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Mostra homenageia Nelson Pereira dos Santos

Publicado em 07 fevereiro 2017

Nome que bem resume a História do cinema brasileiro, Nelson Pereira dos Santos será o homenageado da próxima mostra realizada no Cine Caixa Belas Artes, em São Paulo, entre os dias 9 e 22 de fevereiro. Prestes a completar 90 anos de vida e 69 de carreira, o primeiro diretor de cinema imortal da Academia Brasileira de Letras terá grande parte de sua rica obra exibida no cinema, com direito a debates, masterclass e sessão comentada do filme “Cinema de Lágrimas”. Entre os marcos cinematográficos do diretor, serão apresentados “Rio Zona Norte”, “Boca de Ouro”, Vidas Secas” e “Memórias do Cárcere”, entre outros. A mostra Simplesmente Nelson pretende ser a mais completa já realizada em homenagem ao cineasta, com a exibição de 30 produções.

Sua vasta filmografia inclui diversas adaptações literárias, documentários, filmes de encomenda, minisséries e obras que influenciaram a geração que viria a criar o movimento do Cinema Novo. Não só todos os filmes dirigidos por Nelson estarão na programação, mas também obras em que atuou como editor (“Barravento”, de Glauber Rocha), assistente de direção (“O Saci”, de Rodolfo Nanni; e “Agulha no Palheiro”, de Alex Viany), e produtor (“O Grande Momento”, de Roberto Santos). Além disso, serão mostrados filmes em que Nelson é retratado: “Nelson Filma”, de Luiz Carlos Lacerda; “Como se Morre no Cinema”, de Luelane Loiola Corrêa.

Os filmes serão exibidos em 35mm, DCP, Bluray e/ou DVD. Será promovida uma mesa de debate com o cineasta Luiz Carlos Lacerda (Bigode), o ator e cineasta Carlos Alberto Riccelli e a curadora Silvia Oroz, no dia 9, às 20h, com entrada franca. Silvia também participará, no dia 11, da Sessão Comentada do filme “Cinema de Lágrimas”, na qual falará sobre a experiência de trabalhar ao lado de Nelson Pereira dos Santos. E no dia 18, a pesquisadora Angélica Coutinho apresentará a masterclass “Nelson Pereira dos Santos e a literatura”. As inscrições podem ser feitas a partir do dia 9 pelo e-mail inscricaosn@gmail.com. As vagas são limitadas.

Os últimos 60 anos do Brasil foram registrados, de certa maneira, pelo olho do diretor Nelson Pereira dos Santos. Desde os meninos de rua, a seca do Nordeste, a ditadura Vargas, a cultura popular, a baixa umidade do ar em Brasília etc. O cinema de Nelson apresenta uma nova estética ao cinema brasileiro: com vida, sem glamour, sem estrelas. Filmando nos lugares naturais, sua câmera atua não só como testemunha, mas também como protagonista, tomando partido pelos mais fracos e esquecidos. Seu cinema o coloca em pé de igualdade com os mestres do neo-realismo italiano Roberto Rosellini e Vittorio de Sica.

Um praticante avant la lettre do Dogma Feijoada

Em 2000, Jeferson De, então um jovem estudante de cinema da ECA-USP, realizava, além de seus primeiros exercícios cinematográficos, pesquisa sobre a rarefeita presença do negro na cinematografia brasileira. Com Bolsa Fapesp e sob orientação do professor Carlos Augusto Calil, ele resolveu estabelecer, em sete mandamentos, o “Dogma Feijoada – Gênese do Cinema Negro Brasileiro”. Inspirado, claro, no Dogma 95, tábua com dez mandamentos cinematográficos lançados por grupo dinamarquês liderado por Lars Von Triers.

Dos sete itens propostos por Jeferson, hoje respeitado cineasta profissional, destacamos três: “O protagonista do filme deve ser negro. Personagens estereotipados negros (ou não) estão proibidos. O roteiro deverá privilegiar o negro comum brasileiro (super-heróis ou bandidos deverão se evitados)”.

Quarenta e cinco anos antes, Nélson Pereira dos Santos praticara, em seus dois primeiros longas-metragens – “Rio 40 Graus” (1955) e “Rio Zona Norte” (1957) – a essência das propostas do Dogma Feijoada. Colocara em prática, também, reivindicação de atores afro-brasileiros, que cobram de nossos teledramaturgos a criação de tramas protagonizadas por personagens negros. Personagens complexos, matizados e, com muita pertinência, que tenham famílias. Atores negros poderão interpretar, sim, escravos, trabalhadores domésticos e até bandidos, desde que tais personagens tenham espessura existencial. Subjetividade, enfim.

