou acordado na última reunião dos membros da CDB, em Nagoya, que cada país ficará responsável por rever suas estratégias e também fazer um mapeamento nacional de como aplicá-las", afirma.

Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF Brasil, citou uma das metas fracassadas no país. "Avaliação do cumprimento das metas brasileiras de 2010 mostrou que a proposta de zerar o desmatamento da Mata Atlântica não foi cumprida", revela. Maretti ainda comenta que as mudanças climáticas e a biodiversidade brasileira estão diretamente ligadas.

Para Suzana de Pádua, presidente do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), o Brasil vive um momento único para liderar essa grande corrente a favor do crescimento sustentável e da conservação da biodiversidade. "A nossa fauna, flora, espécies, nos colocam em posição de destaque para proteger esses recursos. Esse é um momento para decisões que vão se refletir no que vamos colher no futuro próximo" afirma. Um sistema de caracterização e identificação criado em 1999 pela FAPESP e utilizado no Estado de São Paulo foi apresentado por Carlos Joly, coordenador do programa BIOTA da Fapesp. Ele explicou que o BIOTA já tem alguns números positivos para apresentar e enfatizou algumas melhorias.