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Gazeta RS

Mosquito borrachudo prolifera nas áreas urbanas e no interior

Publicado em 12 setembro 2017

A proliferação do mosquito borrachudo é comum antes da chegada do verão e por isso as autoridades ambientais realizam anualmente um calendário de prevenção e combate ao inseto. Aplicações de BTI – um bioinseticida desenvolvido a partir de uma bactéria específica para controlar insetos e que não prejudica a saúde das pessoas, dos animais e das plantas – visam evitar o deslocamento dos borrachudos, que podem inclusive proliferar de um município para o outro.

A incidência dos borrachudos chama a atenção não somente de quem mora em áreas mais arborizadas, próximo a arroios ou na colônia, isso porque o borrachudo está por toda a parte. O frio é um dos métodos de controle do mosquito, mas já que tivemos poucas horas de frio no de 2017, a expectativa é de que não haja queda populacional.

Diferente do mosquito Aedes aegypti – vetor de doenças como dengue, chikungunya e zika vírus, e que precisa de água parada para se reproduzir, o borrachudo se procria em água corrente.

O ciclo de vida do borrachudo ocorre em ambientes diferentes: no terrestre se desenvolve o adulto alado; e no aquático são encontrados ovos e larvas. A duração de cada estágio do ciclo de vida está na dependência de inúmeros fatores, como espécie, temperatura e alimentação disponível. Adultos podem sobreviver até 39 dias.

Em baixas temperaturas, de 8°C a 10°C, as fêmeas adultas permanecem em letargia. Só a partir de 12°C a 15°C começam a atividade de voo. Com a ajuda do vento, a capacidade de voo do adulto pode chegar a até 100 quilômetros, transferindo-se de um local para outro.

Pesquisadores afirmam que inseto pode espalhar vírus perigoso

Um oropouche é um novo vírus de ampla distribuição no Brasil e em outros locais da América do Sul, Central e no Caribe que pode ser transmitido através do borrachudo. Segundo o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, o vírus é preocupante porque já se adaptou ao meio urbano e tem chegado cada vez mais próximo das grandes cidades brasileiras.

O oropouche pertence à categoria arbovírus (vírus transmitido por um mosquito), causando febre aguda e, eventualmente, meningite e inflamação do encéfalo e das meninges (meningocefalite). O pesquisador informou ainda que existem mais de 500 mil casos de febre do oropouche registradas nas últimas décadas.

O que mais preocupa é que o vetor desse vírus é o Culicoides paraenses, popularmente conhecido como o borrachudo. Assim, o número de casos da doença deve crescer cada vez mais, uma vez que o vírus está deixando de se restringir aos pequenos vilarejos da Amazônia e agora está se alastrando pelas grandes cidades do país.

Situação no Brasil

Por aqui, o vírus foi isolado em aves no Rio Grande do Sul, em um macaco sagui em Minas Gerais e foi encontrada a presença de anticorpos neutralizantes (que se ligam ao vírus e sinalizam ao sistema imune que destrua aquele corpo estranho e o impeçam de completar a infecção com sucesso) em primatas em Goiânia, de acordo com a Agência FAPESP.

Os pesquisadores da faculdade já tinham identificado 128 casos da doença em 2002, em Manaus, e os sintomas eram típicos de uma infecção, como febre aguda, dores nas articulações, na cabeça e atrás dos olhos.

Controle do Borrachudo em Bento Gonçalves

O programa de controle ao borrachudo é feito em todo o interior de Bento Gonçalves e em alguns bairros onde passam arroios como, por exemplo, no Barracão, por meio da Vigilância Ambiental. O programa é feito em parceria com os subprefeitos nos distritos de Vale dos Vinhedos, Faria Lemos, Tuiuti e São Pedro.

Eles são os responsáveis por distribuírem o Produto Biológico-BTI para voluntários que aplicam o produto de 15 em 15 dias. Eles devem fazer capacitação para serem habilitados a aplicarem o BTI e contam com a orientação da Vigilância Ambiental.

Uma reunião anual é feita com estes voluntários para ajustar o trabalho, analisar as dificuldades e passar orientações, para que o trabalho tenha continuidade. Essas reuniões são realizadas geralmente nas subprefeituras entre os meses de outubro e novembro.

Segundo a coordenadora da Vigilância Ambiental, Simone Menegotto, atualmente 90 aplicadores voluntários ajudam no combate ao borrachudo e mais de 150 km de área é tratada por ano. Ainda, de acordo com ela, há um gasto médio de torno de 70 litros de BTI por aplicação e a prefeitura já teria adquirido o BTI a ser usado este ano.

“O trabalho de controle ao borrachudo precisa ser contínuo para se obter um bom resultado. Mas é mais aplicado no verão”, enfatiza Simone. Ela ainda ressalta que é necessário o apoio dos agricultores. “É preciso a contínua colaboração dos aplicadores, pois depende muito deles a funcionalidade do programa”, comenta.”Além do incômodo, algumas pessoas são alérgicas as picadas dos borrachudos e acaba por ocasionar coceiras e até feridas”.