“Rio 40 Graus”, o primeiro longa de Nélson, é um filme coral, portanto, com dezenas de personagens. Boa parte deles, negros. A começar pelas cinco crianças que descem do morro rumo ao asfalto para vender amendoim. Algumas delas têm famílias. E seus familiares trabalham (ou não), discutem seus problemas, amam, se divertem na Escola de Samba do Cabuçu ou num jogo no Maracanã. Uma das protagonistas, a bela Alice (Cláudia Morena), prefere um noivo negro, Alberto, ao insistente Miro (Jece Valadão). Ao ser coroada Rainha da Escola de Samba, Alice receberá a coroa das mãos do grande sambista Alvaiade, representante da Portela.

Num dos momentos mais ternos do filme, um dos meninos-vendedores de amendoim brinca com sua lagartixa (a Catarina) num zôo (do qual será, em seguida, expulso por um guarda). Outro deles viverá experiência especial: um grupo de turistas registra seu passeio em fotos ambientadas em cartões postais do Rio. Um dos turistas entregará a câmara ao moleque, para que faça a foto coletiva do grupo. O menino desempenhará a função com grande prazer e eficiência.

Zé Keti, compositor da música (“Eu Sou o Samba”) que embala o filme, também é um dos atores de “Rio 40 Graus”. E será a principal fonte de inspiração de “Rio Zona Norte”.

Vale lembrar que Zé Kéti era, além de “ator” e fonte de inspiração de Nelson, um dos integrantes do importante coletivo que transformou em realidade os dois primeiros filmes da Trilogia do Rio (“El Justicero” seria o “Rio Zona Sul”?). O grupo, formado por Nelson, Jece Valadão, Hélio Silva, Guido Araújo, Olavo Mendonça e Zé Kéti, dividia modesto apartamento (e as tarefas domésticas) na Zona Norte do Rio.

O coletivo ganhou até nome – Equipe Moacyr Fenelon – em homenagem a um dos fundadores da Atlântida (junto com Alinor Azevedo, Arnaldo Farias e os Irmãos Burle). Fenelon (1903-1953), diretor de “Dominó Negro” e “Tudo Azul”, morrera no ano anterior.

“Rio Zona Norte” tem um protagonista absoluto: o compositor Espírito Santo da Luz, interpretado com raça e paixão por Grande Otelo. Sua história será relembrada em retrospectiva (ele sofre grave acidente de trem e agoniza no hospital). E o que foi o desenrolar da vida deste sambista? Quais eram seus sonhos? Fazer sucesso, comprar uma casa para ele, a amada Adelaide e o filho Norival. Mas o garoto acabou fugindo do internato, se envolvendo com o crime e morrendo na frente do pai. O radialista Maurício (Jece Valadão) se apropria dos sambas de Da Luz. Adelaide abandona o compositor. No leito do hospital, só uma visita: a de um músico erudito, grande admirador do sambista. Ângela Maria, a Sapoti, tem participação destacada no filme. Zé Kéti desempenha um pequeno papel.

Nelson Pereira realizará, ainda, dois filmes protagonizados por negros: “Tenda dos Milagres” (1977) e “Jubiabá” (1986). E fará da cultura negra, mais especificamente da umbamba, a força motriz de “Amuleto de Ogum” (1974). E dedicará um curta ao amigo e compadre sambista: “Meu Compadre Zé Kéti” (2001).

Alinor Azevedo, o pioneiro – O interesse de Nelson pela cultura negra vem de sua formação política (nos quadros do Partido Comunista Brasileiro, no qual militou na juventude), de suas leituras (Castro Alves, Jorge Amado e a Geração do Romance de 30, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda) e de suas próprias vivências.

Nascido e criado em São Paulo (Nelson só radicou-se no Rio aos 22 anos), ele foi morar, temporariamente, na casa de um dos criadores da Atlântida, o roteirista Alinor Azevedo (1914-1974). Quando chegou à então capital federal, o aspirante a cineasta foi assistente de Alex Viany em “Agulha no Palheiro” (1951). Seu trabalho seguinte, ainda como assistente – “Balança mas Não Cai” (Paulo Wanderley, 1952/53) – tinha Alinor como roteirista.

Na tumultuada trajetória do audiovisual brasileiro, há que se atribuir ao carioca Alinor Azevedo papel de devotado (e pioneiro) defensor da presença do negro nas histórias e créditos de nossos filmes.

Sua devoção à causa encontrou em perfil jornalístico de Grande Otelo, assinado por Samuel Wainer (“Revista Diretrizes”/1941), fonte seminal. Grande jornalista (e futuro criador do jornal “Última Hora”), Wainer emocionou seus leitores, em especial o engajado grupo da Atlântida.

