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Jornal da Tarde online

Motorola, um caso de rápida decadência

Publicado em 16 agosto 2011

Por Fernando Scheller

A compra da divisão de telefonia móvel da Motorola pelo Google representou a conclusão de uma trajetória descendente da ex-gigante americana ao longo dos últimos cinco anos. A empresa foi duramente afetada pelo surgimento dos smartphones e de concorrentes como a Apple, criadora do iPhone, e a Research In Motion (RIM), do BlackBerry.

A redução da relevância da empresa nos últimos anos fica evidente nos números de participação no mercado mundial de celulares, segundo dados da consultoria internacional IDC. Em cinco anos, a Motorola viu sua fatia cair em 87%: em 2006, a companhia vendia 24,1% dos celulares e smartphones do mundo. No ano seguinte, a participação caiu para 13,9%; em 2008, foi para 8,4%; em 2009, para 4,7%; e, em 2010, para 2,7%.

As perspectivas, segundo analistas do mercado de tecnologia, não eram boas. Havia quem apostasse que, caso não fosse comprada, a participação da Motorola ficaria em menos de 2% até o fim deste ano, apesar de experiências pontuais positivas no segmento de smartphones, já com o uso do sistema operacional do Google, o Android. Com a parceria, a fatia da Motorola no setor de smartphones chegou a subir no ano passado, atingindo 4,6%.

Nos últimos anos, a avaliação do mercado é de que a empresa se tornou uma "seguidora" em termos de tecnologia, sempre correndo responder às inovações já feitas pela concorrência. Com isso, a empresa falhou em fixar seus produtos como sonho de consumo na cabeça do consumidor, a exemplo do que fez a Apple. "Hoje, se alguém tiver de escolher entre uma cópia chinesa ou um Motorola, provavelmente escolherá a cópia", afirma Luis Fernandez Lopez, coordenador do programa de Tidia da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).