Recomendações da Vigilância Ambiental para o controle do borrachudo

-Tratar os dejetos e águas servidas das residências e indústrias através de fossa, filtros, sumidouros e outras formas.

-Promover a proteção da mata das margens dos rios, sangas e arroios.

-Evitar o uso de agrotóxicos próximo aos cursos de água.

-Armazenar os dejetos dos animais em estrumeiras.

-Proteger a fauna nativa, predadora e concorrente dos borrachudos.

Receita de repelente caseiro contra borrachudo

O combate ao borrachudo também pode ter um aliado caseiro. A receita, no entanto, deve ser testada antes de ser usado, caso seja alérgico a algum destes produtos.

Despeje dois copos de água em um borrifador, seguido por 1/4 de xícara de vinagre branco ou 10 g de alho em pó. Ambos funcionarão como repelente mantendo borrachudos à distância, pois eles não gostam do cheiro ou gosto deles. Adicione 10 ml de seu óleo essencial favorito. Alho ou vinagre não possuem um cheiro agradável, portanto, uma essência irá disfarçar o odor. O óleo de eucalipto criará um aroma calmo, que também age como um repelente a mais para vários outros insetos, assim como o óleo de hortelã ou o óleo cítrico.

Coloque a tampa novamente na garrafa e borrife o repelente diretamente sobre a pele. Repita a cada poucas horas, ou conforme necessário, para manter os borrachudos longe. Essa solução também pode ser pulverizada em animais em geral, incluindo vacas e cavalos que são mais comumente atacados por borrachudos durante os meses quentes de verão.

Receita de Repelente Caseiro

Ingredientes

1 Litro de álcool etílico hidratado ou de cereais

Uma colher de cravo-da-índia

Duas pedras de cânfora

100 ml de creme hidratante sem cheiro – para evitar ressecamento da pele.

Modo de preparo:

Em uma garrafa com tampa coloque os cravos e a cânfora em imersão no álcool por no mínimo 7 dias, quanto mais tempo passar melhor, se usar álcool de cereal deixe curtir por no mínimo 15 dias, após isso acrescente o creme hidratante e misture bem, esta pronto para passar na pele, sempre quando for usar agite bem.

Não se exponha ao sol quando utilizar o produto.

Receita com cravo-da-índia

O cravo-da-índia contém uma substância chamada eugenol, que possui propriedades inseticidas contra mosquitos e formigas. Confira essa receita fácil de fazer:

Ingredientes

500 ml de álcool de cereais

10 g de cravo-da-índia

100 ml de óleo de amêndoas dermatológico

Modo de preparo

Junte o álcool e o cravo-da-índia em um pote opaco, escuro, com tampa. Deixe-o fechado e sem contato com a luz por quatro dias. Depois desse período, mexa bem a mistura duas vezes por dia, uma vez de manhã e outra à noite. Por fim, coe e acrescente o óleo corporal, agitando ligeiramente. Coloque o repelente num recipiente spray, que pode ser comprado em farmácias homeopáticas e lojas de artesanato, e aplique na pele. Esse repelente atua por até quatro horas. Ao aplicar, evite o contato com os olhos e com machucados na pele e aplique somente três vezes ao dia. E lembre-se: de acordo com a Anvisa, não é recomendado que crianças com menos de dois anos façam uso de repelentes.

Receita com citronela

A citronela é uma potente aliada na proteção contra os pernilongos e outros insetos. O óleo essencial que é extraído dela e que é a base dessa receita possui 80 componentes repelentes, entre eles o citronelal, geraniol e o limoneno. Se você tiver um difusor de água, deixe-o em ambientes de até 16 m² e pingue três gotas de óleo essencial de citronela na água a cada cinco horas. Isso também ajudará a manter os pernilongos afastados. Outra opção é fazer velas caseiras de citronela e deixá-las acesas nos cômodos: além de ser uma alternativa ecologicamente correta, a sua casa estará protegida e com um aroma agradável, semelhante ao aroma do eucalipto.

Ingredientes

150 ml de óleo essencial de citronela

300 ml de óleo de amêndoas dermatológico

Modo de preparo

Reúna todos os ingredientes e misture bem. Por fim, lembre-se de armazenar a mistura em um recipiente escuro e evitar o contato dela com o sol. Você também pode usar outras quantidades, desde que sempre seja mantida a proporção de duas partes de óleo de amêndoas para uma parte de óleo de citronela. As recomendações de aplicação desse repelente são as mesmas do anterior.

Para bebês e crianças

Um ótimo repelente caseiro para bebês, a partir de 2 meses de vida, é o creme hidratante com gotas de complexo B.

Ingredientes

1 embalagem 150 ml de hidratante dermatológico

20 ml de complexo B em gotas

Modo de preparo

Num recipiente de vidro misture muito bem o conteúdo de cada uma destas embalagens e depois a guarde novamente no frasco do hidratante.

Como usar

Aplique em todas as áreas do corpo expostas ao mosquito, diariamente, de 2 a 3 vezes por dia. O complexo B possui um aroma que afasta os mosquitos, prevenindo suas picadas. Mas uma forma de complementar este tratamento caseiro é acender uma vela de citronela.