Alinor, que admirava Grande Otelo (1915-1993), resolveu, inspirado na reportagem, escrever o roteiro de “Moleque Tião”. O filme tornou-se a primeira produção da Atlântida (empresa que se propunha, segundo seu manifesto, redigido por Alinor e Arnaldo Farias, a realizar filmes sintonizados com a realidade brasileira). Seu diretor, José Carlos Burle, contou com a fotografia de Edgard Brazil (o mesmo de “Limite”) e com elenco liderado pelo próprio Grande Otelo (que interpretou sua própria história). Lançado em 1943, o filme, que contava com importantes nomes da música brasileira (Custódio Mesquita, Nélson Gonçalves), teria alcançado significativo sucesso. Mas dele nada restou. Nem um fotograma.

O roteirista de “Moleque Tião” escreveu outra história para protagonista negro: “Também Somos Irmãos” (José Carlos Burle, 1949, também fotografado por Edgard Brazil). No caso, são dois protagonistas negros: Grande Otelo, na pele de um malandro, e Aguinaldo Camargo, seu irmão, advogado metódico e cumpridor de regras. Crianças, eles haviam sido adotados por um cinquentão branco. Um seguiu o bom caminho, mas apaixonou-se pela “irmã” (além dos meninos negros, o comendador adotara duas crianças brancas). Mesmo formado em Advocacia, e corretíssimo em sua vida pessoal, o irmão do malandro foi vítima de cruel racismo.

“Também Somos Irmãos” causou grande impacto no Brasil, naquele final de anos 1940. E tudo indica que história semelhante (e menos melodramática, claro!), causaria debate ainda hoje (vide o artigo da antropóloga e professora da USP, Lilian Schwarz, publicado no Aliás-Estadão-01-01-2017, no qual ela pergunta: “Até quando o Brasil vai ignorar o país racista que é?”).

O destino de “Também Somos Irmãos” foi menos trágico que o de “Moleque Tião”. Ele passou décadas sumido. Era dado como desaparecido para sempre, até que foi localizada cópia em 16 milímetros, no Instituto Lula Cardoso Ayres, no Recife (em 1995). O professor Robert Stam, da Universidade da Califórnia – Los Angeles (UCLA), grande estudioso da presença do negro no cinema brasileiro, sonhava conhecer “Moleque Tião” e “Também Somos Irmãos”. Pôde regressar ao Brasil para ver ao menos o segundo.

Prova do empenho de Alinor Azevedo em dar destaque a tramas que valorizam personagens (e atores) negros está presente na dissertação de mestrado do pesquisador e professor universitário Luís Alberto Rocha Melo (“Argumento e Roteiro: O Escritor de Cinema Alinor Azevedo”), aprovada com louvor, pela Universidade Federal Fluminense, em 2006.

Alinor (em depoimento ao Museu da Imagem e do Som-Rio, em agosto de 1969, referindo-se ao processo de roteirização de “Assalto ao Trem Pagador”) testemunhou: “Roberto Farias construiu a fita, escreveu toda ela. Então, eu ouvi (esta) história e fiquei anotando algumas coisinhas rapidamente, enquanto ele lia. Quando acabou, eu disse: ’o principal disso tudo você não fez. É este contraste do negro e do branco’. Os negros assaltantes são pobres, tão miseráveis, tão favelados que não podem gastar o dinheiro do assalto. Isto é o mais importante nessa fita, porque fitas de assaltos existem milhares, mas com essa nuance é uma coisa fora do comum. (…) O único que pôde gastar foi o branco (personagem de Reginaldo Farias), que diz para o Tião Medonho (Eliézer Gomes): ’eu posso gastar, porque sou branco, eu tenho olho azul!’. Aquele diálogo foi meu”.

Jorge Amado – Depois de uma série de filmes, que vai de “Mandacaru Vermelho” (1960), passa pela obra-prima “Vidas Secas” (1963) e chega ao ciclo de Paraty (com os “neo-barrocos” “Fome de Amor”, “Azyllo muito Louco”, “Como Era Gostoso o meu Francês” e “Quem é Beta?”), Nelson decidiu mergulhar na umbanda para entender o Brasil que sobrevivia em nossas periferias (no caso, a Baixada Fluminense). Nasceu, então, o vibrante “Amuleto de Ogum”. O realizador paulistano-carioca reencontrava uma das mais fortes vertentes de seu trabalho (a cultura afro-brasileira).

E o reencontro foi tão revigorador, que ele resolveu levar para o cinema um dos romances de Jorge Amado mais ligados à cultura e religiosidade negras: “Tenda dos Milagres”. Para protagonizar o filme convocou dois afro-brasileiros: o cantor e compositor Jards Macalé (que interpretara um cego-cantador-desbocado em “Amuleto de Ogum”) e o artista plástico baiano Juarez Paraíso. Os dois deram vida ao bedel Pedro Archanjo (Macalé na juventude, e Paraíso, na maturidade). Archanjo é um defensor juramentado de seus ancestrais africanos, disposto a enfrentar o professor catedrático e racista Nilo Argolo (Nildo Parente). E enfrenta-o com suas reflexões editadas em pequena tipografia, a Tenda dos Milagres, de Lídio Coró. Pagará caro por suas ideias, pois será expulso da Universidade ao provar que Argolo tem origem africana. Origem que escondia por vergonha.

