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Movimento AntiSPAM e iG entram em guerra

Publicado em 24 outubro 2000

Por Sandra Carvalho
SÃO PAULO - O iG entrou e saiu de uma lista negra americana antispam em cinco dias, mas se viu envolvido numa polÊmica que pode durar muito mais tempo. Tudo começou quando o iG, por distração, ignorou os e-mails de advertência do Mail Abuse Prevention System, o temido MAPS, com sede em Redwood City, na Califórnia, que pedia providências contra malhos comerciais indesejados. O primeiro e-mail foi enviado em agosto, outro em 13 de outubro, com um ultimatum. Nenhum dos dois foi respondido. Resultado: o MAPS, que não brinca em serviço, colocou o iG em sua lista negra, a Realtime Blackhole List, no dia 19. Com isso, e-mails do iG foram bloqueados por vários serviços de e-mail, principalmente pelos americanos. O HotMail, da Microsoft, por exemplo, o maior do mundo, segue à risca o bloqueio do MAPS. No dia 20, vários sites noticiaram a entrada do iG na lista negra. Entre eles, o do site do Movimento AntiSPAM Brasileiro, uma das vozes mais ativas contra o spam no país. No próprio dia 20, o vice-presidente de Tecnologia do iG, Demi Getschko, um dos membros do Comitê Gestor da Internet no Brasil, observou que os dados desse movimento eram todos de Miami, estando em desacordo com as regras da Internet brasileira que ele próprio ajudou a fazer. E tomou uma providência que está no centro da polêmica atual. Demi sugeriu ao hostmaster da Fapesp, segundo ele próprio diz, o congelamento do domínio do Movimento AntiSPAM brasileiro até a regularização de sua situação. De acordo com ele, estava agindo como pessoa física, não como membro do Comitê Gestor. O resultado disso, segundo afirma o Movimento AntiSPAM brasileiro em seu site, foi o cancelamento do domínio do site, por influência de Demi. Seja como for, o site ainda está no ar. E fazendo uma montanha de acusações pesadas ao iG. Para ficar por dentro dos detalhes, clique aqui. Com os americanos do MAPS, aparentemente foi mais fácil resolver as coisas. Conforme diz Demi, depois de falar ontem à noite por duas horas com eles, o iG saiu da lista negra. Para tanto, o portal se comprometeu a tomar várias providências necessárias para coibir o spam - e, de quebra, melhorar suas condições de segurança. Até agora, o iG tem atuado como provedor de acesso anônimo. Isso vai acabar, segundo Demi, em um mês ou um mês e meio. O iG também se comprometeu com o MAPS a resolver qualquer problema de spam em um dia, e a reforçar o pessoal que cuida de seu serviço abuse. "Nós temos uma conta abuse, mas não estávamos dando a ela a atenção devida", diz Demi. O complicado dessa história toda é um site do bem, e não do mal, pode acabar. Será que não haveria uma outra saída para que o resultado desse imbróglio fosse positivo?