Dali em diante, Archanjo viverá, pobre e envelhecido, da ajuda de filhos do Candomblé, de capoeiristas e de prostitutas. Até que chegue a Salvador o professor norte-americano James D. Linvingstone, detentor de um Prêmio Nobel, e declare: “Vim conhecer a terra de Pedro Archanjo, um dos maiores cientistas sociais do mundo”.

Nelson voltará ao universo de Jorge Amado com a adaptação de “Jubiabá”, realizada em parceria com os franceses. Para viver Jubiabá, o pai de santo que nomeia o livro, o cineasta escalou o intérprete de Espírito Santo da Luz, Grande Otelo. Jubiabá é padrinho do menino Ubaldo (Antônio José Santana). O garoto perde a família e torna-se agregado na mansão de um rico comendador, pai de Lindinalva, até ser expulso. Adulto (e interpretado por Charles Baiano) torna-se lutador de boxe. Reencontrará Lindinalva (interpretada pela francesa Françoise Gussard), a quem sempre amou, dedicada à prostituição (primeiro a de alto luxo), pois a família tudo perdera.

Nelson não fará mais nenhum filme protagonizado por personagem negro, após “Jubiabá”, mas mergulhará na vida e obra de grandes estudiosos do Brasil mestiço, em especial Gilberto Freyre, a quem dedicou a série de TV “Casa Grande & Senzala” (destaque para o episódio “O Escravo Negro na Vida Sexual e de Família do Brasileiro”).

Em compensação, em sua mais recente obra-prima – o documentário “A Música segundo Tom Jobim”, parceria com Dora Jobim (2013) – reuniu um dos maiores elencos musicais da história do cinema, muitos deles, pretos: Errol Garner (em estado de iluminação), Agostinho dos Santos, Henri Salvador, Dizzie Gillespie, Ella Fitzgerald, Milton Nascimento, Alaíde Costa, Sarah Vaughan, Sammy Davis Jr. e Carlinhos Brown.

Para homenagear Zé Keti (1921-1999) Nelson realizou, com produção da Videofilmes, um curta de apenas 12 minutos, no qual cantores e compositores relembram o criador de “A Voz do Morro”, “Opinião”, “Máscara Negra” e “Diz que Fui por Aí”.

Waldir Onofre – O novo cinema black brasileiro tem, portanto, em três brancos (Alinor Azevedo, Nelson Pereira dos Santos e o Cacá Diégues, diretor de “Ganga Zumba”, “Xica da Silva” e “Quilombo”, e produtor de “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós mesmos”) seus parceiros de caminhada.

Vale lembrar que Nelson foi, inclusive, o produtor de “Aventuras Amorosas de um Padeiro” (1975), primeiro (e único) longa-metragem do ator negro Waldir Onofre (1934-2015), presente em muitos de seus elencos. E que montou filmes como “Barravento”, de Glauber Rocha /1961 (protagonizado pelas duas maiores estrelas negras do Cinema Novo, Luíza Maranhão e Antônio Pitanga) e um dos episódios de “Cinco Vezes Favela” (CPC-UNE, 1962).

Cacá Diégues, um dos jovens diretores do filme cepecista, gosta de lembrar que Nelson foi mais que o montador de um dos episódios (o de Leon Hirszman, o eisensteiniano “Pedreira de São Diogo”). Foi o “conselheiro de finalização” de todos os que estreavam naquele filme coletivo.

Por fim, há que se registrar que o paulistano NPS não realizou um de seus maiores sonhos, o épico “Guerra e Liberdade”, que contaria a passagem de Castro Alves, o poeta dos escravos, por São Paulo. O poeta baiano, como Nelson, estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. A quase totalidade da obra do cineasta teve o Rio, o Nordeste (em especial a Bahia), Brasília, a Baixada Fluminense e Paraty como cenários. São Paulo não foi capaz de viabilizar o sonho de um de seus filhos mais ilustres.

Mostra Simplesmente Nelson
Programação completa:
www.caixa.gov.br/caixacultural
Data:
de 9 a 22 de fevereiro
Local: Caixa Belas Artes – Sala Aleijadinho – Rua da Consolação, 2423 – (11) 2894-5781
Ingressos: R$ 10,00 inteira e R$ 5 meia
Bilheteria: Das 13h até 20 minutos após o início da última sessão
Lotação: 144 lugares
Horários: 16h (todos os dias), 18h30 (todos os dias) e 23h30 (aos sábados)
Acesso para pessoas com deficiência

Por Maria do Rosário Caetano